A TOPONÍMIA DA CIDADE E A DOENÇA DO PARTIDARISMO

Por José da Silva Mendes

Ex-Bancário na sucursal do Banco Pinto e Sotto Mayor de Guimarães

Este é um tema que deveria merecer séria reflexão por parte do poder local, fazendo justiça a personalidades vimaranenses que muito deram à sua terra, sendo ignorados (nalguns casos) por não possuírem o rótulo de democratas de esquerda, facto que, para nós, nem sempre é sinónimo de honestidade moral e de competência. O Dr. Bernardino de Araújo Abreu, enquanto Presidente da Câmara Municipal, destacou-se, como poucos, numa grande ação a favor do nosso Concelho. Deve-se-lhe o Ensino Superior, as Pousadas da Costa e da Oliveira, Parques Industriais, Escolas Secundárias, habitação social, entre muitas outras iniciativas de monta, como a própria integridade do nosso Concelho, que outros prometeram defender, mas não lograram levar a cabo.

Como seu vizinho que fui durante vários anos, pude testemunhar os muitos serões que fez na própria casa a trabalhar em processos camarários, tendo-me confidenciado que estava a trabalhar para a execução de um projeto de uma cintura exterior à cidade (que tanto se faz sentir) e num pedido para a criação do Distrito de Guimarães. O Dr. Bernardino Abreu foi, sem dúvida, um grande político, com uma grande visão do presente e do futuro e com o desejo de guindar Guimarães a condigno patamar no contexto da nossa região.

Sempre que propunha os seus projetos ao Governo central, tinha a preocupação de o justificar com dados estatísticos muito concretos, quer fossem rodoviários, industriais, populacionais ou outros, dado que o governo de então desconhecia as verdadeiras potencialidades do nosso concelho. Ao fazê-lo, cuidava de desmontar os abusos da capital do distrito, que até então se servia do esforço alheio, jogando com números a seu favor que não eram seus. E foi desta forma que Braga nos ultrapassou ao chamar a si valores e interesses que na realidade não lhe diziam respeito. Temos o exemplo da Universidade do Minho que é bem elucidativo. Para concluir, diremos que a ação do Dr. Bernardino Abreu foi considerada pelo então Governador Civil, Santos da Cunha, o melhor Presidente de Câmara do Distrito de então.

Depois do 25 de Abril, foi merecedor do repúdio das gentes de Guimarães, o gesto vil de um grupo de cidadãos pretendendo retirar das mãos do ilustre autarca as chaves do Município.

Pelo seu bom serviço à causa pública, parece-nos, pois, ser um nome a merecer destaque na toponímia da nossa cidade.
É evidente que, ao falar-se desta figura que fez história na nossa cidade e região, não podemos deixar de aproveitar a oportunidade para referir outras individualidades merecedoras de distinção, como: – O ex-Director do Arquivo Municipal, Senhor Manuel Alves de Oliveira, que foi Vice-Presidente da Câmara Municipal, quando então instalada no Largo do Carmo; foi ainda membro da Comissão Administrativa das Oficinas de S. José, numa altura bem difícil daquela Instituição; Diretor da Revista Gil Vicente, e participou no primeiro Congresso Histórico Sobre Guimarães e a Sua Colegiada. Como historiador que foi de grande qualidade, muito se lamenta que a cidade tenha perdido o seu valioso espólio literário, o mesmo tendo acontecido ao espólio do Poeta Jerónimo de Almeida, residente que foi na Quinta de Vila verde desta cidade. Graças ao empenho da Junta de Freguesia de Urgeses, então liderada por elementos do PSD, Jerónimo de Almeida tem já o seu nome numa das ruas daquela Freguesia.

Dois outros nomes merecem a nossa atenção: o Engº Duarte do Amaral, que na qualidade de deputado muito lutou por Guimarães, sua terra natal. Esteve envolvido no restauro da Igreja da Colegiada, no 1º Congresso Histórico e até na Pousada da Costa, entre muitas outras iniciativas. Finalmente, lembramos aqui um outro vimaranense: D. António de Castro Xavier Monteiro, natural de Airão, tend sido incialmente Vigário Cooperador da Paróquia de Nossa Senhora de Oliveira, mais tarde Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa e posteriormente Arcebispo-Bispo de Lamego, e foi já nesta qualidade eu também participou no 1º Congresso Histórico de Guimarães. Sempre que se deslocava à sua terra natal, e depois de visitar Mons. Araújo Costa – Dom Prior da Colegiada, visitava ainda os seus familiares ao tempo residentes bo Largo João Franco.

A Alameda em frente ao Liceu de Guimarães teve inicialmente o nome do Eng° Arantes de Oliveira, mas posteriormente o seu nome foi substituído pelo Prof. Abel Salazar, ilustre vimaranense, sem dúvida, mas não se entende que na cidade exista uma outra rua com o seu nome, nas proximidades da central de camionagem.

Para encerrar esta reflexão, direi apenas que discordo em absoluto das alterações dos nomes das ruas, vielas, recantos, avenidas e praças da cidade. Essas alterações considero-as um atentado à história de uma cidade ou vila que seja.

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