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Braga venceu por pouco, Vitória perdeu por um triz

Foi um jogo que só chegou depois de duas eliminatórias europeias disputadas e de três jornadas do campeonato em atraso no calendário bracarense. As equipas chegavam a este clássico minhoto com necessidades bem distintas.

Carlos Vicens tinha acabado de arrumar, com um nulo em Viena, o play-off que garantiu ao Sp. Braga lugar na fase de liga da Liga Conferência, um percurso que já somava três eliminatórias superadas. Para gerir o desgaste dessa maratona europeia, o técnico espanhol mexeu em três peças do onze inicial, lançando Sergio Barcia, Travassos e Dorgeles.

Do lado vitoriano, Tiago Margarido procurava confirmar uma recuperação ainda frágil: depois de duas derrotas nas duas primeiras rondas do campeonato, o triunfo mais recente sobre o Nacional da Madeira tinha devolvido alguma confiança ao grupo. A resposta do treinador foi óbvia: manter inalterado o onze vencedor.

A primeira parte foi escrita mais pela cautela do que pela ousadia, com as duas equipas a recusarem correr riscos desnecessários. O que de melhor o Vitória produziu resumiu-se a duas saídas assertivas do guarda-redes Bernardo Fontes, que travou outras tantas investidas bracarenses. Do outro lado, Victor Gómez fez tremer o ferro da baliza vitoriana com um remate seco, um aviso da maior fluidez que o Sp. Braga ia ganhando na posse de bola.

Essa ascendência acabou por contagiar negativamente os visitantes: um dos sustos do Vitória nasceu de uma hesitação de Zich, que quase entregou a bola a Gabriel Silva dentro da própria área.

O intervalo não esfriou nada. Aos dez minutos da etapa complementar, o árbitro André Narciso assinalou grande penalidade a favor dos anfitriões, decisão que o VAR viria a anular pouco depois por fora de jogo de Pau Victor no lance que a originou. Foram quase cinco minutos de paragem e de tensão crua, que deixaram o jogo mais físico, mais disputado nos duelos individuais e as bancadas ainda mais dentro da partida.

Foi nesse ambiente elétrico que Carlos Vicens decidiu mexer no banco, e a aposta resultou quase de imediato. Diego Rodrigues, médio formado precisamente nas camadas jovens do Vitória, entrou em campo e, com apenas sete minutos de bola, resolveu o dérbi a favor dos antigos rivais de formação: recebeu, deu um passo sobre o marcador e, sem tempo para preparar o remate, disparou de pé esquerdo. Zich ainda tocou na bola, mas não impediu o golo que valeu os três pontos, aos 79 minutos.

Nos instantes finais, o Vitória tentou reagir, mas sem nunca chegar a rematar com verdadeiro perigo à baliza de Fontes. O apito final confirmou a vitória caseira. Com este resultado, o Sp. Braga sobe a quatro pontos e ao nono lugar da tabela, ainda com dois jogos em atraso por disputar. Já o Vitória de Guimarães soma a terceira derrota em quatro jornadas e permanece na 12.ª posição, com três pontos. Para Diego Rodrigues, médio internacional sub-21 por Portugal, o golo decisivo confirma um estatuto de “arma de arremesso” que Carlos Vicens já não hesita em usar quando o jogo pede outro tipo de resposta.

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