“Bairro C” intervém na zona que se pretende elevar a Património da Humanidade

O território adjacente ao Centro Histórico de Guimarães tem vindo a ser palco de diversas transformações ao longo dos últimos anos. No espaço deixado livre por antigas fábricas na área que vai da zona de Couros até à avenida Conde de Margaride, implantou-se o Centro de Ciência Viva, no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (CAAA), a Casa da Memória e o Centro Internacional de Artes José de Guimarães (CIAJG). Tratavam-se de fábricas de plásticos, da tradicional industria de curtumes – que dá o nome à zona de Couros – e no caso do CIAJG, do antigo mercado municipal.

Estas reabilitação urbana é marca deixada por dois momentos chave para a cidade de Guimarães: o reconhecimento do Centro Histórico como Património da Humanidade, em 2001, pela UNESCO e a Capital Europeia da Cultura, em 2012. A Câmara Municipal de Guimarães iniciou, em 2013, um processo no sentido de alcançar a classificação da zona de Couros, onde subsistem vestígios da tradicional industria de curtumes, como Património da Humanidade. Em abril de 2019, o vereador do PSD, Ricardo Araujo, referia-se com preocupação relativamente a este processo, “algo atrasado”. Na mesma altura o vereador com o pelouro do urbanismo, Seara de Sá, referiu que o processo continua a “estar presente” no quotidiano da autarquia e sublinhou a morosidade da constituição da proposta que ademais terá concorrentes.

Recorde-se que a construção do parque de estacionamento de Camões foi apreciada pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) como um entrave ao futuro alargamento da zona classificada como Património da Humanidade a Couros. Entretanto o parque foi inaugurado em agosto de 2019 e encontra-se em funcionamento.

Em grande parte, é nesta área que o projeto “Bairro C” vai incidir. As iniciativas no âmbito do  “Bairro C” vão-se prolongar ate 2022, embora só esteja ainda definida a programação para 2020. Paulo Lopes Silva, adjunto da vereação e um dos responsáveis pelo projeto adianto ao Público que “O grande objectivo é traduzir a estratégia que já está no território, assente na cultura, na ciência e na criatividade”. O “Bairro C” conta para este primeiro ano com um orçamento de 40 mil euros.

A arte urbana é uma das faces mais visiveis deste primeiro ano do “Bairro C”. Um Grafitti alusivo aos universo dos videojogos, da autoria de Oker (Mário Fonseca), a arte abstrata de Contra e a figuração do ser humano, por Draw fundem-se num painel feito numa estrutura amovível com 20 metros.  A 11 de 12 de julho vai haver intervenções de pintura mural colaborativa, no jardim da Feira Semanal. Até ao fim de 2020 haverá ainda intervenções na Caldeiroa e na avenida Conde Margaride.

Foto: Rui Dias



A ribeira de Couros será iluminada e alguns dos tanques de cortumes vão ser ocupados por uma das obras de Contextil. Ainda no âmbito da bienal de arte têxtil, que se realiza entre 05 de setembro e 25 de outubro, vai realizar-se, em Couros, um ciclo de cinema industrial, adiantou o adjunto da vereação ao Público.

Numa parceria com o curso de Artes Visuais, da Universidade do Minho, vão ser realizada conferência dedicadas à arte pública. A  iniciativa Drifting Bodies/Fluent Spaces”, entre 22 e 24 de Julho, é exemplo desta parceria. O Instituto de Design de Guimarães vai receber o arquitecto italiano Francesco Careri, a artista norte-americana Karen O’Rourke e o fotógrafo português Duarte Belo para uma reflexão sobre as cidades vistas a partir da mobilidade do peão e do olhar artístico.

Esta iniciativas do “Bairro C” podem ainda ser oportunidade para pequenas intervenções urbanísticas. É o caso da colocação de uma peça da Contextile nos tanques de curtumes. Para esta instalação artística serão retirados de gradeamentos, a corrigidos de muros e repavimentadas algumas áreas.

O projeto “Bairro C” assenta muito na circulação a pé, dando especial importância aos antigos caminhos restritos a peões. Prevê-se a reabertura do túnel sob a avenida D. Afonso Henriques pra o momento da inauguração do Teatro Jordão, tornando assim os diversos territórios onde se vai fazer sentir a actuação do “Bairro C” numa unidade continua do ponto de vista do visitante pedonal.

Em 2021, o “Bairro C” prossegue com uma programação dedicada à comemoração dos 20 anos do reconhecimento do Centro Histórico de Guimarães como Património  da Humanidade. Em 2022, segundo declarações de Paulo Lopes Silva, o “Bairro C” servirá para fazer um balanço da Capital Europeia da Cultura, após dez anos.

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