Elevador de acesso ao parque Condessa da Mumadona e monte Latito

O elevador daria também acesso ao jardim na base do monte Latito. Foto: Rui Dias

Face a uma questão levantada pelo vereador social-democrata André Coelho Lima, na reunião de Câmara de segunda-feira, dia 06 de junho, sobre as acessibilidades do parque de estacionamento Condessa da Mumadona, ficou a saber-se que a solução poderá passar pela instalação de um elevador. O equipamento, porém, não será instalado na praça por questões ligadas aos direitos de autor do arquitecto projetista.

O parque de estacionamento Condessa da Mumadona, no ponto onde confluem as ruas Serpa Pinto e Dona Constância de Noronha, em frente ao tribunal, foi inaugurado a 05 de outubro de 2005, pelo então presidente da Câmara António Magalhães. O parque abriu ainda em obras, a estátua da Condessa estava assente numa plataforma provisória. Estava-se a poucos dias das eleições autárquicas e a um mês da data prevista para a conclusão da obra. A oposição bradou “eleitoralismo”, António Magalhães justificou que se tratava apenas de uma visita guiada.




Navegando acima de tudo isto, Siza Vieira explicou, na altura, que  tinha tido o cuidado de “efectuar uma integração do parque sem prejudicar ou poluir o espaço da praça. A ventilação não se vê e o piso superior não necessita de iluminação”. O que o mestre não explicou, nem ninguém consegue explicar até hoje, é porque razão o projeto não contemplou acessibilidades condignas para pessoas com mobilidade reduzida. O vereador e também arquitecto, Seara de Sá, reconhece que a legislação da altura já obrigava este tipo de edifícios a terem acessibilidades para pessoas com limitações de movimento.

Na altura ter-se-á considerado que a rampa que sobe pelo mesmo local onde saem os carros eram uma solução satisfatória, justifica o vereador. Seara de Sá confessa-se a admirador da obra de Siza Vieira mas reconhece que há aqui um problema que tem que ser resolvido.

O vereador Seara de Sá e o presidente do Município afirmam, todavia, que, quando confrontado com a necessidade de corrigir o problema, o aquitecto Siza Vieira terá proposto um conjunto de obras que ascendiam a dois milhões de euros. A instalação, pura e simples de um elevador desde os pisos subterrâneos até à praça em frente ao tribunal ficaria por 10% desse valor, segundo Seara de Sá.

“Uma carreira brilhantíssima manchada por uma obra que não prestigia o autor”, André Coelho Lima.

“O problema parece simples, pelo contexto é deveras difícil”, lamenta o vereador com o pelouro do urbanismo. A questão é que, sem o acordo do arquitecto projetista, qualquer intervenção na obra pode resultar na perda da assinatura do reputado mestre. André Coelho Lima, contudo, fala de um erro “que tem que ser assumido por todos” e numa “carreira brilhantíssima manchada por uma obra que não prestigia o autor”.

Presidente da Câmara, vereador do urbanismo e o próprio André Coelho Lima, que levantou a questão,  estão de acordo que a perca da assinatura do premiado arquitecto Siza Vieira numa obra na cidade seria uma má solução.




Seara de Sá não arrisca um prazo de conclusão para uma obra em zona classificada

Perante a enorme diferença entre aquilo que a Câmara estaria disposta a gastar e as exigências de Siza Vieira, o Município aponta agora para uma solução que não implica intervir diretamente sobre a obra. Neste caso, o elevador ficaria colocado no passeio que liga as ruas Serpa Pinto e Dona Constância de Noronha, em frente às rampas de entrada e saída de veículos do parque de estacionamento. A ligação entre o parque e este elevador seria garantida por um túnel que partiria da zona de jardim no primeiro nível subterrâneo.

Seara de Sá entende que, com esta solução, a Câmara não fica dependente da anuência de Siza Vieira para avançar. Esta solução poderia resolver, também, o problema de acessibilidade à zona ajardinada na base do monte Latito, atualmente só acessível por escadas. O elevador partiria do pisos do parque teria uma saída ao nível da praça do tribunal e outra num nível superior, dando acesso ao jardim.

Um túnel, ao nível do primeiro piso subterrâneo, servirá para ligar o parque ao elevador do outro lado da rua. Foto: Rui Dias

Esta solução, que se ficou a conhecer no momento da reunião, colheu a aprovação dos vereadores da oposição. Não quer dizer que se realize, uma vez que aquela zona, sendo classificada, é não edificável. Esse já foi, no passado, o obstáculo para a construção de uma casa de chá, também projetada por Siza Vieira, naquele local. Neste quadro, o vereador do pelouro não arrisca uma data para a resolução do problema.

André Coelho Lima, contudo, afirma que“não é admissível que uma situação que foi levantada por nós em abril de 2016 e que em janeiro de 2017 o presidente comunicou aos vimaranenses que iria ser resolvido pela colocação de um elevador, em junho de 2020 os munícipes venham a saber das dificuldades que, entretanto sucederam”. O vereador do PSD sublinha que, quatro anos volvidos, só se conhece o ponto de situação face uma solicitação dos vereadores da oposição. “Se surgem dificuldades nos processos nós temos que ser informados. Nós a comunidade, não a oposição, até para podermos ajudar, acompanhar compreender a posição da Câmara”, reforça André Coelho Lima.




Para a vereação social-democrata “o importante é resolver os problemas”, afirmam. André Coelho Lima apontou para uma solução negocial em que se encontrasse um acordo a meio caminho entre o valor que a Câmara estaria a pensar gastar e o valor da obra proposta pelo arquitecto Siza Vieira. “ O importante e imprescindível é que deixemos de ter uma obra cujas acessibilidades para pessoas com mobilidade condicionada são de terceiro mundo”, afirma. André Coelho Lima acompanha o presidente da Câmara relativamente à incomportabilidade da obra pelo valor proposto pelo arquitecto Siza Vieira, porém, para o vereador social-democrata esse seria apenas o “primeiro ato” de uma peça que devia continuar. Para o vereador do PSD a Câmara “deixou de fazer o seu papel ao deixar que se arrastassem estes três anos sem fosse encontrada uma solução”.

Neste momento a “Câmara baixou os braços” e “continuam as pessoas, com carrinhos de bebé a sair para o meio de uma rotunda”, remata André Coelho Lima.

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