“A UE APENAS OLHA PARA PORTUGAL COMO UM MERCADO QUE, SENDO PEQUENO, NÃO É DESPREZÍVEL”

Justiça social, respeito pelos direitos dos cidadãos e a ação ecologista como um compromisso com o futuro são as linhas orientadoras da CDU às eleições para o Parlamento Europeu. Os números da abstenção são uma preocupação para o partido, que considera que o facto de as pessoas não votarem coloca em causa a democracia. Mariana Silva, vimaranense, é a primeira da lista dos Verdes e quarta nesta coligação.

Que importância considera que tem para Guimarães esta sua presença na lista para o Parlamento Europeu?

Os candidatos levam sempre um pouco da sua terra inicialmente para a campanha, que é feita a nível nacional, e posteriormente caso sejam eleitos é sempre importante ter um eleito que transporta consigo o nome da sua cidade. Em quase todos os sítios onde vou perguntam-me de onde sou, esta partilha já é importante para suscitar a curiosidade e fazerem perguntas sobre outros assuntos. Naturalmente, qualquer candidato e eleito da CDU será sempre, seja ele quem for, o primeiro defensor dos trabalhadores e da população de Guimarães.

Quais as ideias principais do partido?

Os Verdes concorrem na CDU em coligação com o PCP, a ID e muitos independentes que partilham connosco a dimensão da defesa da justiça social, do respeito pelos direitos dos cidadãos e do desenvolvimento, em que a defesa da diversidade natural e cultural assenta em modos de vida saudável e solidário. Os Verdes assumem para as eleições ao Parlamento Europeu que a acção ecologista é um compromisso com o Futuro e o voto ecologista é na CDU. Os 10 compromissos dos Verdes são claros e vão da defesa dos interesses nacionais no PE, ao compromisso de promover a produção e o consumo local, alimentos livres de OGM e de pesticidas, até ao compromisso com a democracia e com a paz.

E as prioridades?

Todos estes compromissos são importantes e cada um deles divide-se em várias áreas que não podem ser vistas de forma isolada. No entanto, com todas as mudanças e os desafios que se apresentam não só à União Europeia, mas ao Mundo, como por exemplo a mitigação das alterações climáticas, as prioridades passam pela mobilidade sustentável e o compromisso de valorizar o transporte público, que com a conquista do passe social conseguimos um passo importante na sua promoção. Contudo, é necessário que o desenvolvimento se faça através da devolução de linhas férreas às populações, porque o comboio é o meio de transporte que contribuí para a descarbonização.

Como considera que os portugueses olham para a Europa e para estas eleições?

Com a última intervenção da Troika em Portugal, os portugueses perceberam que afinal os direitos que foram tão difíceis de conquistar são colocados em causa e podem-nos ser retirados a qualquer momento por aqueles que nos prometeram mais desenvolvimento, livre circulação, moeda única e políticas comuns de agricultura e pescas que colocariam todos os Estados-Membros em pé de igualdade. O que estas promessas nos trouxeram foi apenas mais empobrecimento para o país e para o povo. Os portugueses sabem que Portugal é um Estado que em nada se tem de envergonhar em comparação com os outros 27 Estados, mas a chantagem que tem sido feita nos últimos anos é muito grande. Por exemplo, se as pessoas soubessem que, os fluxos financeiros não são apenas de lá para cá, e que desde a adesão ao Euro já pagámos 100 mil milhões de euros, só em juros, pensariam duas vezes sobre as supostas vantagens da UE.

A abstenção, sobretudo nas Europeias, tem sido elevada. Isso é um factor que vos preocupa?

Preocupa-nos que os portugueses coloquem em causa a Democracia. Apesar de não ser perfeita é através do sistema democrático que podemos fazer ouvir a nossa voz e através da democracia podemos conquistar direitos e vencer lutas. Por isso, quando a abstenção é elevada são uns poucos a decidirem o futuro de todos. Mas não culpamos as pessoas. Antes culpamos aqueles que em Portugal dizem uma coisa e na UE fazem o seu contrário. Dou-lhe um exemplo. Todos dizem defender os interesses do Portugal. Mas os eleitos da CDU apresentaram uma proposta para que o número de deputados portugueses no PE não diminuísse. Nenhum dos restantes Deputados Portugueses votou a favor. Como é que se defende os interesses nacionais diminuindo o nosso peso relativo?

“É sempre importante ter um eleito que transporta consigo o nome da sua cidade”

O que consideram que poderia inverter essa tendência?

É possível combater a abstenção trazendo credibilidade à política, demonstrando que existem partidos que lutam junto das populações todos os dias, que conhecem os seus problemas, que os ouvem e que lutam para a sua resolução. Que existem partidos como os que compõe a CDU, PEV e PCP, que são coerentes e o seu trabalho é igual quer seja a nível local, regional ou até mesmo na União Europeia. O trabalho da comunicação social é também muito importante para combater a abstenção, e aquilo a que temos vindo a assistir, infelizmente, é o silenciamento de muito do trabalho que é efectuado por todos os candidatos da lista da CDU.

Quais são as vossas expectativas para estas eleições?

As nossas expectativas são muito claras, é possível a voz verde na União Europeia que se comprometa na defesa dos interesses nacionais, das pessoas e dos seus direitos sempre em comunhão com a Terra. Assim sendo o voto ecologista é na CDU. A CDU tem um património impar de trabalho realizado a favor do povo português e particularmente dos mais desfavorecidos. Os três eleitos da CDU fizeram mais perguntas à Comissão Europeia do que todos os outros deputados juntos. As nossas expectativas são que, mesmo silenciado, esse trabalho seja valorizado pelo povo português com mais votos e mais mandatos.

E como considera que a Europa vê Portugal?

A União Europeia, entretanto, serve, como se sabe, três grandes interesses. Em primeiro lugar, serve os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, dos banqueiros, dos grandes consórcios do agronegócio. Isso é evidente em todas as políticas que ali se decidem. Sempre dinheiro e benefícios para os do costume. Em segundo lugar, serve os interesses dos grandes países do centro e do norte da União, como é evidente na distribuição dos lugares no PE ou nas decisões da PAC, ou na capacidade de alguns países determinarem a maioria das decisões. Em terceiro lugar serve os interesses dos senhores da guerra e do armamento, como é óbvio pela crescente aproximação à NATO e submissão aos seus objectivos e dinâmicas, com as consequências brutais que vemos nas mortes do Mediterrâneo, ou do inaceitável aumento que está previsto para o orçamento militar, tirando-o à Política Agrícola ou às políticas sociais. Neste quadro, a UE apenas olha para Portugal como um mercado que, sendo pequeno não é desprezível e, eventualmente, como porta de entrada para o imenso mercado dos países de língua oficial portuguesa. Fazem falta mais vozes no PE para defender, sem hesitação os interesses de Portugal. Essas vozes são as da CDU.

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