Decisão “estratégica” motivou a não candidatura à Bandeira Verde ECOXXI

No período antes da ordem do dia, na última reunião de Câmara, Bruno Fernandes, vereador do PSD, questionou o município sobre os motivos da não candidatura de Guimarães, este ano, ao galardão Bandeira Verde ECOXXI. Ausência que “mais se estranha se considerarmos que Guimarães obteve sempre uma boa classificação, desde 2015.”

Sofia Ferreira, vereadora com a responsabilidade do ambiente afirmou que, embora o município não tenha concorrido ao galardão como nos anos anteriores, “Guimarães não está fora do ECOXXI, continuamos a apostar, e cada vez mais, no apoio às freguesias. Estamos a trabalhar para que, relativamente ao ECOXXI, Guimarães seja dos municípios com maior número de freguesias reconhecidas. Tal como Guimarães, também Lisboa, que este ano é Cidade Verde Europeia, ou o Porto, alteraram as suas estratégias. A agenda ambiental não está a esmorecer em Guimarães, pelo contrário, está muito ativa.” Acrescentou Sofia Ferreira.

Bruno Fernandes defendeu que a “coesão do município já teve melhores dias”, referindo que “o próprio presidente da Câmara demonstrou (na sua resposta) que a vereadora Sofia Ferreira deveria ter justificado de outra forma a não apresentação da candidatura do município a este programa. Domingos Bragança disse que Guimarães devia ter feito uma candidatura, tal como eu defendo.”

Para o social-democrata, este é um sinal “contrário e contraditório daquilo que tem sido a estratégia que temos vindo a assistir por parte do município. Se Guimarães carregou a fundo nesta temática não pode tirar o pé do acelerador, isto é um marcha atrás.” Acrescenta Bruno Fernandes.

Ainda invocando questões ambientais e a pegada ecológica de Guimarães, que aumentou de 3,66 em 2016 para 3,78 em 2018, o vereador criticou o município pelo facto de “só estarmos agora a implementar uma rede de transportes públicos elétricos. Temos um, e municípios à nossa volta têm 13 elétricos e 25 a gás. O município vai apresentando um conjunto de projetos e temáticas e depois a demora leva a que não tenham os resultados que desejávamos.” Concluiu Bruno Fernandes.

Pegada ecológica de Guimarães aumentou entre 2016 e 2018

De acordo com os dados revelados pelo Município, em 2018, o maior contributo para a Pegada Ecológica total de Guimarães estava relacionado com o consumo de “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” e “Transportes”. A categoria de consumo de “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” representava 27%, da Pegada Ecológica e o sector dos “Transportes” (17%).

Sofia Ferreira evidenciou, no final da reunião de Câmara, que a Pegada Ecológica de Guimarães está abaixo da média nacional (-8% situando-se nos 3,78 gha), e para tal contribuem muito os hábitos de alimentação da população.

Já relativamente aos transportes realçou “Todo o trabalho que tem vindo a ser feito pelo município e a aposta no transporte público, com a transformação da frota para veículos elétricos, na concessão prevista para o próximo ano e no incentivo à utilização dos transportes públicos coletivos.”

A responsável pelo ambiente adiantou também que, em janeiro, será levada a apreciação do executivo, a intenção de “reforçar a utilização do transporte público, fazendo com que o passe para todos os estudantes residentes em Guimarães, independentemente do grau de ensino, venha a ser gratuito, abrangendo também os alunos vimaranenses que frequentem o ensino superior ou privado.”

Questionada pelos jornalistas, Sofia Ferreira disse ainda que o município “está a trabalhar” na elaboração de uma nova candidatura a Cidade Verde Europeia.

Recorde-se que, em 2018, Domingos Bragança afirmou que a candidatura seria renovada no decorrer do atual mandato autárquico, sendo apresentada em 2021 com o propósito de Guimarães poder ser Capital Verde Europeia em 2024.

Guimarães foi candidata a Capital Verde Europeia 2020, mas Lisboa acabou por vencer o prémio.

Na altura, Guimarães ficou em segundo lugar em quatro dos 12 indicadores: avaliados: alterações climáticas: adaptação, natureza e biodiversidade, desempenho energético e governação. No entanto, ficou em 11.º em dois desses indicadores: áreas urbanas verdes incorporando uso sustentável do solo e gestão da água.

©2021 MAIS GUIMARÃES - Super8

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