Coligação vota contra a construção de empreendimento industrial no centro de Urgezes

Na reunião de câmara desta segunda-feira, dia 12, foi aprovado, com os votos favoráveis dos vereadores do Partido Socialista e os votos contra dos deputados do PSD e CDS, o pedido de reconhecimento de interesse público para uma intervenção urbanística em terreno classificado como reserva agrícola nacional, solicitado pela empresa AMF, Lda, que tem sede em Tabuadelo.

O parecer favorável do município é um primeiro passo para a edificação de “empreendimento industrial”, com 7.000 metros quadrados, a construir em terreno na área central de Urgezes, próximo da igreja e de equipamentos escolares. O parecer seguirá para a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Caso esta entidade dê também um parecer favorável à edificação desta fábrica, dedicada à produção de calçado de segurança, a sua construção ficará ainda sujeita aos requisitos de urbanismo que a Câmara Municipal defende para aquele local central de Urgezes, e as “condicionantes” que a junta de freguesia, também consultada, colocou no documento.

A junta de freguesia de Urgezes indicou, entre outras condições, a necessidade de “criação de maior espaço público e a geração de espaços para equipamentos e zonas verdes”.

Na reunião de câmara, intervenção sobre este ponto, Bruno Fernandes, vereador do PSD, referiu que este é “mais um exemplo da total ausência de estratégia de captação de investimento, de instalação de novas empresas e de promoção do desenvolvimento económico”. O também candidato à câmara municipal nas eleições de 26 de setembro, acrescentou que, “se houvesse espaços de acolhimento empresarial devidamente planeados, estruturados e conjugados”, as empresas não seriam “obrigadas a encontrar soluções como esta. É como tentar calçar um pé 42 num sapato 40”, disse.

Na reunião de câmara, Bruno Fernandes defendeu ainda que, “para um terreno que tem cinco hectares e está situado ao lado da igreja paroquial, de duas escolas, do centro de saúde e de um recinto desportivo”, deveria ser antes considerada “a construção de espaços verdes, de equipamentos públicos e habitação”.

André Coelho Lima, vereador do PSD, interviu também neste ponto, considerando que a construção de uma fábrica na área central de Urgezes “lesa a cidade”, comprometendo a possibilidade de “desenvolvimento urbanístico para a zona sul e para o lado de lá do Monte Cavalinho”. André Coelho Lima lembrou a proposta que a coligação apresentou nas autárquicas de 2017 e que previa uma ligação, com cerca de 1,2km, entre a Avenida D. João IV e a rotunda em Urgezes que serviria de acesso rápido à entrada da auto-estrada em Pinheiro. “Com a construção desta fábrica fica comprometida essa solução”, disse o vereador.

Os vereadores da coligação JpG defenderam ainda haver alternativas “a cinco minutos a pé”, para a instalação daquela unidade industrial.

Fernando Seara de Sá, vereador do Urbanismo do município, defendeu que não será instalado ali um “um edifício industrial tradicional”, e que este é apenas um “primeiro passo”, um “parecer” do município para a instalação do equipamento. Um “empreendimento industrial” que teve também pareceres favoráveis do Departamento do Desenvolvimento Económico e da Junta de Freguesia de Urgezes.

“Temos de procurar dar resposta à questão de como poderemos ter indústria a conviver com as outras funções”, disse Seara de Sá. Acrescentando que, quanto ao edifício, que deverá ser “singular do ponto de vista arquitetónico e ambientalmente suportado em medidas sustentáveis e inovadoras”, conforme está referido na proposta, na parte frontal apresentar-se-á “numa lógica citadina, com a sua área comercial e de escritórios”. O vereador do Urbanismo referiu ainda que “deverão ser equacionadas soluções diferentes para casos diferentes” e que em Guimarães, as indústrias poderão ficar instaladas em parques industriais mas também em áreas habitacionais, mais citadinas, dependendo das suas características.

Já o presidente da Câmara Municipal, que participou na reunião por videoconferência, referiu que a AMF Shoes pretende instalar naquele local um empreendimento com “serviços de logística e de inovação, no âmbito da indústria 4.0”. Não é “indústria pesada, tecnologia associada ao ruído, mas um empreendimento com preocupações ambientais”, disse Domingos Bragança.

O presidente salvaguardou também que, se o município vier a entender que esta solução não corresponde “a uma boa solução urbanística, nos conceitos do século XXI, para a centralidade de Urgezes” e porque o processo “será longo”, o município estará “sempre a tempo de não fazer seguir este processo”, terminou.

No documento aprovado pelos socialistas, pode ler-se que este “traduz um reconhecimento de interesse público e a visibilização do potencial urbanístico, económico e social da intervenção”, permitindo o desenvolvimento do processo e “não representando compromisso rígido e literal da solução preconizada, a qual deve ser entendida como “estudo prévio” a ser aprofundado em concertação com os serviços municipais”.

Propõe ainda o início do estudo da revisão da “centralidade de Urgezes” em função da “realidade agora em causa e de modo a que possa contribuir para uma melhor solução final”.

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