CORONAVÍRUS: UMA CORRIDA ÀS FARMÁCIAS DESENCADEADA PELA “DESINFORMAÇÃO”

Foram confirmados, esta segunda-feira, os primeiros dois casos positivos de infeção pelo novo coronavírus no Porto. Bem antes disso, já as prateleiras das farmácias destinadas às máscaras tinham esvaziado. Farmacêuticos vimaranenses afirmam: “O alarmismo não se justifica.”

© Mais Guimarães

A propagação do novo coronavírus (Covid-19) por todo o globo desencadeou uma afluência maior do que o normal às farmácias. No país, e até ao momento, foram confirmados dois casos positivos de infeção no Porto. Os casos são “importados”: tanto o homem de 60 anos como o de 33 estiveram em Itália e em Espanha, respetivamente. Mas, antes da confirmação, já em boa parte das farmácias vimaranenses tinha esgotado o abastecimento de máscaras de proteção e de desinfetante de mãos — algo que se espelha em várias regiões do país.

Mas, afinal, o que justifica o uso das máscaras? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quem as deve utilizar são as pessoas infetadas e os profissionais de saúde. Quem não estiver infetado deve colocar máscara caso cuide de alguém infetado. Melhor do que usar uma máscara é ter um maior cuidado com a higiene das mãos, bem como tapar o nariz ou a boca quando se espirra ou se tosse. E a Direção-Geral da Saúde avisa: as máscaras podem dar uma falsa sensação de segurança. Contudo, e como refere a maior parte dos farmacêuticos vimaranenses contactados, a desinformação faz alavancar uma corrida às farmácias — cuja capacidade de resposta às exigências do mercado não tem sido fácil de manter.

Na Farmácia Carlota, em Brito, “não há previsão” para a chegada de mais máscaras e desinfetantes. O cenário mantém-se na maior parte das farmácias contatadas pelo Mais Guimarães. A Farmácia São Torcato não tem sequer “previsão dos próprios fornecedores”. Na cidade, a mesma situação aplica-se à Farmácia da Praça: as máscaras “esgotaram há duas semanas” e também não há novidades da parte do armazém.

Ainda que as máscaras tenham também esgotado na Farmácia Barbosa, o caso muda se falarmos em desinfetante. É que naquele estabelecimento produz-se uma “fórmula segundo a OMS”, sendo “manipulada em farmácia”, que resulta em álcool gel. Uma farmacêutica daquele estabelecimento esclareceu que os clientes têm ao seu dispor “um formulário, um dossier pela ANF” e informação ao dispor, frisando a “responsabilidade da prevenção para não infetar o outro”.

Na Farmácia Monteiro, nas Taipas, os dois produtos esgotaram na semana passada; contudo, diz a diretora do estabelecimento, o álcool gel poderá chegar “durante esta semana”. Tal como em todas as farmácias do país, Dulce Freitas garante que se partilha informação com os clientes acerca do novo coronavírus.

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“As pessoas não têm informação fidedigna”

Contudo, diz a diretora da Farmácia Monteiro, o “alarmismo não se justifica na maior parte dos casos”. “Já vendemos a pessoas que iam viajar, mas muita gente compra para ficar em casa e prevenir”, conta. Da Farmácia Carlota, a postura em relação à corrida às máscaras de proteção é semelhante: ainda que exista informação exposta e disponibilidade por parte dos farmacêuticos para informar, “as pessoas seguem o alarmismo”. “Só querem comprar. Tentamos alertar para o resto das medidas, temos papéis explicativos, mas é para esquecer”, explica fonte daquela farmácia de Brito. A situação é parecida à da Farmácia São Torcato: “As pessoas não têm informação fidedigna. Não é um vírus tão mortífero quanto isso. Tentamos passar essa informação. Claro que nos devemos proteger, tal como fazemos com outras gripes. Os idosos e as pessoas com problemas respiratórios devem ter maior cuidado.”

Da parte da Farmácia de Gondar, quem atende o telefone fala num caso de “histeria coletiva”: “As coisas pioraram na semana passada, com os casos de Espanha e Itália. Não há razão para este alarmismo e as pessoas estão desinformadas, porque a comunicação social colocou demasiada ênfase neste caso. Há muita desinformação.” Ainda assim, perante o cenário, na Farmácia de Gondar, que ainda tem máscaras disponíveis, a venda de máscaras por cliente é limitada às cinco unidades, “para chegar para o maior número de pessoas”.

De acordo com um comunicado enviado pela Associação Nacional de Farmácias (ANF), no mês de janeiro de 2020 foram vendidas 92.528 máscaras, um número que ultrapassa, em larga escala, as máscaras vendidas no período homólogo do ano passado (25.835, o que representa um crescimento percentual na ordem dos 258,1%). Já no que diz respeito ao mercado dos desinfetantes, o crescimento foi menos acentuado: venderam-se 83.989 unidades no mês de janeiro deste ano, o que representa um aumento de quase 23% face aos 68.337 desinfetantes vendidos em janeiro de 2019.

Com o alarmismo, há que relembrar que, caso se apresentem sinais e sintomas de infeção respiratória aguda, o primeiro passo é ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) e não recorrer logo aos serviços de saúde. Mas, caso se confirme um caso de Covid-19 em Guimarães, o Hospital da Senhora da Oliveira de Guimarães “está preparado”. Seguindo as indicações da DGS, o HSOG tem já um plano de contingência delineado, para além de “espaços designados para isolamento” e “camas preparadas”, informa o Gabinete de Comunicação do hospital. Quanto à vacinação, a OMS já esclareceu que as vacinas contra a pneumonia atualmente existentes não protegem contra o novo coronavírus. A comunidade científica encontra-se a trabalhar nesse sentido.

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