Em casa, teletrabalho e telescola

A vida de todos nós mudou muito nos últimos meses devido à pandemia Covid-19, com muitas alterações nas rotinas dos adultos e das crianças. Para muitas famílias a casa passou a ser o local de trabalho e a escola dos mais pequenos. Estas mudanças repentinas podem ser geradoras de desequilíbrios, nomeadamente nos mais jovens.

Pandemia, uma palavra que, se assusta os mais crescidos, assusta ainda mais as crianças. Tal como os adultos, também as crianças tiveram que se adaptar a um “mundo novo”. De repente tudo mudou. Uma nova rotina surgiu. O isolamento é a principal medida para combater este novo vírus invisível. Todas as atividades começaram a ser realizadas a partir de casa. Tirando certas exceções, como o caso de ir às compras necessárias para aquela semana ou para ir à farmácia comprar qualquer medicamento. Os ajuntamentos estavam proibidos.

Todas estas mudanças geraram diversos impasses psicológicos em todos nós, nomeadamente nos mais pequenos. Para eles, a escola é um importante apoio e com esta situação de pandemia e do confinamento no mês de março, as crianças afastaram-se do seu local de ensino e dos seus amigos. Alguns tiveram a oportunidade de continuar a aprender através de aulas on-line e das aulas na televisão, outros tiveram que interromper totalmente a aprendizagem. Todas estas alterações exigiram adaptações.

Existem estudos que referem que as crianças aprendem mais e melhor em relação: relação com os educadores da escola, com os amigos, com os pais, com os familiares. As medidas de distanciamento e o uso constante de máscara pode dificultar todo esse processo. Os mais pequenos necessitam que lhes transmitam confiança para se sentirem seguros.

As crianças, por norma, estão muito agitados e têm muita energia. Ao estarem confinados há muito tempo, começam a ficar saturados e com comportamentos piores. É nesta fase que os pais são essenciais e para isso é “aconselhável falar com os miúdos, explicar o que se passa, é importante que entenda que há rotinas, que têm que estudar e ter horários específicos”, conta Emanuela Lopes, psicóloga Clínica e da Saúde no Hospital de Guimarães.

O facto é que, quer os pais, quer as crianças, estiveram muito tempo fechados em casa, sem conversarem cara-a-cara com familiares e amigos, sem darem um passeio ao domingo, sem irem ao cinema. Como explica Emanuela Lopes, “o isolamento pode exacerbar algumas emoções. Muitas vezes conduz ao aumento da tensão emocional e pode levar ao conflito. Ninguém estava habituado a estar 24 horas dentro de uma casa confinado ao mesmo espaço físico”.

Ligado a isto, está também em causa uma alimentação correta. As famílias têm novo horários e vivem novas realidades a nível laboral. Tudo isto pode ter consequências, como uma alimentação errada, que demonstra depois falta de concentração e de bons resultados, nomeadamente nas crianças, que por sua vez em casa têm trabalhos escolares redobrados




De acordo com a psicólogo clínica, nestas situações é importante manter as rotinas, “as pessoas têm que se tentar deitar e levantar mais ou menos à mesma hora. Estruturar o dia”. Acima de tudo é fundamental “ter momentos para si próprios e ter momentos com os filhos”.

O que sentem as crianças?

Este ano está a ser um pouco estranho devido ao Covid. Em março tivemos de entrar em confinamento devido ao Estado de Emergência e uma grande parte das pessoas teve que se isolar em casa para prevenir e não correr riscos. Para continuar o percurso escolar tive que recorrer às aulas online. Ao início era muito difícil e à distância as aulas não têm o mesmo rendimento, mas depois de estar habituado consegui-me organizar e tudo começou a correr melhor. As medidas foram muito estranhas pois estávamos habituados a uma determinada rotina e de um momento para o outro fomos obrigados a mudar, foi tudo tão difícil. Uma das piores coisas com o confinamento foi não poder estar com os meus amigos e família. Afonso Cruz (13 anos)

Na quarentena as dificuldades que senti foi não poder estar com os meus amigos. Não achei a quarentena nada divertida em relação à escola. Até gostei de ter aulas online, mas por outro lado detestei porque tínhamos de entregar vários trabalhos ao mesmo tempo. Sandra Carneiro (11 anos)

A dificuldade que senti na quarentena foi ter aulas online. Não gostei da quarentena por causa de estar fechada em casa e de não poder estar com os meus amigos. Quando estava na escola fazia os trabalhos de casa sem ficar com dor de cabeça. Com as aulas online e com mais trabalhos de casa fiquei com dores de cabeça. Inês Sousa (11 anos)

A pandemia afetou-me em vários aspetos, como por exemplo, não poder sair de casa, não pode estar com os amigos e familiares, não poder dar pessoas. E também me afetou nos estudos. Não tinha nada para fazer, era tudo repetitivo, o máximo que podia fazer era ir ao jardim, jogar bola, mas no fundo era uma seca. A escola à distância foi difícil, tínhamos que estar concentrados, tínhamos muitos trabalhos para entregar. Mara Ferreira (13 anos)

Gostei das aulas online. Ao princípio gostei de não ter aulas presenciais, mas depois percebi que algumas matérias ficavam difíceis sem elas, o que me fez pensar melhor nesse assunto. Não sair de casa já era um hábito meu, por isso não foi nada de especial. E em relação aos meus amigos conseguia falar e vê-los através da internet, por isso não me afetou muito. Afonso Oliveira (12 anos)




Sentia que não estava preparada para as aulas online. No início da pandemia, ainda na escola, tínhamos muitas regras para cumprir e era um pouco chato, depois fomos para casa e tudo mudou. Quando deixei de ter aulas presenciais senti dificuldades em entender a matéria, principalmente a matemática. Rita (10 anos)

Senti-me triste e sozinha. Não conseguia aprender em condições. Tive saudades dos meus amigos. Isabel (8 anos)

A minha quarentena correu muito bem, mas não gostei de não poder sair de casa. Não gostei muito das aulas online, porque é mais difícil aprender à distância. Senti muitas saudades dos meus amigos e de alguns familiares que vivem mais afastados de mim. Catarina (11 anos)

Contactos:

Linha de emergência | 112
Linha SOS Criança | 116 111
Linha de Apoio à Vítima | 116 006
Linha da Segurança Social | 300 502 502
Linha Nacional de Emergência Social | 144
Serviço de informação a vítimas de violência doméstica | 800 202 148

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