“Carmen” de G. Bizet é o ex-líbris de mais uma edição do Festival de Canto Lírico de Guimarães

Pela primeira vez em português – apesar das opiniões mais conservadoras -, a grande ópera de Georges Bizet “Carmen” vai estrear em Guimarães. Este é o espetáculo “âncora” de mais uma edição do Festival de Canto Lírico de Guimarães, promovido pela Associação Artística Vimaranense (ASMAV).

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Produzido conjuntamente entre a ASMAV e a Companhia de Ópera de Setúbal, com direção e encenação de Jorge Salgueiro, o espetáculo terá cerca de 60 coralistas e solistas em placo, mas também com um coro de 50 crianças. Com a duração de três horas, a obra contará também com o contributo da Orquesta do Norte, com direção do maestro Fernando Marinho.

A apresentação deste clássico em Guimarães, que estreará uma semana antes em Setúbal, apenas será possível porque foram reunidas “duas condições estruturais”, explica Francisco Teixeira, presidente da ASMAV. A primeira prende-se com o financiamento da Direção Geral das Artes e Espetáculos (DGARTES) que permitiu a adaptação da obra, e que esta fosse construída com a encenação original, que prevê a presença de mais de meia centena de artistas em palco.

“É uma ópera que tem um libreto em tudo perfeitamente atual. É uma obra cujos temas são o amor e o ciúme, que estão vincados à problemática da violência sobre a mulher”, disse o responsável. Xenofobia e direito animal são outros dos temas em destaque.

Assim, durante quatro dias, entre 08 e 11 de dezembro, os vimaranenses são convidados a apreciar o canto lírico através de quatro iniciativas.

O programa arranca na quinta-feira (08) com uma conversa pública, na sede da associação, pelas 21h30, que terá como tema “O ódio às mulheres e o medo do corpo e do desejo”. A sessão pretende refletir sobre “até que ponto o medo, ou mesmo o ódio, ao feminino, ao desejo e ao corpo foi erradicado” ou se, pelo contrário, continua entre nós. A entrada é gratuita.

O ponto alto do festival acontece no sábado (10) com a apresentação de “Carmen”, pelas 21h00, no CCFV. O espetáculo terá o custo de 7,5 euros por pessoa, com entrada livre para estudantes até à licenciatura, mediante apresentação de comprovativo.

No dia anterior, a 09 de dezembro, decorrerá um ensaio aberto de “Carmen”, com entrada livre, pelas 21h00.

A fechar esta edição está o recital coletivo de canto e piano “As Sete Mulheres do Minho”, na sede da ASMAV. O recital é inspirado nas mulheres do Minho, “as que amam, as que rezam, as que sofrem, as que lutam, as que se libertam, as que morrem, as que exultam”.

Apesar de também terem sido aplicados os recursos próprios da associação, a Câmara Municipal de Guimarães foi um importante parceiro na organização do festival, não só através de financiamento direto, como também pela cedência do auditório do Centro Cultural Vila Flor.

Paulo Lopes Silva, vereador da Cultura na Câmara Municipal de Guimarães, adiantou que o festival, este ano, foi integrado nos projetos culturais de interesse municipal. “Permite que as associações possam pensar nestes projetos numa perspetiva de continuidade. Não como uma atividade que vão concretizar num determinado ano, mas como um projeto que pode crescer, desafiando também o município a ir um pouco mais longe para complementar os projetos artísticos e culturais que nos são apresentados”, referiu.

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