A voz como instrumento de trabalho

No dia 16 de abril celebra-se o Dia Mundial da Voz, com o objetivo de promover a saúde do aparelho vocal e prevenir doenças da laringe. Com o intuito de celebrar este dia, a Mais Guimarães esteve à conversa com duas atrizes, cujo o seu instrumento de trabalho é a própria voz.

Rita Morais, atriz e encenadora, revela que “é impossível dissociar do trabalho a voz, é um dos principais instrumentos de trabalho, seja a voz falada, cantada ou para qualquer outra utilização criativa”. Inicialmente a artista não tinha grande consciência da importância da voz quando começou a fazer teatro. 

Ana Sandrina Simões, também atriz, utilizou a sua voz como instrumento de trabalho em 2012, durante a Capital Europeia da Cultura, onde foi selecionada para participar no espetáculo “Bela Adormecida e Outras Histórias”, baseado no texto de Robert Walser e com encenação de António Pires.  

Rita Morais © Direitos Reservados

Pessoas com profissões como estas falam por várias horas, por isso os cuidados com a voz são fundamentais, desde a preservação e prevenção do surgimento de alterações na própria voz. Para Rita, o aquecimento é fulcral, com exercícios de respiração, dicção e vocalizes. No caso da Ana, existem dois fatores que tem em conta e que são essenciais: o descanso e a hidratação. A atriz vimaranense considera-se tagarela por natureza, e em dias de espetáculos tenta evitar forçar a voz, assim como evitar o ar condicionado, “pois é algo que não agrada as cordas vocais”.

A voz vai oscilando durante o dia. De manhã está menos aquecida, uma vez que ainda foi pouco usada e, nesse sentido, precisa de mais cuidados, enquanto que à noite o aparelho vocal já foi sendo utilizando ao longo do dia. Rita Morais conta que, tirando um bom aquecimento, não tem “grandes cuidados, muita água e chá quando o aparelho vocal está mais fragilizado, por alguma razão, e pouco mais”, confessa. Ana Sandrina também não dispensa um bom aquecimento, para além de manter uma boa postura corporal, uma vez que também afeta a própria articulação das palavras. Para além de tudo isto, tenta “descansar o melhor possível, acordar a voz com cuidado, beber muita água”, e nunca dispensa uma boa chávena chá antes de dormir.

Em 2019, quando Rita realizou a École des Maîtres, tinha de gritar bastante tempo no espetáculo e ficou mesmo sem voz, conta à Mais Guimarães. A solução que encontrou foi fazer longos aquecimentos vocais e, a partir daí, rendeu-se completamente, uma vez que “era a única coisa capaz de devolver a voz ou de a proteger”, revela. 

Ana Sandrina Simões © Direitos Reservados

Também Ana já teve algumas situações caricatas. Em conversa com a Mais Guimarães relembra o dia de casamento de uma grande amiga. Decidiu cantar e sentia-se muito nervosa, também própria do dia importante que era. Ana não tinha água por perto e sentiu a garganta seca, tanto pelo momento emotivo, como também por nessa semana ter estado com as cordas vocais em baixo. Também com este momento a atriz começou a ter mais consciência da importância e do cuidado que deve ter com a sua voz, o seu instrumento de trabalho.

Rita Morais termina dizendo que “a voz é, de facto, um instrumento maravilhoso de possibilidades infinitas”. 

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