ANO NOVO, MAIS DO MESMO

Por José Rocha e Costa

O fim do ano 2018 ficou marcado pelas inúmeras greves que se registaram em vários ramos do sector público: a greve dos enfermeiros, a greve dos funcionários do serviço de estrangeiros e fronteiras, a greve dos trabalhadores das finanças, etc.

Pois bem, para começar bem este ano de 2019, os guardas prisionais, que já haviam estado em greve de 15 de dezembro até ao passado domingo, dia 6 de janeiro, anunciaram nova greve que começará dia 16 de janeiro e dever-se-á prolongar por 19 dias, até meados de fevereiro. Apesar de não ser ainda muito velho (tenho apenas 29 anos), posso dizer que ainda sou do tempo em que as greves eram mais uma medida de último recurso, do que umas férias prolongadas. Não está aqui em questão a justeza das reivindicações dos guardas prisionais ou de qualquer outro sector profissional, o que está em causa é mais a forma de fazer greve em si.

O que todas estas greves têm em comum é o facto de afectarem muito mais o cidadão comum do que o alvo a que se destinavam inicialmente, que suponho ter sido o Governo. Senão vejamos: a greve dos enfermeiros dos blocos operatórios resultou no adiamento de milhares de cirurgias que já poderiam ter sido feitas e que vêm “empatar” ainda mais um Sistema Nacional de Saúde já de si enfraquecido pelos cortes efectuados nos últimos anos; a greve dos funcionários do serviço de estrangeiros e fronteiras veio complicar ainda mais a situação de algumas dezenas de pessoas nascidas noutros países, e que apesar de pagarem os seus impostos e de contribuírem para a economia do país, se encontram encalhadas em processos burocráticos e por isso, para todos os efeitos, continuam a estar em Portugal ilegalmente; a greve dos guardas prisionais, deixou os reclusos impossibilitados de receber visitas durante 3 semanas, levando inclusive à ocorrência de incidentes em várias prisões do país. Isto só para citar os exemplos mais mediáticos.

Não sou, nem nunca fui, contra o direito à greve e o direito das pessoas a reivindicar aquilo que acham justo. Sei também que, muitas vezes, para se conseguir progressos a nível de direitos laborais e não só, é necessário paralisar o funcionamento normal da sociedade para que o Governo se digne sentar-se à mesa e negociar. No entanto, tudo isto só faz sentido se houver o que negociar. A verdade é que, neste caso, o Governo não vai nem pode ceder. Portugal continua a ter uma dívida assombrosa e apesar dos “truques” utilizados pelo Governo para recuperar a confiança dos mercados financeiros, os cofres públicos continuam mais ou menos vazios e, mesmo que haja alguma verba para atender às reivindicações de alguns, isso só iria resultar em mais greves de outras classes profissionais, até que todas as reivindicações fossem atendidas. Por isso é que esta proliferação de greves me parece despropositada, a mim que trabalho no sector privado onde, como se sabe, as carreiras têm progredido de uma forma extraordinária e onde a maioria dos trabalhadores gozam de condições laborais perfeitas e de remunerações avultadas. Sabem como é, quando se vive no paraíso, é difícil entender os problemas mundanos.

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