“Do Condado ao Reino”: O Regresso da Feira Afonsina

O ano de 2022 assinala o regresso de um dos eventos mais acarinhados pelos vimaranenses. A Feira Afonsina volta a resgatar as memórias de tempos idos para dar vida às ruas da cidade berço no final do mês de junho. Conheça todas as atividades que irão decorrer em Guimarães.

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Depois de dois anos de interregno, em consequência da pandemia, a Feira Afonsina regressa ao roteiro dos vimaranenses e dos visitantes que, desde 2011, transformam Guimarães num portal do tempo para o passado. A 10.ª edição está inserida nas comemorações do “Dia 1 de Portugal”, cujo programa, desenhado pelo Município de Guimarães, pretende celebrar a Batalha de São Mamede, entendendo esse como o momento em que se inicia a fundação de Portugal e que dá origem, como descreveu o historiador José Mattoso, à “primeira tarde portuguesa”. Para além da Feira Afonsina, há dois outros eventos a assinalar no âmbito deste programa: as Comemorações do Dia 24 de Junho, com a Batalha de S. Mamede de 1128 em evidência, e as III Jornadas Históricas, um evento científico que incide no contexto dos mesteres e mesteirais na Idade Média, marcadas para o dia 25 de junho. A Feira Afonsina, que figura como o evento mais popular e aguardado da programação, estende-se entre os dias 23 e 26 de junho.

Subjugada ao tema “Do Condado ao Reino” e a privilegiar o papel do Clero, a Feira Afonsina vai animar as ruas da cidade de Guimarães com momentos de recriação histórica, espetáculos, sete áreas temáticas, um mercado e sete atividades para o público a partir das 18h00 da próxima quinta-feira, dia 23 de junho, antes de culminar no Folguedo Final, o desfile de encerramento que percorre, em festa, as ruas da cidade a partir das 21h30 do próximo domingo, dia 26 de junho.

Quatro dias cheios de atividades para todas as idades, umas com uma componente mais pedagógica e outras voltadas para a diversão: é esta a promessa do programa da Feira Afonsina de 2022, depois de um hiato de dois anos. O relvado lateral do Paço dos Duques de Bragança abre o portal do tempo em 13 ocasiões ao longo dos quatro dias do programa para levar os espetadores até 1179, na altura em que D. Afonso Henriques, já impossibilitado pelo acidente de Badajoz, confessa aos filhos a frustração de, próximo do fim da vida, não ter sido ainda reconhecido pela Santa Sé como Rei nem ter visto reconhecido o Condado Portucalense como reino independente de Leão e Castela.

A recriação histórica vai acontecer às 19h00 e 22h00 de quinta-feira; às 15h00, 17h00, 19h00 e 22h00 de sexta-feira e de sábado; e às 15h00, 17h00 e 19h00 de domingo. O espetáculo “Espadas e Bailias” vai dividir-se entre o Largo da Oliveira (às 20h30 de quinta-feira, sexta-feira e sábado) e a Estátua de D. Afonso Henriques (às 21h00 de domingo) para levantar a cortina sobre os momentos de felicidade que o povo vivia, guiado “pelo compasso da felicidade” e “permitindo que a melodia crie uma harmonia entre todos, porque ninguém é feliz a dançar sozinho”.

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Pela cidade espalham-se sete áreas temáticas, disponíveis entre as 18h00 e a 01h00 de quinta-feira, as 11h30 e a 01h00 de sexta-feira e de sábado e as 11h30 e as 22h00 de domingo, que convidam a um mergulho num mundo diferente. N’O Burgo, situado na encosta do Castelo, estão os artífices que servem o povo e as tropas, que ali se organizam para defender o território. No Acampamento dos Petizes, os mais novos vão poder servir-se da imaginação para pintar, fazer desenhos, tecer lã, fazer cota de malha e participar em jogos dos tempos medievais. No Jardim dos Infantes, com vista para o Castelo, treinam-se as futuras damas e cavaleiros: é preciso pontaria afinada e muito equilíbrio para superar os desafios.

O Largo do Oculto é para os “que da sociedade procuram retiro” e oferece conselhos, consultas e produtos místicos. Os larápios, os pedintes, as meretrizes, os loucos e os empestados encontram-se todos no Quelho das Desgraças, lado a lado com a esterqueira, os objetos de tortura, o altar dos renegados e o carro dos cadáveres. O Quotidiano Monástico relembra D. Mumadona Dias e o Mosteiro de Guimarães que mandou erguer. E, por fim, o Acampamento Templário recria o modo de vida dos Templários, a ordem que se estabeleceu em Portugal para ajudar os primeiros reis portugueses nas cruzadas. Há ainda um mercado que se divide em duas zonas. A Zona de Iguarias, com sede na Rua Conde D. Henrique, dedica-se ao “repasto da população” e convida ao convívio “à volta de uma mesa” onde “as conversas jorram como o vinho das pipas”. A Zona dos Mercadores estabelece-se no Largo Martins Sarmento e no jardim do Paço dos Duques de Bragança.

É através de sete atividades que os visitantes da Feira Afonsina vão poder viver a realidade da época. Podem escolher participar de um treino militar enquanto estão Na Pele de Um Guerreiro, podem participar de uma aula sobre táticas de combate na Mesa Militar Pedagógica, podem desfrutar de uma refeição diferente e partilhar a mesa com um Bispo no Repasto no Burgo, podem demonstrar as suas habilidades no Acampamento dos Arqueiros, podem conhecer a vivência de uma comunidade religiosa com o Prior da Colegiada como guia na atividade “Nas Pegadas da Fé: Visita Guiada ao Quotidiano Monástico”, podem participar de uma aula sobre os princípios da medicina medieval no Receituário Médico ou então ouvir a história de um rei que ouvia muito mal e percebia tudo ao contrário na atividade “As Histórias da Princesa Lili”.

A Feira Afonsina chega ao fim quando, depois de os mercadores arrumarem os seus alforges, embalam a cidade em ritmos e danças de festa numa alegria que percorre as principais artérias de Guimarães.

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