Apanhar covid duas vezes

Foto: Polina Tankilevitch

Imagine que lhe era diagnosticada a doença mais assustadora do nosso tempo, a covid-19. É mau, agora imagine que algumas semanas depois de ser dado como curado testava outra vez positivo.

O caso aconteceu em Guimarães a um homem de  79 anos. Tudo começou na quarta-feira após a Páscoa, dia 15 de abril. Na família, foi uma bisneta a primeira a apresentar sintomas, na quinta-feira, dia 16 de abril, foi um filho que testou positivo. Alguns dias depois, o doente em causa deu uma queda e foi transportado ao Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, por precaução, uma vez que tem problemas cardíacos. Até ao momento em que foi transportado ao hospital não tinha havido nenhuma suspeita de infecção, uma vez que não apresentava sintomas.

Desde essa data até ao dia 16 de maio permaneceu no hospital. Nessa altura regressou a casa, “por motivos de saúde psicológica”, explica uma neta. Recorde-se que é uma pessoa já com alguma idade e que as visitas ao hospital estavam completamente interditas. Na altura em que os médicos e a família optaram pelo seu regresso a casa, o filho e a esposa também estavam infectados, pelo que, os três podiam cumprir o isolamento em conjunto de forma menos penosa.

Em casa continuou a ser seguido pela médica de família. Passadas mais quatro semanas de isolamento caseiro, a 13 de junho,  depois de um teste negativo, tudo parecia que estava ultrapassado. O homem voltou à sua vida normal, embora usando máscara e as necessárias precauções. Mas o calvário não tinha terminado. Na sexta-feira, dia 26 de junho, uma nova queda voltou a conduzir este homem ao hospital. A queda voltou a ser apenas um susto, porém, voltou a testar positivo para covid-19. O caso torna-se ainda mais problemático quando, dia 30 de junho, uma neta de 10 anos com quem convivia, também testou positivo, embora assintomática.

Helena Sarmento, médica de medicina interna e responsável pelo internamento de covid-19 no Hospital Senhora da Oliveira diz que como este há muitos doentes a nível nacional e internacional. Há neste momento grupos de trabalho que procuram compreender se se trata de novas infeções ou se é apenas o vírus que permanece nas secreções. “Não achamos que seja infeção, continua a haver presença de vírus, mas não há quadro clínico e pensa-se que não será contagioso”, afirma num tom cauteloso. Reforçando a ideia que é preciso esperar pelos resultados dos estudos para perceber se se trata de segundas infeções.

Em todo o caso, Helena Sarmento explicou que no Hospital Senhora da Oliveira é preciso dois testes negativos para dar alta a um doente anteriormente infetado com covid-19.

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