CLÁUDIA, A INVESTIGADORA QUE QUER LEVAR OS FÁRMACOS ONDE ELES NÃO CHEGAM

Jovem investigadora vimaranense é estudante do 1.º ano de doutoramento em Ciências Biomédicas. A sua investigação num cancro praticamente intratável e com baixa taxa de sobrevivência foi premiada na Letónia.

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Cláudia Martins quer fazer com que os fármacos utilizados no tratamento do glioblastoma, um tipo de tumor cerebral intratável e com baixas taxas de sobrevivência, cheguem onde é suposto: ao cérebro. E a sua investigação valeu-lhe o “Early Career Investigator Prize” no âmbito de uma Ação de Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia (COST), designada de Nano2Clinic. A jovem vimaranense, de 25 anos, é estudante do primeiro ano de doutoramento em Ciências Biomédicas no Instituto de Ciências Biomédias Abel Salazar (ICBAS) e está a desenvolver a sua investigação no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto.

A jovem foi distinguida na conferência que se realizou nos finais do mês passado em Riga, na Letónia, e o prémio de 2.500 euros reconheceu a “excelência do trabalho de investigação”. Para Cláudia, foi uma surpresa: “Não estava mesmo nada à espera. Estou no 1.º ano. Tendo em conta a quantidade de trabalho apresentada, porque estou a começar, fiquei muito surpreendida.” Ainda assim, aponta que os resultados “obtidos até agora são promissores”. Para a investigadora, o prémio também representa motivação para continuar com o seu trabalho. Poderá participar numa conferência internacional à escola para apresentar os resultados obtidos nesta fase inicial do doutoramento, como informa a Universidade do Porto no seu site.

O trabalho de investigação de Cláudia incide num tipo de cancro cerebral “com uma taxa de sobrevivência de 15 meses após o diagnóstico”. “Noutros números, em cinco anos, a taxa de sobrevivência é menos do que 5%”, explica. O tumor, para além de “quase fatal”, também é “praticamente intratável”: os quimioterapêuticos aprovados “não conseguem chegar ao cérebro porque existe uma barreira muito complicada entre o sangue e o cérebro”. E mesmo na possibilidade de chegar, “se não tiver estratégia que o direcione para o tumor”, o medicamento acaba por gerar “efeitos secundários”, não chegando ao local desejado com a potência necessária.

Contornar isso é o objetivo da investigação de Cláudia: “O trabalho consiste em desenvolver nanoveículos com caraterísticas à superfície para que o nosso organismo as consiga reconhecer”, começa por explicar. Para simplificar, faz uma analogia: “É como se fosse uma chave: primeiro para o cérebro. Depois, já no cérebro, com outras moléculas biológicas, abre-se a porta para o tumor. E [os fármacos] sabem por onde têm de ir.”

O glioblastoma tanto pode afetar homens como mulheres, mas é mais frequentemente diagnosticado entre os 50 e os 60 anos. Face a um país (e continente) cada vez mais envelhecido, a vimaranense não tem dúvidas de que a nanomedicina “tem um enorme potencial”: “Conseguimos pegar em fármacos que não conseguem cumprir a sua tarefa, e não estou só a falar no caso do cérebro, e colocamos nanoveículos que ajudam a modificar a situação.”

Para além da nanomedicina, a jovem quer também aproximar os vimaranenses da ciência. Por isso, é a organizadora do Pint Of Science, o maior festival de comunicação em ciência, em Guimarães. O evento acontece entre 11 e 13 de maio de 2020. Em alguns bares do centro, a ciência será o tema central — mais especificamente a informática e a robótica eletróncia, para além das ciências da saúde — e os investigadores falarão sobre os seus projetos de uma forma descontraída

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