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Engenheiros de Barcelos vencem Hack4Guimarães com um plano para recolher mais têxteis gastando menos

Um prémio entregue no Mês da Economia

A cerimónia de entrega decorreu na quarta-feira, 28 de outubro, no âmbito do Mês da Economia de Guimarães, com o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, e o presidente da CCDR-Norte, Álvaro Santos. Cada desafio premiou o seu vencedor com 1.000 euros. O Novelo, que ganhou o desafio lançado pela Vitrus Ambiente, recebeu ainda 7.500 euros por vencer o concurso geral. O Hack4Guimarães 2035 foi uma maratona de inovação de uma semana, em formato híbrido, de 19 a 23 de outubro, em torno de uma pergunta: como transformar Guimarães numa economia positiva até 2035. Os projetos foram apresentados ao júri a 26 de outubro, com desafios propostos por empresas locais nas áreas do aeroespacial, proteção e defesa, tecnologias inteligentes e sustentabilidade.

@ Vitrus Ambiente

O problema que a Vitrus lançou

A recolha seletiva de têxteis é obrigatória desde 1 de janeiro de 2025 e, por agora, quem a paga é o município. A pergunta da empresa municipal era como criar um serviço que garanta material reutilizável e reciclável, com o menor investimento e o menor custo de operação. Segundo as estimativas da equipa, o ponto de partida é pouco animador. Em 2025, Guimarães terá enviado cerca de 51 mil toneladas para o lixo indiferenciado, e perto de 6% disso seria têxtil. São cerca de 3.000 toneladas por ano a seguir para aterro, contra pouco mais de 300 recolhidas à parte. A taxa de captura ronda os 9%, e cada tonelada enviada para tratamento custa 105,64 euros.

O que é o Novelo

O Novelo é uma ferramenta de apoio à decisão. O utilizador introduz um orçamento e uma meta, e o sistema devolve vários cenários comparáveis em euros, toneladas recolhidas, toneladas reutilizáveis e custo por tonelada. Os cálculos são feitos por um otimizador sobre dados reais fornecidos pela Vitrus, como circuitos, viaturas e localidades. A aplicação, que já está online, vai além do simulador. Inclui um assistente de inteligência artificial que responde em português a perguntas como “e se o orçamento subir?”, triagem de peças por fotografia da etiqueta, e lotes com código QR que registam a origem, a composição e o percurso de cada peça. Segundo os autores, a inteligência artificial não faz contas: todos os números vêm do otimizador e um verificador rejeita qualquer valor que não conste dos resultados.

Uma solução desenhada com a Vitrus

A equipa não chegou ao desenho final sozinha. Os mentores da Vitrus explicaram que a empresa não tem contentores de têxtil nem os quer, porque o material que chega por essa via vem contaminado e perde valor de reutilização, que é onde está o interesse. Também afastaram o camião do lixo, já que a compactação estraga os sacos.

Os autores refizeram o modelo em dois dias. A rede passou a girar em torno de uma viatura nova, sem compactação, que parte do Estaleiro Operacional de Polvoreira. Há duas formas de entrega: o saco fechado à porta, num dia fixo por freguesia, e paragens em locais municipais que já existem, incluindo as 86 escolas do concelho, sem qualquer contentor novo.

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O que dizem os números

Para um orçamento de 60.000 euros por ano, o cenário recomendado prevê 58 pontos de recolha em 43 freguesias, mais o porta a porta em três. A rede custaria cerca de 43.900 euros anuais e desviaria cerca de 431 toneladas, das quais perto de 256 reutilizáveis, a um custo de aproximadamente 102 euros por tonelada. A taxa de captura subiria de 9% para cerca de 22%.

Como cada tonelada desviada poupa os 105,64 euros de tratamento, a equipa calcula que a poupança cobriria o custo da operação e da viatura. O investimento inicial estimado é de 57.000 euros, dos quais 42.500 para o veículo. Todos estes valores são estimativas dos autores, e o próprio projeto apresenta intervalos de incerteza.

Do papel à rua: o piloto

Os autores assumem que faltam dados. A Vitrus ainda não forneceu os custos por hora e por quilómetro das viaturas, o preço da viatura vem de um contrato público de outro município e a percentagem de têxtil no lixo é uma média nacional, não uma medição local. Por isso, propõem um piloto de três meses em duas freguesias, para trocar os pressupostos por números reais. Flávio Fernandes e Hélder Gonçalves, ambos de Barcelos, são antigos alunos da Universidade Politécnica de Viana do Castelo. Têm em comum o ciclismo: fizeram a formação desportiva na academia da Associação Cultural e Recreativa de Roriz.

Hélder Gonçalves chegou a ciclista profissional. Foi 11.º classificado na Volta a Portugal de 2023 e representou a Oliveirense durante cinco épocas e a Rádio Popular-Paredes-Boavista nas últimas duas. Aos 25 anos, abandonou a modalidade para se dedicar a tempo inteiro à informática. Explicou à Lusa, em fevereiro, que sentia o ciclismo como uma rotina fechada e que queria crescer noutras áreas.

Guimarães e a economia circular

O prémio chega no ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia. A Vitrus associou-se ao concurso no âmbito do Mês da Economia, para reforçar o compromisso com a sustentabilidade, a inovação e a procura de soluções que tornem a gestão de resíduos mais eficiente.

A cidade tem ainda pela frente a responsabilidade alargada do produtor, prevista para 2028 na legislação europeia, que passará parte dos custos da recolha para quem coloca têxteis no mercado, mas só para as peças vendidas depois da lei nacional.

@ Vitrus Ambiente

 

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