BE: “Guimarães continua de braços cruzados a ver a população sair para concelhos vizinhos”

Sónia Ribeiro, deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal, centrou a sua intervenção sobre o Plano e Orçamento apresentado pela Câmara Municipal, e aprovado pelos deputados da maioria socialista, em quatro pontos: nos apoios sociais, ambiente, mobilidade, e juventude e educação. O Bloco de Esquerda, como toda a oposição, votou contra o documento.

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Quando aos apoios sociais, a deputada considerou que “devem ser reforçados, para que ninguém que esteja a passar por dificuldades se sinta só e encontre nos serviços públicos o apoio necessário para ultrapassar esta fase difícil”, lembrando que o BE entregou um conjunto de propostas para o Plano e Orçamento para 2022, propondo, nomeadamente, a criação de um “Fundo de Resposta à Pobreza e a criação urgente de uma rede municipal de creches e infantários, descentralizados no território municipal”, já para 2022.

Sobre o ambiente, disse que o concelho de Guimarães “continua com graves problemas”, a que  “urge dar resposta”. A despoluição dos cursos de água, a proteção da mancha florestal e a descarbonização dos transportes devem ser “prioridades nas políticas municipais”. Criticou ainda, neste ponto, o “constante abate de árvores saudáveis, sem que haja o esclarecimento da população através da divulgação dos relatórios fitossanitários”, como aconteceu, diz, recentemente, na Escola João de Meira e na Rua Almirante Gago Coutinho. Sónia Ribeiro disse ainda que o BE propôs ao Município que apresente um Plano para alcançar a Neutralidade Climática até 2030.

Já quanto à mobilidade, a deputada do Bloco referiu que “onde devíamos ter mais espaço para pessoas e bicicletas, temos mais betão e alcatrão para os automóveis”, criticando a  que diz ser uma “falta de pensamento de longo prazo” que é “flagrante, quando as estradas que se constroem ignoram por completo a bicicleta”. Deu como exemplo as as novas estradas em Silvares e  S. Torcato, em que “deveriam estar incluídas vias cicláveis”, para que a bicicleta seja uma “solução efetiva para as pessoas que a queiram usar nas deslocações diárias para a escola e o trabalho”. Propôs ainda que na política de transportes públicos a “gratuitidade dos passes” esteja  em cima da mesa, e que o município intensifique a reivindicação junto do Governo Central, para uma solução ferroviária para a ligação entre Guimarães e Braga.

 Quanto à juventude e educação, Sónia Ribeiro lembrou que os dados dos últimos Censos revelam que o Concelho de Guimarães, “nos últimos dez anos, perdeu 12,8% dos jovens”, dados que “apesar de não surpreender, chocam por demonstrar que este município tem feito pouco para reter a geração mais qualificada de sempre, a grande maioria com ensino superior completo”. A deputada disse ainda que isto acontece porque “não há políticas que efetivamente contribuam para que estes jovens, muitos deles graduados na Universidade do Minho, fiquem em Guimarães”, apontando como um dos fatores o “problema crónico de falta de habitação”, que, “mais uma vez, este orçamento não vai resolver”. 

Enquanto, disse, a “maioria das Câmaras do país tem projetos em andamento, no âmbito do PRR, para a construção de habitação e arrendamento a custos controlados, Guimarães continua de braços cruzados a ver a população sair para concelhos vizinhos”, acrescentou a deputada, referindo por fim que o BE propôs a criação de um “Parque Público Municipal  de Habitação, quer através de um plano de construção , quer de reabilitação de imóveis públicos”.

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