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“[Des]construir o Futuro”: 8.º Encontro Nacional de Limpeza Urbana, em Guimarães

Guimarães é, desde esta terça-feira, dia 8, e até 10 de setembro, a cidade anfitriã do 8.º Encontro Nacional de Limpeza Urbana (ENLU). O evento decorre no MitPenha e é promovido pela Associação Limpeza Urbana – Parceria para Cidades + Inteligentes e Sustentáveis (ALU), reunindo autarcas, técnicos municipais, empresas do setor e especialistas em torno da limpeza e da gestão do espaço público.

O encontro está integrado na programação de Guimarães 26 – Capital Verde Europeia e chega agora à cidade-berço, depois de em edições anteriores ter passado por Braga, Loulé, Cascais, Funchal e Porto. Ao longo de três dias, o programa contempla debates sobre gestão do espaço público, zonas verdes e parques, praias e linhas de água, e fiscalização ambiental, com o propósito de partilhar experiências e soluções que tornem as cidades mais limpas, eficientes e sustentáveis.

Abertura marcada por apelo a repensar modelos de desenvolvimento

Na sessão de abertura, o vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Guimarães, Alberto Martins, sublinhou o significado de a cidade acolher o evento precisamente no ano em que detém o título de Capital Verde Europeia. Para o autarca, “desconstruir o futuro” implica questionar os modelos que trouxeram as cidades até aos dias de hoje e repensar a forma como gerem os seus recursos e organizam o espaço público. Martins associou ainda o tema à ambição de Guimarães se tornar uma “Cidade de Um Só Planeta” até 2050, um conceito que, segundo o próprio, traduz a ideia de que as cidades não podem continuar a exigir ao planeta mais do que aquilo que este é capaz de oferecer.

O vereador recordou também que a limpeza urbana vai muito além de ruas cuidadas, estando diretamente ligada à saúde pública, à qualidade de vida, à atratividade das cidades e à cidadania, e defendeu que uma política eficaz neste domínio combina sensibilização, incentivo e fiscalização.

“Uma responsabilidade civil”, diz presidente da ALU

A presidente da Direção da Associação Limpeza Urbana, Ana Raimundo, desafiou os participantes a repensar as respostas atualmente dadas aos problemas da limpeza urbana e a reforçar o envolvimento direto dos cidadãos. Para a responsável, mais do que um serviço público, a limpeza urbana é “uma responsabilidade civil”. Ana Raimundo defende que os desafios do setor não se resolvem apenas com mais meios, equipamentos ou tecnologia, sendo também necessário repensar comportamentos e a forma como os próprios serviços são concebidos — lembrando que uma cidade limpa começa muito antes da passagem da varredora ou do cantoneiro.

Governo recorda investimento de 2,3 mil milhões de euros

O secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, participou através de uma mensagem em vídeo, na qual destacou o papel da limpeza urbana como dimensão da política ambiental e reconheceu o contributo dos profissionais do setor. O governante recordou ainda a Estratégia Terra Mais, aprovada pelo Governo, que prevê um investimento de cerca de 2,3 mil milhões de euros na transformação do setor dos resíduos em Portugal.

Projetos municipais e cidade dos 15 minutos em destaque

Ao longo do encontro, os participantes terão oportunidade de conhecer projetos desenvolvidos pelo Município de Guimarães e por entidades participadas, como o Laboratório da Paisagem — dedicado à relação entre investigação científica, saúde, biodiversidade e espaços verdes –  e a Vitrus Ambiente, responsável pela recolha e gestão de biorresíduos e pela fiscalização ambiental no concelho.

O programa inclui ainda a apresentação de conceitos como a “Cidade dos 15 Minutos”, modelo urbano que visa aproximar as pessoas dos serviços, comércio e espaços verdes, e ferramentas locais como o Metrominuto, que mostra a facilidade de percorrer a pé diversos trajetos dentro da cidade. Está também prevista a realização de um peddy paper subordinado ao tema “Descobrir Guimarães, Capital Verde Europeia 2026”, pensado para dar a conhecer aos participantes o património da cidade, classificada como Património Mundial da UNESCO e que em 2028 assinala 900 anos de história.

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