ALBERGUE DE S.CRISPIM ABRIU NOVAMENTE AS PORTAS PARA “COMBATER A SOLIDÃO”

Nesta terça-feira, dia 24, há a tradicional Ceia de Natal da Irmandade de S. Crispim e S. Crispiniano. A tradição remonta a 1315, onde, no Albergue de S. Crispim, foi servida a primeira ceia de Natal aos desfavorecidos da cidade

Tradição remonta a 1315 ©Pedro Castro Esteves/Mais Guimarães

Ecoa pela Viela de Crispim, que liga a Rua Rainha Dona Maria II à Rua Doutor Avelino Germano, a “Canção de Embalar”, de Zeca Afonso. Há vozes que se juntam a entoar o tema que vem de dentro do albergue de São Crispim. Há vida neste arruamento estreito, que contrasta com as outras ruas da cidade, que vão perdendo gente à medida que se aproxima a hora da consoada.  É que nesta terça-feira, dia 24, há a tradicional Ceia de Natal da Irmandade de S. Crispim e S. Crispiniano e, cá fora, os voluntários vão recebendo que chega para uma noite menos solitária.

Vítor Marques é um dos que está pronto para receber quem se dirige ao albergue “Já é o terceiro ano consecutivo. Sinto que faz falta haver pessoas que participem nesta data. Temos que pensar um bocadinho nos outros. Muitos não têm família, alguns têm a família longe. E, para não se sentirem sós, vêm cá. Não só situações de pobreza, muitas vezes é a solidão que tentámos combater”, afirma o voluntário, antes das refeições começarem a chegar às mesas.

©Pedro Castro Esteves/Mais Guimarães

Ao Mais Guimarães, os responsáveis da Irmandade de S. Crispim e S. Crispiniano apontavam que para cerca de uma centena de pessoas para uma ceia que cumpre, a preceito, a tradição gastronómica do Natal – primeiro chega o pão, mas haverá tempo para tradicional cozido.

“Podemos?”, pergunta alguém cá fora enquanto aponta em direção da porta aberta do albergue. “Claro”, responde José Pereira, um dos obreiros desta Ceia. “Este dia é muito importante para todas as pessoas onde não têm onde cear. Não há sítio nenhum onde eles possam comer”, afirma.

“É mais um ano. Estes últimos anos temos mais voluntários e, por isso chego mais cedo. Mas já cheguei a comer em casa à 01h00 ou 02h00 da manhã”, recorda José Pereira. Nota que as pessoas estão mais sensibilizadas para ajudar. Na conversa com o responsável surgem memórias de há muitos anos, em que a Ceia era servida a 640 pessoas e a comida era servida à vez.

A tradição remonta a 1315, onde, no Albergue de S. Crispim, foi servida a primeira ceia de Natal aos desfavorecidos da cidade, tradição que se cumpre até hoje sobre o mesmo chão com mais de 700 anos de terra batida.

“No futuro até era bom que não fosse necessária esta Ceia. Era sinal que tinham as suas famílias e podiam passar um Natal mais feliz”, considera. Para já, no entanto, o trabalho da Irmandade de S. Crispim e S. Crispiniano vai fazendo com que muitas dezenas de pessoas passem uma noite mais alegre.

©Pedro Castro Esteves/Mais Guimarães

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