“ACHO QUE TENHO TIDO UMA CARREIRA FANTÁSTICA”

É considerado o melhor jogador português no que ao universo dos eSports diz respeito. Natural de Guimarães, vai conquistando o mundo com as suas habilidades ao comando e vive imerso numa realidade virtual de tiros e estratégias. Ricardo “Fox” Pacheco fez de um hobby um percurso profissional de sucesso e é hoje inspiração para muitos jovens portugueses que ambicionam seguir-lhe os passos.

Como começou o teu percurso nos eSports?

Bem, esta viagem iniciou-se quando comecei a jogar Counter-Strike com amigos, numa loja aqui em Guimarães.

Em que momento começaste a perceber que mais do que um hobby, jogar podia ser a tua profissão?

Quando assinei o meu primeiro contrato verdadeiramente profissional. Isto é, quando assinei pela primeira organização estrangeira que tive, no caso os Kinguin. Foi o primeiro ordenado que eu achei que era bom o suficiente para se poder viver. Não que não recebesse nos K1ck, antes disso. Mas estavam em níveis muito distanciados.

Enquanto jogador profissional, já representaste várias equipas. Como é que tudo se processa? Existem agentes e transferências envolvidos como vemos, por exemplo, no futebol?

Sim, cada vez mais os eSports encaminham-se para o nível que se pratica no futebol. As equipas têm uma estrutura hierárquica que tem sempre de ser respeitada, há contratos, extensos, com tudo isso descrito. Há horas definidas para treinar, para estar com a equipa, entre outras regras. E sim, já houve imensas transferências a envolver quantias bastante avultadas de dinheiro. Jogadores a trocar de equipas, com a equipa que os recebe a pagar várias centenas de milhares de euros à equipa vendedora. Tudo isso faz parte da profissionalização dos eSports. É uma evolução natural.

És um jogador remunerado desde 2007, tiveste a tua primeira experiência internacional em 2015, nos Estados Unidos. Que balanço fazes do teu percurso até ao momento?

Acho que tenho tido uma carreira fantástica. Já estive em baixo, já estive no topo, já passei por momentos fantásticos e outros muito maus. Há muito pouca coisa que faria diferente na minha carreira. Agora, não escondo que a partir do momento em que me internacionalizei, por assim dizer, foi a melhor fase que tive. Tanto a nível de resultados, como a nível financeiro. Foi marcante para mim.

Como funcionam as competições / torneios? Que preparação é feita pela equipa?

Existem várias empresas responsáveis pela organização dos eventos de eSport e essas organizações, todos os anos, tentam melhorar e dar as melhores condições possíveis aos jogadores. Os formatos e os locais variam, bem como os prizepools. No geral a organização de torneios está a um nível cada vez mais profissional, acompanhando a evolução transversal do próprio sector.

A nível de preparação de equipa, varia consoante a importância do torneio. Há torneios mais importantes que requerem mais treino. Como tal, muitas vezes, a equipa junta-se numa gaming house, centro de treinos ou escritório da organização e procura treinar junta, ao invés de o fazermos online. Isto em dezenas de horas por dia e às vezes por períodos superiores a um mês. Estudam-se as equipas adversárias, melhora-se a componente táctica da própria equipa, a química e comunicação, passa muito por aqui a preparação para os torneios.

Como vês o panorama dos eSports em Portugal?

A tentar evoluir, mas com pouco investimento e, sinceramente, sem grandes pontos de interesse. Não é por acaso que os melhores jogadores portugueses jogam em equipas estrangeiras, principalmente espanholas. O nível de investimento, exposição e apoio aos jogadores é monstruosamente superior. Há melhores torneios, melhores prizepools, melhores ordenados, melhores condições no geral. Isto falando do “meu” jogo, que é o CS: GO. Quanto aos eSports no geral não faço grande ideia.

E, como tens conhecimento de realidades de outros países, que comparação te é possível fazer?

A diferença é abismal. Há países onde até cursos de eSports já têm. Há empresas, com capacidade financeira a sério, a apoiar as equipas, a pagar bons ordenados, a procurar ter torneios no país deles. Há países com quatro e cinco equipas de bom nível e a pagar ordenados que nenhuma equipa portuguesa poderá alguma vez sonhar igualar. Como por exemplo nos Estados Unidos, França ou Suécia. Até Espanha, também.

Consideras então que esta é uma área em crescimento?

Como disse anteriormente, sem dúvida alguma. A exposição mediática dos eSports neste momento é tanta que se tornou impossível ignorar. Quanto mais atenção gera, mais interesse atrai de patrocinadores, investidores…, o que faz com que seja possível catapultar o sector para níveis de profissionalismo máximo. Tens o caso de um streamer profissional nos EUA a fazer em média pouco mais de 500.000$ mensais. Tens jogadores de CS:GO a receber ordenados com o qual muitos jogadores de 1ª Liga de Futebol em Portugal, fora 3 grandes, só podem sonhar.

As equipas investem cada vez mais em gaming houses para ajudar à sua evolução. Os prizepools dos torneios são cada vez maiores. Os números de espectadores dos mesmos também crescem a olhos vistos.

Entretanto lançaste uma marca. O que te levou a fazê-lo?

Sempre foi um sonho meu e é algo que me orgulha muito. Também algo que servirá para o meu futuro.

Até quando te vês a viver disto? Que planos tens para o teu futuro?

Enquanto sentir que sou uma mais-valia vou continuar a jogar. Adoro o que faço e quero continuar a fazê-lo. Continuar a expandir a minha marca também é algo em que penso muito.

 

Fotos:
JL Imagens

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