A iniciativa, que tinha sido adiada de 29 de setembro por causa das condições meteorológicas, saiu finalmente para a rua com partida no Largo da Mumadona, às 10h00. Ao longo do percurso, o cardume, construído coletivamente por pessoas apoiadas, técnicos e equipas das instituições parceiras, encheu a cidade de cor, música e movimento. No encerramento, o presidente da CERCIGUI, Bruno Faria, destacou a “energia muito positiva” vivida na cidade e a alegria dos participantes ao longo do percurso. “Nós conseguimos hoje parar o trânsito na cidade, e isso é sinónimo de muita alegria”, afirmou, sublinhando que o momento assinalava o fim da “Maré de Sizígia”, mas que o projeto “é para não parar”.
O dirigente lançou o desafio às instituições presentes para replicarem a iniciativa nos respetivos concelhos. “Começámos no Berço da Nação, temos um orgulho imenso nisso, mas queremos naturalmente replicar tudo isto noutros concelhos, noutras cidades, noutras vilas”, disse. Bruno Faria explicou ainda a mensagem do cardume: “Tal como cada peixe faz parte de um cardume, também cada pessoa tem o seu lugar, o seu direito de participar plenamente na sua comunidade.” E acrescentou: “Não basta falar em inclusão. É preciso incluir verdadeiramente todos.”
O presidente da CERCIGUI agradeceu ao Município de Guimarães, ao Fórum Municipal das Pessoas com Deficiência, às famílias, aos colaboradores e aos voluntários, bem como às instituições parceiras: Centro Social de Brito, Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, APCG, CERCIBRAGA, CERCIMARANTE, CERCIFAF, CERCIFEL, APACI, ACIP, Centro Social de Bairro e AIREV. Teve uma palavra especial para o Patronato de Nossa Senhora de Oliveira, cujos jovens foram os “chefes de fila” da arruada, e para o encenador Marco Monsalve Ulloa, apontado como responsável pelo projeto.
Dirigindo-se às pessoas com deficiência participantes, que considerou os verdadeiros protagonistas, afirmou: “Vocês foram verdadeiros artistas, criadores, protagonistas da vida cultural. Ninguém ficou mal na fotografia.”
Município reforça compromisso com a inclusão
Em representação do presidente da Câmara, Ricardo Araújo, a chefe de gabinete, Ângela Oliveira, saudou o trabalho da CERCIGUI, “um exemplo de dedicação à inclusão e à dignidade humana”, e os participantes, que “mostraram que a arte não tem barreiras quando existe vontade, criatividade e comunidade”. “Hoje assistimos a muito mais do que uma arruada ou uma representação teatral. Assistimos a uma demonstração de que uma cidade é mais forte quando todos têm espaço para participar, criar e ser vistos”, afirmou, referindo-se a um “extraordinário cardume humano” que percorreu as ruas da cidade.
Ângela Oliveira defendeu que “a inclusão não é um favor que se concede, é um direito que se concretiza através da participação de cada pessoa, à sua maneira, na vida da comunidade”. Acrescentou que o projeto mostra que “a sustentabilidade e a inclusão podem caminhar lado a lado”, já que “os materiais reutilizados transformam-se em arte, e a arte transforma-se em encontro, em visibilidade e em reconhecimento”. A representante do Município afirmou que Guimarães “se orgulha de ser uma cidade que valoriza a cultura como instrumento de participação, de cidadania e de coesão social”, e que iniciativas como esta lembram que se pode “ir sempre mais longe” quando as pessoas são colocadas “no centro das nossas políticas, dos nossos projetos e das nossas decisões”. O sucesso da iniciativa, disse, mede-se “pelo impacto na consciência de cada um de nós”.
Para terminar, desejou que a maré “continue a ser uma maré viva, a envolver mais pessoas, mais instituições, mais comunidades”, e que continue a afirmar que uma sociedade verdadeiramente inclusiva é “aquela onde todos têm um lugar para criar, participar e sonhar”.
