De 2012 a 2022: Memória, tradição e futuro

Através de uma história contada pelos acordes da Orquestra se Guimarães, o Grande Auditório do Centro Cultural Villa Flor, agora chamado Francisca Abreu, celebrou os dez anos da cerimónia de abertura da Capital Europeia da Cultura. 

Recordar o Futuro foi a proposta feita ao público com imagens de há dez anos a serem projetadas. O início de Guimarães Capital Europeia da Cultura. A Pedro Lima juntaram-se os Velhos Nicolinos que já se ouviam e facilmente se reconheciam ainda não estavam no interior do auditório. Quase como se dissessem que é assim que acontece com Guimarães. Basta um som ou uma palavra para avivar a memória e saber que se trata dessa mesma cidade.

Lince entrou em palco e, ela própria, encarnou a cidade berço. “You call me home” (Chama-me casa), cantou. Tal como os vimaranenses fazem, em qualquer parte do mundo, não esquecendo a cidade a que chamam casa.

Francisca Abreu foi depois lembrada, em vídeo, com a Orquestra de Guimarães, dirigida por Vítor Matos, a acompanhar os Jovens Cantores de Guimarães. Entre fotografias do seu sorriso rasgado, lia-se aquilo que uma vez disse: “Adorei o que fiz. Adorei mesmo”. 

A cultua minhota foi recordada, primeiro, com Dada Garbeck, acompanhado de Alexandra Saldanha, que cantou Labrador do Minho. Depois, subiu a palco o Grupo Folclórico da Corredoura.

Já quase a terminar, Manuel de Oliveira mostrou a sua guitarra aos vimaranenses e, logo de seguida, se o público fechasse os olhos, conseguia sentir-se numa caixinha de música. A plateia reconheceu os primeiros sons que ouviu e a vontade de cantar tornou-se maior. Ao piano de Pedro Emanuel Pereira juntaram-se as vozes dos Jovens Cantores De Guimarães. Não havia dúvidas, era o hino de Guimarães.

Francisca Abreu homenageada

José João Torrinha, presidente da Assembleia Municipal, abriu as intervenções protocolares para garantir que aquele era um momento para celebrar a vida. “Celebramos a vida na pessoa de quem se recusou a passar por ela de forma passiva, que disse não a um mero papel de figurante, que não se resignou. Celebramos quem sonhou, quem arregaçou as mangas, quem transformou”, disse referindo-se à ex vereadora da cultura Francisca Abreu.

Dando o seu próprio testemunho, recordou “a Xica do Conselho Diretivo” que, mais tarde, passou a ser “a Doutora Francisca Abreu, vereadora da Cultura de uma cidade em transformação” e que “enriqueceu” a sua vida. “Guimarães nunca deixou de sonhar, de se transformar e de se reinventar. A sua memória, o seu legado, continua vivo, em todos nós”, destacou o presidente da Assembleia Municipal.

Domingos Bragança, no seu discurso, referiu que foi a “visão cosmopolita, arrojada e integradora” de Francisca Abreu que promoveu Guimarães enquanto Cidade de Cultura. “Teve a capacidade de não confundir a particularidade da identidade vimaranense com a universalidade, sendo capaz, abaixo da superfície, de fomentar a abertura e a construção dialógica de uma cidade que soube abrir-se ao diverso. Não se resignou com o nosso sentimento de realidade e leitura do mundo, antes promoveu uma visão de cultura abrangente, fosse ela de caráter mais humanista ou democratizador”, destacou o edil.

O presidente da Câmara de Guimarães concluiu a sua intervenção fazendo referência ao futuro. “A memória, como a história, liberta-nos dos confins do presente, pois ela está presente em nós, em face da nossa futuridade. Em Guimarães, o futuro que queremos é um futuro de Cultura, de um mundo cultural compartilhado. E ao falar de Cultura, em Guimarães, falar-se-á sempre de Francisca Abreu”.

Também a neta de Francisca Abreu deixou uma mensagem para a avó. “Antes de se fazer mulher, foi criança de cabeça fervente, sonhos e ilusões”.

©2022 MAIS GUIMARÃES - Super8

Publicidade

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?