DE GUIMARÃES PARA A ARMÉNIA PARA DOCUMENTAR DIREITOS HUMANOS

A capital da Arménia, Yerevan, foi, durante dez dias, a casa de quatro jovens de Guimarães, que participaram num training course na ex-república soviética, no início de setembro. Objetivo? Realizar um documentário sobre direitos humanos.

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Os direitos humanos foram o mote para a aventura vivida pelas vimaranenses Bruna Silva, Carolina Ribeiro, Cláudia Leite e Rita Rocha, no âmbito de uma parceria entre a Capivara Azul – Associação Cultural, de Guimarães, com a organização Doctor Cinema, da Arménia. A 2 de setembro, as quatro jovens partiram rumo à ex-república soviética com o objetivo de aprender a utilidade do documentário como promoção e educação dos direitos humanos. Durante 10 dias, Bruna, Carolina, Cláudia e Rita juntaram-se a jovens de várias partes do mundo num training course.

O processo de criação do documentário foi, para Carolina Ribeiro, “complicado”. O Mais Guimarães falou com a jovem, que explicou o processo: “Foi-nos dado uma série de ‘direitos humanos’ e cada grupo teria de, numa tarde, filmar e entrevistar o que cada um quisesse. Entrevistámos alguns locais, com a ajuda do nosso colega arménio, e perguntamos-lhes sobre os direitos humanos na Arménia, antes e depois da revolução. Queríamos refletir que toda a pessoa tem direitos humanos em qualquer parte do mundo, porém, na prática não é o que acontece”, conta.

A Arménia viveu, em 2018, a “Revolução de Veludo Arménio” e, para Carolina Ribeiro, foi “interessante” perceber que alguns locais estavam “esperançosos no que diz respeito aos seus direitos”. Com o documentário “New You”, de cerca de 4 minutos, a ideia do grupo de Carolina Ribeiro foi, precisamente, refletir a atualidade e “passar uma mensagem de esperança”. A jovem de 21 anos gostaria “de ter tido mais tempo para explorar as histórias de cada local e tentar documentá-las de forma mais original, mas 10 dias é muito pouco para trabalhos desses”, admite.

Bem-vindas à Arménia

Mas nem só de filmagens se fez a viagem. Logo à chegada ao aeroporto de Yerevan, a capital, a primeira viagem de táxi foi elucidativa relativamente à realidade que se vive no país. “O taxista contou-nos uma breve história sobre o país e alertou-nos para os perigos que poderiam existir. Como, por exemplo, ter cuidado em sair à noite após as 23h00”, revela Carolina.

No país situado no sul do Cáucaso, “quase ninguém fala inglês”, segundo a vimaranense. E ainda que em termos de comércio seja simples, “noutros casos as coisas complicam. Felizmente tínhamos voluntários da Arménia que nos ajudavam a comunicar quando precisávamos de algo”, garante.

Yerevan revelou-se uma cidade “ainda com muita pobreza”, e onde “tudo era mais barato”, conta. Porém, é necessário ter em conta que lá “o ordenado mínimo era de 110 euros. O que para eles é pouquíssimo”, explica Carolina Ribeiro.

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Entre os vários contrastes que surgiram na viagem, Carolina destaca o facto de este ainda ser um país com muitos vestígios da União Soviética. “O centro de Yerevan podia ser confundido por uma cidade europeia, mas os arredores são bem diferentes”, frisa. Além disso, na Arménia “não existem regras de condução. Por todo o lado que passávamos, víamos carros desfeitos ainda a ser usados. Andar de carro era sempre uma experiência de adrenalina”, recorda. Aliás, nas ruas de Yerevan, a determinada altura, o grupo de Carolina foi seguido por um polícia, que terá percebido que não se tratavam de cidadãos locais. “Falamos com ele e ele explicou que era uma forma de nos proteger”, justifica.

10 dias na Arménia foram também uma forma de contactar com “mundos” bastante “distintos”. “Para além da realidade da Arménia, conhecíamos a realidade de cada um dos voluntários, vindos de outros países”, explica. Na bagagem, Carolina trouxe a vontade de repetir a experiência. “Todas as dificuldades apenas me fizeram crescer e sair do conforto a que estou muitas vezes submetida”, resume a jovem vimaranense.

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