Dino Freitas: “Domingos Bragança tomou o caminho errado”

Dino Freitas, conhecido artista vimaranense, escreveu uma carta aberta a Domingos Bragança, Presidente da Câmara de Guimarães, a demonstrar “profundo desagrado” pela suspensão de todos os espetáculos no concelho.

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Dino Freitas começa por dizer que esta decisão pode “numa primeira e imediata avaliação parecer uma ato corajoso”, contudo na sua opinião o Presidente da Câmara de Guimarães “tomou o caminho errado”. Isto porque “temos que conviver com este vírus” e isso “implica também o ‘poder’ de decisões justas e devidamente ponderadas”.

O cantor diz, ainda, que é preciso manter todas as atividades “e não podemos ostracizar o trabalho de grupo de cidadãos”, uma vez que “os cidadãos trabalhadores da área do espetáculo, ou outra qualquer, têm que trabalhar para comer”.

O artista vimaranense acrescenta, também, que esta área “tem que funcionar como todas as outras, cumprindo todas as regras de segurança e que as mesmas sejam verificadas pela entidade competente para cada evento”, porque com tudo fechado “não morremos com o vírus, mas morreremos à fome”.

Neste seu desabafo, Dino Freitas crê que Domingos Bragança “não é mais um daqueles que acha que a Cultura não é um bem de primeira necessidade”, e apela para que o Presidente da Câmara “não fique confinado a escutar apenas a opinião dos seus pares”, mas que “procure ouvir a opinião de personalidades das várias áreas”.

Leia a carta aberta na íntegra:

Exmo. Sr. Dr. Domingos Bragança, Presidente da Câmara Municipal de Guimarães.

Permita-me que exponha a V. Exª o meu profundo desagrado pela decisão tomada de suspender todos os espetáculos, na sequência do último evento realizado no Pavilhão Multiusos com 50 centímetros de distanciamento social, “de acordo com a lei”.

Infelizmente, uma tal decisão pode parecer, numa primeira e imediata avaliação, um ato corajoso. Poderá vir de encontro à reivindicação de setores mais distraídos da população vimaranense que reagem epidermicamente ao que é veiculado pelas redes sociais, sem cuidarem de conhecer com justiça o que de facto aconteceu.

Infelizmente, e desculpe-me se o estou a avaliar de modo injusto, a decisão que V. Exª tomou, não revelou coragem, mas, pelo contrário, cedência aos setores menos informados da opinião pública. Lamentavelmente, parece-me que neste caso aconteceu aquilo que a História muitas vezes nos mostra, ou seja, que, para o poder, é fácil “ser forte com os fracos e fraco com os fortes”.

Ao optar pela referida decisão, o Sr. Presidente tomou o caminho errado!

Efetivamente, todos sabemos que temos de conviver com este vírus. E conviver com o vírus implica também que o “poder” tome decisões justas e devidamente ponderadas, evitando a contaminação do “barulho” daqueles que se agitam nas redes sociais, apenas movidos por reações epidérmicas e irracionais.

Não oferece qualquer dúvida que precisamos de manter todas as atividades e não podemos ostracizar o trabalho de grupos de cidadãos, como se houvesse trabalhadores de primeira e segunda qualidade. Sobretudo quando tais decisões são baseadas em critérios apriorísticos e potenciados pelos clamores ignorantes de quem não se informa, porque não se quer informar, sentindo-se mais confortável nas suas verdades.

Sr. Dr. Domingos Bragança:

Os cidadãos trabalhadores da área do espetáculo, ou outra qualquer, têm que trabalhar para comer. Se for feito nas outras atividades o que o Sr. Presidente está a fazer na área dos espetáculos, o que acontecerá? Fecha tudo! Não morreremos com o vírus, mas morreremos à fome!

Este não é o caminho Sr. Presidente! Esta atividade tem que funcionar como todas as outras, cumprindo todas a regras de segurança e que as mesmas sejam verificadas pela entidade competente para cada evento.

Quero continuar a acreditar que o Sr. Presidente não é mais um daqueles que acha que a Cultura não é um bem de primeira necessidade! Porém, Sr. Presidente, por favor não fique confinado em Santa Clara a escutar apenas a opinião dos seus pares!

Com caráter de urgência procure ouvir a opinião de personalidades das várias áreas, sem preocupações dos cartões, emblemas e afins, porque nesta vida não há ninguém que saiba tudo…

Sr. Dr. Domingos Bragança:

Os tempos que estamos a viver obrigam-nos, a todos, a sair da nossa zona de conforto. É o que faço com este lamento público porque, com toda a lealdade, não posso silenciar a frustração que sinto quando me parece que não se tomam as decisões mais acertadas, mas que se procura apenas aquietar os que se revelam mais barulhentos e perturbadores.

Aceite, caro Presidente Domingos Bragança, este meu desabafo que, com toda a sinceridade, lhe acabo de transmitir.

Com os melhores cumprimentos.
Dino Freitas.

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