Alunos com Covid-19 em isolamento em condições “precárias”

Mariana Gomes tem 19 anos e está a estudar Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Apesar de ser natural de Matosinhos, vive em Guimarães, onde frequentou o ensino secundário.

“O mundo todo lá fora não para, mas nós paramos”

Mariana está sozinha em Lisboa, não tem família por perto. “Em termos psicológicos é terrível, fazer isolamento profilático pode deixar uma pessoa bastante desgastada, porque conseguimos perceber que o mundo todo lá fora não para, mas nós paramos”. Para a estudante, “é mais complicado do que aquilo que parece”. Se estivesse em Guimarães, “sabia que tinha sempre alguém a proporcionar-me tudo aquilo que eu precisava”.

Está infetada pela segunda vez. Da primeira vez teve a sorte de conseguir regressar a casa. Está, neste momento, a fazer isolamento numa pousada da juventude. “Fiquei infetada com Covid na semana passada, há cerca de 10 dias. Hoje já vou sair daqui”, contou ao Mais Guimarães. “As condições da pousada são bastante precárias”, desabafou.




Estudar e ter aulas no chão do corredor

Sem nenhum protocolo escrito, os sete estudantes infetados foram colocados na pousada, juntamente com outras pessoas. “Nós não partilhamos a pousada só com estudantes infetados, partilhamos com sem abrigos infetados, com hospedeiras infetadas, uma série de pessoas diferentes que vêm cá parar”.

“Disseram que iríamos ter acesso a um quarto particular, que íamos ter acesso a uma casa de banho privativa, que todas as restrições alimentares iriam ser cumpridas… só que, na verdade, quando nós chegamos cá, fomos colocados quatro num quarto minúsculo”, desabafou Mariana. O quarto onde ficou tinha quatro camas, cacifos, uma cadeira e uma mesa redonda. “O pressuposto era nós estudarmos nesse quarto, alimentarmo-nos nesse quarto, vivermos nesse quarto, ter aulas nesse quarto”.

Mariana começou a questionar-se onde é que ia estudar e onde é que ia ter aulas. “O que me disseram foi “por que não estudar e ter aulas ali no chão do corredor?””.

Os estudantes ligaram para a Saúde 24, expondo a situação. “Disseram que era ilegal, uma vez que quatro pessoas que não se conhecem, com dinâmicas de vírus diferentes, que testaram positivo em dias diferentes, não podem estar num quarto a fazer isolamento”. No dia seguinte foram colocados em quartos duplos, mas “isso também não era suficiente, uma mesa e uma cadeira, num quarto, e mesmo estar a fazer isolamento com outra pessoa”.




A casa de banho é partilhada por um piso

Ao Mais Guimarães, Mariana confessou que partilham “a casa de banho com um piso inteiro de infetados” e que “havia pessoas intolerantes à lactose, havia pessoas intolerantes ao glúten, havia pessoas com dietas vegetarianas”, sendo-lhes garantido que tudo iria ser assegurado. “Já nos mandaram frango com ovos, arroz de polvo, estão constantemente a mandar massa, sendo que há uma aluna que não pode comer glúten, já nos mandaram folhados com queijo e nós não podemos comer lactose. Uma série de coisas e, até hoje, não tivemos as refeições asseguradas de forma plena”. A comida é servida antes da hora de almoço e antes da hora de jantar, entregam o lanche e o jantar em conjunto, por exemplo. “Comemos a comida fria”, explicou.

A estudante confessou que já teve de faltar a aulas obrigatórias, uma vez que a rede WiFi é fraca. “São essas aulas que me dão a nota no final do semestre, porque é a minha participação oral que conta”. Embora haja professores que não dizem nada, outros mostram preocupação e fazem videochamadas. Contudo, Mariana precisou de ligar os seus dados móveis para poder aceder às aulas.

Ao Mais Guimarães explicou ainda que na pousada há pessoas que fazem isolamento de 10 dias, ou mais, sem sítio para lavar a roupa. “Ontem tentamos lavar a roupa na banheira, só que a casa de banho fica toda inundada”.

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