CIAJG inicia 2023 com várias artes e artistas a gravitar na sua órbita

O Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) abraça 2023 acompanhado de manifestações artísticas diversas, com as artes visuais a ocupar um lugar nuclear no seu programa. Tendo como base do seu projeto cultural a coleção do artista José de Guimarães, composta por arte africana, arte pré-colombiana, arte antiga chinesa, e um conjunto representativo da sua obra, o CIAJG prossegue e reforça uma programação regular de exposições e programas públicos, sempre com um sentido diverso, inclusivo e plural. 

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Já a 24 de janeiro, pelas 22h00, o CIAJG exibe “Natal 71”, da realizadora Margarida Cardoso, num momento cinematográfico aberto a todos, contando com uma conversa no final conduzida por Paulo Cunha, do Cineclube de Guimarães, e Marta Mestre. Este documentário aborda a realidade da altura do regime ditatorial de Salazar, sendo que a própria retoma o título do disco produzido pelo Movimento Nacional Feminino, que foi oferecido pelo Natal aos militares portugueses em guerra no Ultramar com mensagens de cantores de fado, atores e jogadores de futebol a exaltar o sentimento nacionalista para lhes levantar a moral. Paralelamente, os soldados portugueses em Moçambique gravam clandestinamente o “Cancioneiro de Niassa”, uma cassete com músicas que exprimem a sua revolta contra o regime.

Além da exposição permanente, “Heteróclitos: 1128 objetos”, há outras prontas para serem contempladas e vividas. É o caso de “Atirando Pedras”, a primeira exposição da artista hispano-brasileira Sara Ramo em Portugal, patente até dia 5 de março. Nela é possível contactar com a ambiguidade da condição humana, a falha e o avesso, as forças que irrompem de vozes silenciadas, a inversão da linguagem que alude ao Carnaval.

Outra mostra que pode ser explorada até 5 de março no CIAJG é a “A Exposição da ZDB”, que apresenta, pela primeira vez, um conjunto de artistas e trabalhos que são referência para a Galeria Zé dos Bois (ZDB), um dos espaços culturais mais dinâmicos e experimentais em Portugal no campo das artes visuais, performance, música e clubbing. A maioria dos trabalhos apresentados resultam de processos de criação colaborativos nutridos por residências artísticas, viagens e derivas. 

Já no que à exposição “Heteróclitos: 1128 objetos” diz respeito, o público pode conhecê-la viajando através das oito salas que ocupam todo o piso 1 do museu num momento inédito em que o público pode ver, pela primeira vez, toda a coleção do CIAJG. Este acervo é composto por 1.128 objetos de artes africanas, pré-colombianas, chinesas e obras do artista José de Guimarães. É uma exposição-ensaio que mostra a totalidade deste acervo e que reflete sobre as relações entre linguagem, sujeitos, história e política. Com curadoria de Marta Mestre e a colaboração dos arquitetos André Tavares e Ivo Poças Martins, esta exposição possui uma montagem deliberadamente experimental, que procura fluidez entre as reservas e as salas de exposição, sublinhando o trânsito e o tempo de objetos tão distintos como os que compõem o acervo reunido por José de Guimarães. 

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