A NOVA ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO TRADICIONAL

Por José da Silva Mendes,

Ex-Bancário na sucursal do Banco Pinto e Sotto Mayor de Guimarães

Foi com agradável surpresa que tomámos conhecimento desta nova Instituição que pretende dinamizar o comércio local, trazendo de volta os vimaranenses à cidade. Para que tal possa acontecer, é imprescindível ter o apoio da Câmara Municipal, concretamente dos pelouros da Cultura e até do Turismo, trazendo à cidade, e aos nossos monumentos, os grupos corais do concelho, grupos de teatro, ranchos folclóricos, bandas de música e o próprio conservatório local.

É evidente que a Fraterna e as Juntas de Freguesia, que habitualmente promovem passeios aos reformados e idosos, levando-os a conhecerem outras paragens, ignorando o conhecimento do nosso património local, devem estas entidades ser integradas e sensibilizadas para esta ação conjunta. Para isso, importa não esquecer a divulgação na imprensa local, radiofónica e televisiva, tão arredada que tem estado das principais festividades do nosso concelho. A descentralidade dos programas culturais, tão apregoada pelo executivo camarário, não é a melhor forma de unir os vimaranenses e está em contradição com aquilo que são as intenções da nova Associação, que pretende envolver toda a comunidade do concelho.

A cidade está a pagar os erros cometidos no passado, pelo executivo camarário. Ao remover o mercado da cidade, do local que muitas décadas lhe conferiu inegável legitimidade, pode dizer-se, sem qualquer reserva, que se cometeu um verdadeiro atentado à historia da nossa idolatrada cidade. Depois da Câmara Municipal ter ressarcido a firma A. Neves e Correia, com avultada importância financeira para a sua saída, era possível manter o mercado no mesmo local, com possibilidades de estacionamento, já que dispunha de condições e dimensões perfeitamente adequadas.

Também as Festas Gualterianas, por falta de espaço condigno, têm sido vítimas dos erros camarários, com prejuízo evidente para o comércio local. A Câmara Municipal, liderada por António Xavier, comprou na devida altura o campo das Hortas para as Festas da cidade e Feira semanal. O executivo que lhe sucedeu permitiu a construção daquele grande edifício, sem qualquer enquadramento urbanístico, em cima de linhas de água, quando deveria ser construído no alinhamento com a antiga garagem da firma Ferreira das Neves. Muito recentemente, somos surpreendidos com a construção de um edifício na Freguesia da Costa, fazendo inaceitável tampão à respectiva Pousada, o que se lamenta profundamente. Alguns anos antes, foi ali cometido um outro erro urbanístico: quando chegados à primeira curva, deparamo-nos com um grande edifício atravessado, impedindo de ver a panorâmica do Campeão Português e a própria cidade. Depois daquelas construções em altura nas traseiras da Igreja de Santos Passos e até nas colinas dos montes, somos forçados a pensar que o mau gosto na urbanização em Guimarães não bate certo com o orgulho que todos sentimos com tudo aquilo que de bom tem sido feito no admirável centro histórico.

Nos finais do mês de setembro, o Senhor Presidente da Câmara Municipal inaugurou a  1ª fase da Ecovia e aproveitou a ocasião para anunciar o arranque da 2ª fase, já para o ano de 2019.

Depois de toda a comunidade vimaranense ser vítima das dificuldades no acesso à cidade – via rede viária, quer pelo lado de Lordelo-Nespereira, quer do lado de Fermentões, Vila das Taipas, é de ficar perplexo com tal urgência e prioridade. É muito estranho que a classe política que gere o nosso Município não tenha aprendido nada com aquilo que Braga fez em matéria de acessos à sua cidade, cujos benefícios comerciais e industriais estão bem à vista.

Em matéria de Cultura, ao contrário de Guimarães, Braga centraliza os programas culturais na sua cidade, com todos os benefícios que daí resultam para o comércio local.

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