DIGAM AO QUE VÃO!

Por Rui Armindo Freitas

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Por Rui Armindo FreitasNesta altura do ano, em que uns estão de férias, outros já estiveram e os restantes ainda estarão, é um tempo mais calmo para se reflectir sobre o futuro. E, para o nosso país, o futuro próximo é crucial para a definição de um amanhã que se deseja próspero. Assim, em Outubro, teremos eleições legislativas. No meio desta confusão de combustíveis racionados, é bom que todos comecemos a pensar nos caminhos que temos para Portugal. Na minha opinião, estas são umas eleições onde nunca esteve tão em causa que país queremos. Nunca, desde os anos 70 foram tão marcados e diferentes os caminhos a seguir. Vivemos um tempo em que, objectivamente, o país virou à esquerda. Os partidos do arco da governação deixaram de estar sós e ao triunvirato PS, PSD e CDS juntaram-se Bloco e CDU. O Partido Socialista construiu um suporte parlamentar com alicerces à esquerda e, naturalmente, a consequência foi todo o debate político ser recalibrado à esquerda, levando de arrasto até os partidos mais ao centro. Temos hoje mais estado na economia como defende a esquerda, é legítimo. Mais gente depende do estado, pois a esquerda quer que todos dependamos do Estado, é legítimo. Nunca a carga fiscal foi tão elevada, tendo em conta impostos directos e indirectos, uma vez que a esquerda defende isso mesmo, que todo o rendimento gerado pelo capital não é legítimo e por isso deve ser canalizado para o estado, é doutrinal. Toda esta agenda de “encostamento” de Portugal à esquerda não foi legitimada nas urnas em 2015, mas tem toda a legitimidade legal, assinale-se.

Mas se fomos apanhados de surpresa em 2015 com uma viragem à esquerda, já este ano a escolha deve ser esclarecida. Sabemos que estes partidos apontam o dedo às PPPs da saúde e esquecem-se que o público se encontra em estado de falência, mas…é público. Partidos que continuam a ser anti-europeus, apesar de adorarem marcar presença no parlamento europeu, afinal o lugar é bem pago, e que defendem uma política estatal de defesa do ambiente, cega e sem lugar à liberdade de escolha individual. Mas tudo isto é legítimo, a partir do momento em que é sufragado por uma maioria, mesmo que essa maioria vote, pelo fim do direito a fazer essa escolha. Temos hoje um Partido Socialista, que historicamente representou um papel de relevo na história da democracia portuguesa, a alinhar em derivas radicais só para conservar o seu lugar no Governo. Continuamos sem saber que PS teríamos caso governasse sozinho, iria mais longe? Ou seria mais ao centro? Bem sabemos que nada dirão, pois não sabem para que lado poderão ter de cair…

Por seu turno o que eu espero, é um país com Estado mais forte, mas muito menor. Um país em que do vencimento mensal de um trabalhador resulte mais rendimento disponível e menos “apropriação estatal” da riqueza gerada. Um país em que a iniciativa privada seja fomentada, e não tributada como se de um crime se tratasse. Um país em que menos tenham que recorrer ao Estado, mas que os que recorrem tenham serviços de referência. Um país em que o estado não intervenha na actividade económica como parte activa, mas que não abdique do seu papel de regulador forte e sem qualquer tipo de conflito de interesses. Um país que seja capaz de impedir o fosso intergeracional, no que respeita a direitos e deveres, e que garanta que todos, quando nascem, podem ter as mesmas oportunidades para terem sucesso, seja lá o que isso for para cada um de nós, de acordo com as nossas expectativas e a nossa liberdade individual.

Sim, sou social democrata, e espero sinceramente que o meu partido seja claro a dizer que este é o seu caminho, tão legítimo como os outros, mas numa direcção completamente oposta! Mas, mais do que qualquer coisa, que digam todos ao que vão!

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