AAUMinho pede proibição da utilização da plataforma Respondus

A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho) informa que “nunca poderá compactuar com a implementação de mecanismos que coloquem em causa a privacidade e bem estar dos estudantes que representa, nem que coloque em risco de dano os seus equipamentos pessoais”. Trata-se de um software criado para deteção de fraude académica na realização de exames online.

A plataforma em questão, Respondus, impede os estudantes de utilizar outras aplicações no seu computador enquanto realizam o exame, e inclui um sistema de vigilância que regista o comportamento do estudante durante o exame. “Assim que o estudante inicia o exame, as suas interações com o computador, por intermédio do rato e teclado, passam a ser registadas. Registam-se também as imagens captadas pela câmara do seu computador. (…) O sistema permite que se faça uma fotografia de um documento de identificação. (…) No final da prova as imagens são processadas e é calculado um valor para a probabilidade de incorreção no seu comportamento. Os momentos em que o comportamento é avaliado como eventualmente incorreto são identificados no vídeo para que a situação seja verificada pelo docente. Os estudantes podem aceder aos dados da vigilância por intermédio do docente.”

A AAUMinho informa que foi feita uma “solicitação ao Reitor da Universidade do Minho para que fosse declarada a proibição imediata da utilização da respetiva plataforma nos processos de avaliação”.

O pedido foi feito por considerarem “que não estão salvaguardadas as condições essenciais para que os estudantes possam realizar as suas avaliações de forma segura e justa, nomeadamente, pela violação da proteção de dados, pelas constantes falhas na sua utilização durante as avaliações e pela forma como a plataforma pode afetar o desempenho dos computadores, o que culmina, inevitavelmente, num acréscimo da ansiedade por parte dos alunos”, lê-se em comunicado.

Também a Associação de Estudantes de Direito da Universidade do Minho (AEDUM) publicou, esta segunda-feira, 1 de fevereiro, uma carta aberta à comunidade académica. “É essencial não perder de vista a defesa de um Ensino Superior pleno, onde os direitos de todos os envolvidos são observados e uma educação plena e de qualidade é a prioridade dos estudantes, do pessoal docente e não-docente. Consideramos que neste momento difícil, a reinvenção dos métodos pedagógicos é crítica.”

“O medo de fraude que muitos docentes verbalizam, apesar de justificado devido à facilidade de abuso dos sistemas implementados, não deverá sobrepor-se à preocupação com a qualidade da aprendizagem e com os direitos e liberdades dos seus alunos, que são o público mais afetado pelas mudanças aplicadas”, lê-se na carta aberta.

André Teixeira, presidente da AEDUM, afirmou, em entrevista ao ComUM, que a principal motivação para a elaboração desta carta foi “a consciencialização da comunidade e de toda a gente a quem este tipo de ferramentas toca”.

O presidente da AEDUM disse ainda que não se pode “sacrificar os direitos dos estudantes apenas para evitar fraudes que possam surgir durante o momento avaliativo”.

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