“A única alternativa que está aqui em cima da mesa somos nós”

Alex Costa, de 42 anos, apresenta-se a sufrágio pela primeira vez. O antigo jogador, capitão e treinador, falou das suas ideias para o próximo triénio, caso mereça a confiança da massa adepta no próximo dia 5 de março.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

Sim Vitória, soa um chamamento. É essa a motivação, acha que é altura de se tornar presidente do Vitória?

Representa positividade, representa darmos um sinal que estamos aqui prontos para ajudar o Vitória. O Vitória vive do ponto de vista desportivo e financeiro um momento difícil. Darmos o Sim a um grande clube e que tem uma força tremenda dentro da nossa cidade, dentro da nossa região, foi o passo certo. Reunimo-nos de pessoas que, do meu ponto de vista, são muito competentes. Queremos incutir proximidade dentro do Vitória. Estamos aqui para os associados, e o Vitória foi precisamente fundado para isso mesmo. Para termos esta intervenção social, para termos esta intervenção desportiva que nos traga essa mesma felicidade a todos os adeptos que se deslocam aos estádios e pavilhões em busca do reconhecimento de uma identidade muito característica por parte do Vitória.

O Vitória está a comemorar 100 anos. Este pode ser um momento crucial para a afirmação de um clube tido como um dos maiores clubes do país e que, em termos desportivos, não tem conseguido alcançar resultados?

Infelizmente, não temos tido a capacidade de estarmos ao mesmo nível que normalmente os nossos sócios estão e sempre estiveram, ou seja, num nível altíssimo. Infelizmente, o Vitória do ponto de vista desportivo não consegue acompanhar esse nível e nós vamos propor, como é óbvio, investir muito nesse sentido e fazer com que os nossos adeptos se vejam reconhecidos dentro de campo. O centenário é um momento histórico e que nós pretendemos que seja também o momento de viragem. Não podemos adiar mais o futuro do Vitória. É a hora de o Vitória, de uma vez por todas, percorrer o caminho certo.

De geração em geração, vamos ouvindo pessoas a dizer que gostariam de não partir para outro lado sem ver o Vitória campeão. É um Vitória mais campeão, mais capaz de ser campeão que o Alex quer dentro do campo?

Essa frase ouvia muito em 2013, quando vencemos o primeiro grande título. Agora, eu prometer que o Vitória, a curto prazo, terá a palavra que todos nós queremos, que é de ser campeão, não seria justo da minha parte. Aquilo que pretendo é competitividade e um processo que acreditamos que nos vai levar a ganhar mais vezes. Aquilo que pretendo é precisamente a criação de um projeto que permita a médio prazo ter a ambição natural de ganhar de uma forma natural. O Vitória tem tudo para que isso aconteça, mas tem que virar o foco. Temos de nos concentrar fundamentalmente no processo e naquilo que temos que fazer diariamente na cultura de exigência que temos de impor dentro do Vitória, no critério de seleção em relação aos nossos recursos humanos, e depois, no dia a dia, criarmos um hábito, porque o ser humano também é muito feito de hábitos.

O Vitória tem um dos maiores orçamentos da liga, mas não tem tido resultados equivalentes aos orçamentos que tem. O que é que tem falhado?

É um facto que, do ponto de vista orçamental, este último mandato é sem dúvida o mandato onde se investiu mais no futebol. Foram muitos milhões e os resultados desportivos são aqueles que nós conhecemos, que ficam muito aquém daquilo que o Vitória ambiciona. E aquilo que temos vindo a encontrar e a observar nestes últimos tempos, é uma aproximação muito clara a clubes de média dimensão e um ligeiro afastamento em relação a clubes aos quais o Vitória por natureza pertence, que são os grandes clubes portugueses. Não podemos adiar mais o futuro do Vitória. Os melhores estão sempre no topo da tabela classificativa e é isso que pretendemos.

E que propostas coloca em cima da mesa de transformação da realidade dos resultados do Vitória ao nível do futebol?

Obviamente que o futebol profissional é algo que movimenta a paixão, a emoção e o “negócio”. O caminho que propomos aos sócios tem um pilar estratégico muito bem definido que é a nossa formação. Vivemos num país que forma talento por natureza e estamos num clube que, pela representatividade que tem, pela visibilidade que tem, é um formador por excelência. Temos vindo a perder supremacia no mercado e pretendemos retomar o caminho. E o caminho tem de ser o de liderar esta região ou de conseguirmos rentabilizar esse mesmo talento, quer do ponto de vista individual, quer do ponto de vista coletivo, e criar essa tal sustentabilidade financeira. Depois, como é óbvio, vamos compensar a nossa equipa principal. Queremos criar um misto de juventude e irreverência, com a mais-valia, com a qualidade, com a experiência, que formará uma competitiva e que represente os associados. 

Tem várias propostas no seu programa relacionadas com a interação entre o adepto e associado, com o espetáculo desportivo.

O adepto e associado tem de ser o centro de tudo. Felizmente, temos os melhores adeptos do mundo e não existe clube no mundo onde exista tanta paixão como em Guimarães e a ganhar tão pouco. O Vitória tem isso e a cidade representa muito essa paixão, essa conexão que que se funde entre a instituição e a própria cidade. Temos de potenciar isso do ponto de vista desportivo, através do resultado e da emoção. Depois, entraremos na parte comercial, que é algo que o Vitória tem que desenvolver muito. Quando eu digo o adepto no centro de tudo, passa por alargar aquilo que são os 90 minutos do jogo, passa muito por prender os nossos associados a mais tempo dentro ou à volta do D. Afonso Henriques, passa muito por uma política de comunicação muito mais próxima, onde eles se sintam comprometidos e sintam que fazem parte da solução do Vitória. A área comercial é fundamental potenciar, porque temos de deixar de arrecadar receita com base só venda de ativos.

Nomeou Flávio Meirelles como seu diretor desportivo, criando até uma situação delicada. Como vê esta situação?

Deixa-me triste porque sou daqueles que acho que um clube como o Vitória tem de tratar bem os seus funcionários e as suas referências. O Flávio é um homem que tem muitos anos de Vitória, tem muito trabalho dentro do Vitória. Tem o perfil daquilo que está desde a primeira linha no meu programa, que tem a ver com a identidade e com o ADN Vitória. O Flávio não participou em nada naquilo que são as ideias que temos para o Vitória. É um simples funcionário do Vitória, que nós achamos que tem que ser recolocado noutra função. O Flávio não teceu nenhum comentário e não é apoiante da nossa lista. Aquilo que temos visto, e isto que fique aqui também bem claro, é que pela parte de quem agora quer dar essa imagem, é precisamente aquele que usa funcionários atrás de funcionários nas suas sessões de esclarecimento. E ele próprio é que confunde aquilo que é uma campanha eleitoral com os funcionários do Vitória. 

“Felizmente, temos os melhores adeptos do mundo e não existe clube no mundo onde exista tanta paixão como em Guimarães e a ganhar tão pouco.”

Alex Costa

O que é que tem corrido menos bem Miguel Pinto Lisboa na liderança?

Justifica muito aquilo que é falta de liderança. Quando se procura responsabilizar tudo e todos, as coisas começam a correr mal. Quando as coisas não funcionam como nós queremos que elas funcionem, é muito importante que o líder tenha a capacidade de assumir em primeira mão a sua responsabilidade. Só neste período eleitoral, quando se fala num processo de validação de assinaturas que foi extremamente complicado, o primeiro ato foi responsabilizar alguns funcionários. Há uma semana, quando os adeptos do Vitória e de uma forma legítima manifestaram o seu desagrado perante a equipa e o som do estádio foi aumentado, o que se fez logo a seguir foi responsabilizar os funcionários. Quando esta candidatura elogia Flávio Meireles, responsabilizou-se o funcionário com suspensão. Isto é incrível. Em momento algum, o líder teve a capacidade de dizer que falhou.

Está convencido que o Vitória tem que diminuir o número de jogadores que dispõe. Em termos de reformulação de equipas, há algumas propostas que também queira desde já avançar?

Quando falámos num plano de reestruturação financeira e que pretendemos levar à Assembleia e apresentar aos associados a 60 dias, passa muito pela redução do quadro de atletas profissionais. Quando temos os custos que temos, nós só vamos conseguir reduzir através de atletas, porque eles representam mais de 80% dos custos que a Vitória SAD tem.

Na questão financeira, que Vitória espera encontrar, caso vença as eleições.

O momento financeiro que o Vitória vive é dificílimo e, se calhar, só quem vive num mundo paralelo ainda não se apercebeu disso. O Vitória, ainda há bem pouco tempo, antecipou três anos de receitas fixas televisivas. E antecipou para fazer uma coisa que ainda é mais grave, que é responder ao défice de tesouraria. 

Também propõe uma reestruturação financeira?

Claramente. Com um plano faseado, audaz e que foi estudado. Numa fase inicial temos que encontrar liquidez para terminar a época com a credibilidade que o Vitória merece. O rigor é fundamental, porque caso contrário, de 10 em 10 anos estamos a viver isto. Deveríamos estar aqui a discutir outras coisas, como a modernização do nosso estádio, a nova Academia, ou como vamos chegar aos três primeiros. Infelizmente, voltámos atrás e voltamos agora a discutir dívidas, a discutir buracos, a discutir injeções de capital.

Ainda há a questão de Mário Ferreira. Apesar de já não ser o acionista maioritário, ainda há uma dívida.

Não conhecemos o contrato, não sabemos como o acordo foi feito, não sabemos o que está lá escrito. Enfim, contraria muito a falta de transparência que muitas vezes Miguel Pinto Lisboa disse. 

Miguel Pinto Lisboa disse, numa Assembleia-Geral, que não está em causa a perda da maioria. O resto do contrato não está a ser cumprido. Poderá haver essa cláusula de anulação? 

Não sabemos, mas é claro que temo isso e estamos preocupados. Por isso, é que no nosso plano financeiro prevemos isso, ao contrário das outras listas. Quando falamos num aumento de capital da SAD, também é pela primeira premissa de ter que cumprir um contrato. Como o contrato tem de ser cumprido, o Vitória clube tem de encontrar soluções, porque não pode ser mais uma vez a Vitória SAD a emprestar dinheiro ao Vitória clube. 

Tem de ser o Vitória Sport Clube a criar condições para ter, através desta operação de aumento de capital, soluções para cumprir com Mário Ferreira. Depois de adquirir a totalidade das ações, ou quase a totalidade das ações, iremos promover o tal aumento de capital, juntamente com parceiros estratégicos que nós temos vindo a falar e que certamente terão interesse num Vitória sustentado, gerido de uma forma rigorosa, e num Vitória com um projeto desportivo.

Mas na constituição da SAD, quando os vitorianos e os vimaranenses foram chamados a participar, a adesão não foi muito positiva. Digamos que o Vitória ficou aqui com uma dívida de gratidão até para Mário Ferreira. Acha que isso vai acontecer de forma diferente? 

Nós respeitamos muito o parceiro Mário Ferreira, porque foi importante para o Vitória e é um parceiro desde o primeiro dia. Agora, há uma coisa que é muito importante. Há 10 anos, o conhecimento que tínhamos do negócio das SADS, não é o mesmo que temos hoje em dia. Quando olhamos para aquilo que foi o contrato da MAF com o Vitória, percebemos que houve aqui uma criação de uma mais-valia tremenda. Mário Ferreira, em números redondos, injetou cerca de 2. 5 milhões de euros no Vitória e fez um contrato na ordem dos seis milhões. Outra coisa que também comprovei, porque sou de Guimarães e lido com muitos empresários, é que muita gente se soubesse que o negócio seria feito daquela forma também poderia ter participado. Ou seja, eu acho que o Vitória não teve a capacidade de atrair e de estar perto do nosso tecido empresarial, de estar perto dos nossos associados e, de certa forma, de lhes fazer entender que isto poderia ser um grande negócio para eles. 

Hoje, os empresários certamente que percebem isso. É hora de nos aproximarmos e criarmos aqui uma ligação a todo o tecido empresarial, a toda a comunidade vimaranense, para que também eles próprios para que possam ser solução

E é possível que surjam esses investidores, mesmo com o clube a ter a maioria da SAD?

O Vitória terá de ser sempre o dono do seu destino, porque achámos que este sentimento de pertença é que faz de nós diferentes. Mas ao mesmo tempo, com um aumento de capital, vamos alavancar esse mesmo aumento com parceiros estratégicos e que sejam minoritários, que tenham interesses comerciais, que possam alguns deles também ter algum interesse desportivo, sendo sempre o Vitória a decidir aquilo que quer fazer e de ser dono do seu próprio destino. 

Em termos de infraestruturas, há uma academia a ser pensada, a ser discutida e aparentemente em projeto. Conhece o processo? O que é que lhe parece? É uma necessidade a construção da Academia?

Obviamente que é uma necessidade do Vitória, porque tem dificuldades em gerir os seus espaços. E aproveito para falar das modalidades, porque acho que têm sofrido muito com isso, com a falta de espaços. Temos de reforçar as nossas infraestruturas e temos na Câmara Municipal um grande parceiro. É um parceiro estratégico que nós pretendemos que se passe do papel à execução. A nova Academia para o Futebol é muito importante. Pretendemos que seja uma academia funcional, para a equipa principal e equipa B. E que a nossa atual academia, muito bem localizada, possa servir a nossa formação e possamos ali desenvolver um trabalho de excelência. Nessa mesma academia, vamos lutar muito para a construção de um pavilhão de treinos, também ele simples e funcional, para que as nossas modalidades possam trabalhar com maior dignidade, com mais qualidade, com mais conforto e, acima de tudo, a sentir mais o Vitória. O universo Vitória é um só. Com as dificuldades financeiras que vivemos hoje em dia, pretendemos continuar com todas as modalidades e queremos apostar no processo formativo em todas elas

© Mais Guimarães

Que recetividade tem sentido por parte dos associados? 

Muita positividade. Os associados querem uma mudança. Acreditam nas nossas ideias e reveem-se no perfil. de liderança. A onda está a crescer e a mensagem tem passado. A única alternativa que está aqui em cima da mesa somos nós.

Houve uma associação da sua lista a Júlio Mendes. Viu-se na necessidade de dizer que era uma candidatura independente.

Não poderia ser de outra forma. Sou um vimaranense e ando aqui de cabeça erguida. Se um dia entrasse num esquema desses, jamais poderia continuar a andar aqui em Guimarães de cabeça erguida. Não vale tudo para chegar ao Vitória. Há algo que para mim é inegociável, algo que não abdico, que é o meu caráter e minha personalidade. Esta é uma candidatura independente do ponto de vista intelectual. 

Para terminar, porque é que os sócios devem votar na lista B?

Não podemos adiar mais o futuro do Vitória e acreditamos que é connosco que o Vitória irá recuperar o seu estatuto europeu, reforçar o seu estatuto eclético e o seu papel social. Temos uma liderança que conhece o Vitória, que conhece os vitorianos, que conhece este território, mas que, acima de tudo, também vai precisar dos sócios para que possamos levar o Vitória ao rumo que nós todos queremos

©2022 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?