Carregar a viatura é impossível em oito das nove vilas do concelho

A mobilidade elétrica foi apontada por Domingos Bragança, ainda na anterior legislatura, como um objetivo, quer ao nível do transporte individual quer no domínio dos transportes públicos. O programa com que o Partido Socialista se apresentou às eleições autárquicas de 2017 consagrava este propósito. Entretanto, as marcas automóveis têm cada vez mais oferta e as pessoas parecem confiar cada vez mais na opção elétrica.

Com evolução tecnológica verificada nos últimos anos em relação à autonomia e ao preço das baterias, a oferta de carros elétricos e híbridos aumentou muito, hoje quase todas as marcas têm propostas nesta área. Uma das desvantagens sempre apontada às viaturas elétricas é a autonomia, por isso a opção por estes carros depende da existência de uma boa rede de carregamento.




O PS reconhecia esta limitação ao uso do carro elétrico no concelho no seu programa eleitoral e prometia “incrementar a rede de carregamentos elétricos”.

 Há três anos, o Mais Guimarães publicou uma notícia sobre o estado da mobilidade elétrica no concelho. Naquela altura, começavam a ver-se cada vez mais carros elétricos na cidade. “Os postos de carregamento, que antes estavam sempre vazios, começam as estar frequentemente ocupados”, lia-se nessa notícia, de setembro de 2017. Em setembro de os pontos onde se podia carregar as baterias, em Guimarães, eram oito: alameda da Universidade, rua Condestável Nuno Álvares, largo António Leite Castro, avenida D. Afonso Henriques, estação de caminhos de ferro, alameda Mariano Felgueira, rua Val Donas e alameda Mariano Felgueiras (um carregamento normal e outro rápido).

De então para cá, abriram mais três postos de carregamento: rodovia de Covas, Intermarché de Urgezes (carregamento rápido) e rua Eduardo Leite Faria, em Caldas das Taipas. Muito do longe da promessa eleitoral do PS. “A mobilidade é uma prioridade com uma rede de carregamento rápido elétrico por todo o território do concelho”, anunciava a programa com que Domingos Bragança venceu as eleições autárquicas.

Em 2020, num concelho com nove vilas, não há postos de carregamento elétrico em oito delas. A grande maioria dos postos de carregamento estão no coração da cidade de Guimarães e dois deles estão na periferia mais próxima, Urgezes e rodovia de Covas. Com a agravante de servirem a mesma área. Embora o mandato ainda não tenha acabado, a um ano de novas eleições autárquicas, estamos muito longe da projetada rede de carregamento rápido por todo o concelho, até porque, entre os três postos mais recentes, só um é que é de carregamento rápido.

“Dentro de dois ou três anos, a mobilidade dos transportes públicos na zona urbana será elétrica, pelo menos em 75 por cento”, Domingos Bragança

No que toca ao transporte público, em junho 2016, na abertura da Greenweek, o presidente da Câmara anunciou que Guimarães pretendia ser a primeira cidade do país a ter autocarros totalmente elétricos em circuito urbano. “Dentro de dois ou três anos, a mobilidade dos transportes públicos na zona urbana será elétrica, pelo menos em 75 por cento”, dizia nessa altura o presidente. Passados quatro anos, a frota dos TUG tem apenas um autocarro elétrico.

Há vários obstáculos à eletrificação dos autocarros da rede de transportes públicos, sendo talvez o principal o custo de aquisição dos veículos. O preço médio de um autocarro elétrico ronda os 500 mil euros, ao passo que o equivalente a gasóleo fica por pouco mais de 200 mil. Outro problema que uma rede de autocarros elétricos coloca é o carregamento das baterias. Viaturas desta dimensão não se carregam em postos normais. Na altura, em 2016, a Câmara Municipal falava de criar uma plataforma logística para o carregamento rápido de todos os autocarros e admitia-se que a mesma podia incluir um sistema de catenária e pantógrafo (como conhecidos nos comboios). Sobre esta plataforma de carregamento dos autocarros dos TUG nunca mais se ouviu falar.

O único avanço que se pode verificar ao nível da mobilidade elétrica é na frota de veículos do Município. Esta também era uma promessa eleitoral e é fácil de verificar que está a ser cumprida, porque é cada vez mais frequente cruzarmo-nos com carros elétricos da autarquia. Porém, não foi possível quantificar o cumprimento desta medida, uma vez que a Câmara Municipal não respondeu às questões que lhe foram enviadas.

Também questionamos a Câmara Municipal sobre o alargamento da rede de carregamento rápido, sobre a intenção de ter uma rede de autocarros totalmente elétrica e acerca da plataforma para o carregamento de autocarros. A resposta a todas as nossas questões foi silêncio.

A conclusão é que a mudança para a mobilidade elétrica avança devagarinho, ou está parada.

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