CONSTANTINO VEIGA QUEBRA O SILÊNCIO

Constantino Veiga esteve à frente da Junta deFreguesia de Caldas das Taipas nos últimos 12 anos. Afastado do último ato eleitoral, por ter atingido o limite de mandatos, viu coligação Juntos por Guimarães perder eleições para o Partido Socialista que agora o acusa de ter deixado a Junta endividada. O ex-presidente nega e acusa o atual executivo de mentir por não ser capaz de fazer obra.

Que balanço faz do tempo que passou à frente da Junta de Freguesia de Caldelas?

Aquilo que eu me propus fazer foi aproximar as pessoas da Junta. Não havia uma proximidade entre as pessoas e o órgão político Junta de Freguesia. As pessoas passaram a vir à Junta depois dos meus mandatos. Para fazer isto
apoiamo-nos nas associações que na nossa freguesia têm um papel fundamental na mobilização das pessoas. Foi isso que fez com que o PS apostasse tudo, nas últimas eleições, nesta Junta.

Como foi a relação com a Câmara ao longo desses anos?

Foi complicada, logo no primeiro mandato, até porque a campanha tinha sido muito dura. Ficou célebre a frase do presidente António Magalhães: “ não vai espetar um prego com ajuda da Câmara”. O PS sentiu-se defraudado por eu não ter sido o candidato deles. A relação que tive com a Câmara foi a possível. António Magalhães prejudicou muito a vila de Caldas das Taipas. A relação evoluiu um pouco com este presidente, mas na realidade sempre tivemos que contar apenas com as receitas próprias e aquilo a que a Câmara estava obrigada por lei.

Quais são as obras que marcam o seu consulado, na sua opinião?

Fui eu o primeiro a falar no rio, a falar no alargamento do parque de lazer e a trazer a ideia da recuperar a Praia Seca. Foi esse projeto que sempre me acompanhou ao longo de 12 anos. O projeto foi aprovado na presença do presidente
da Câmara, foi garantida a verba para se fazerem as obras, chegou a ser paga a primeira tranche e, lamentavelmente, com a derrota da coligação Juntos por Guimarães, parece que o projeto morreu. Mas há outros exemplos de boicotes a boas ideias: repare na marca Caldas da Taipas Capital da Cutelaria, que nós criamos e nunca recebeu ajuda da Câmara. O Guimarães Marca não faz sentido nenhum!

Como é que vê a ausência no discurso da candidatura a Capital Verde Europeia da despoluição do rio Ave?

Como disse, eu fui o primeiro a falar do rio. Fui eu quem primeiro propôs a despoluição do Ave. Fui também eu que fiz as primeiras limpezas, embora confinadas à zona da freguesia. Lamento que as pessoas não penalizem o regime
que gere a Câmara e que não tem preocupação com o rio Ave, de onde sai a água para as nossas torneiras. A candidatura a Capital Verde Europeia, em 231 páginas, tem um parágrafo de sete linhas a falar no rio Ave. Ainda tiveram a ousadia de o ilustrar com uma fotografia da Praia Seca, que foi recuperada pela Junta de Freguesia, sem um tostão da Câmara Municipal.

O acesso do Avepark à autoestrada, como ele está agora previsto, serve Caldas da Taipas?

O nosso ponto de vista foi contrário a esse projeto. O mais importante para o Avepark é a ligação a Brito e essa é também a melhor solução para Caldas das Taipas. As estradas servem para nos ligar ao mundo e não para nos ligar a
Guimarães. Vai-se construir uma via caríssima rasgando um tecido rural importante para o concelho e que não é a melhor solução.

O atual executivo acusa-o de ter deixado um passivo superior a 100 mil euros. A coligação Juntos
por Guimarães faltou à Assembleia de Freguesia, de 26 de março, alegando que não tinha recebido a documentação a tempo de a analisar. Quando é que os documentos chegaram à coligação? Foram cumpridos os prazos do Regimento?

Eu não sou contra a auditoria, pelo contrário, até acho que devia ser feita por todos quando tomam posse. O que o PS fez, ao longo destes anos, foi adubar os eleitores com a ideia que a Junta tinha dívidas. Não é assim, é uma mentira,
um jogo político. É de lamentar que um deputado da nação se preste a papéis, como os que foram vistos nas últimas eleições: pessoas a serem transportadas para irem votar, em cadeiras de rodas, com a botija de oxigénio atrás. Acusavam-me de fazer passeios e de isso ser uma forma de campanha. A realidade é as pessoas não saiam daqui. Havia pessoas que nunca tinham visto o mar. Introduzimos um passeio em que os finalistas do quarto ano iam ver a Assembleia da República, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. Criticaram-me, mas agora continuam a fazê-lo, e muito bem.

Mas o atual executivo baseia-se na auditoria para dizer que existe esse passivo?

Uma auditoria que não falou com a contabilista da Junta de Freguesia e que não ouviu os anteriores membros do executivo é pouco credível. Aquilo que eles precisam é de manter a narrativa da campanha, porque agora que estão
no poder e não conseguem fazer obra. Por exemplo; parte do valor que eles classificam como passivo, são obras que ultrapassaram o valor orçamentado, mas em que houve um compromisso do presidente da Câmara para o seu
pagamento e o Luís Soares sabe isso.

Uma Junta de Freguesia de uma Vila como Caldas das Taipas devia ter mais competências delegadas, na sua opinião?

Claro quem sim. O Decreto de Lei 75/2013 previa isso. A Câmara não o fez. Uma das competências que devia passar para as Juntas eram os espaços verdes, mas isso implicaria acabar com a cooperativa Taipas Termal. Essa cooperativa que dá prejuízo todos os anos, e que foi constituída com património subtraído aos taipenses, já devia ter acabado há muito tempo. A Junta de Freguesia de Caldelas recebe da Câmara Municipal de Guimarães 33 mil euros, a Taipas Termal recebe um milhão e seiscentos mil euros.

Rui Dias

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