ESTE FESTIVAL CRESCEU. AGORA, HÁ MUCHO FLOW PELA CIDADE FORA

À 7.ª edição, o Mucho Flow dobrou a oferta com dois dias de música. O festival que aposta na vanguarda da música serve também de celebração dos 10 anos da Revolve.

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“Ou caímos no abismo ou pomos o pé num degrau. Não sabemos o que está lá à frente.” Dizer que a edição deste ano do Mucho Flow é a maior desde que o festival existe não é mentira, mas também não é novidade: o menino d’ouro da Revolve tem crescido ano após ano e, aos sete, salta da casa que o acolheu em boa parte destes anos para tomar a cidade. Mas Miguel Oliveira, um dos fundadores da editora e promotora vimaranense, sabe do risco que representa este salto. É que o Mucho Flow, para além de ter saído do CAAA e ter concertos agendados em três espaços (CIAJG, edifício dos antigos CTT e CAE São Mamede), ganhou músculo e resistência e correrá por dois dias cidade fora, entre sexta-feira e sábado.

Miguel Oliveira diz que a Revolve espera “uma experiência aumentada” do festival “em relação aos anos anteriores” — e isso é quase garantido: já foram vendidos bilhetes para “Lisboa e arredores”, bem como Porto ou Coimbra. Mais do que isso, há gente a vir de Barcelona, Madrid, Santiago de Compostela ou Berlim — “o que é muito estranho”, reconhece, ainda algo surpreendido — e é “provável” que os bilhetes fiquem perto de esgotar. “Eu espero bem que sim”, refere Rui Dias, diretor de produção da Revolve. “Isto reflete um crescimento sustentado. E torna a coisa credível”, aponta. Miguel acrescenta: “Acho que isso tem a ver com os nomes.”

A diversidade do cartaz “é acidental” e não há muito para tentar adivinhar: “Programamos de acordo com o que ouvimos e há poucas pessoas a centrarem-se num género musical. Depois, acabamos por perceber que o cartaz ficou diverso”, conta o cofundador da Revolve. Os Iceage, por exemplo, celebram uma década de carreira no ano em que a Revolve chega à mesma idade. Bem mais consolidada do que o restante plantel do cartaz, a banda dinamarquesa traz a artilharia hardcore e post-punk a Guimarães, que escutará, entre outros, o seu mais recente disco, “Beyondless”. Na mesma senda, o punk de Bristol aterra por cá com os Heavy Lungs, mas o cartaz do Mucho Flow não se encerra nestas apostas.

Miguel Oliveira destaca ainda a rapper BbyMutha, que tem incendiado o circuito do rap underground e que versa sobre sexo, sexualidade e maternidade. O cartaz, sempre diverso, conta ainda com Amnesia Scanner, DjRUM. Dj Lynce ou Mun Sing. Para lá destas apostas, estão ainda confirmados os artistas com o selo Revolve: Chinaskee, Dada Garbeck, Montanhas Azuis e Marco Franco fazem valer a casa e as suas presenças, em contexto do 10.º aniversário, eram “obrigatórias”. Destaque ainda para as intervenções artísticas de Wasted Rita, no edifício dos CTT, e Débora Silva, em todos os locais que integram o “festival itinerante” da vanguarda musical.

Já a logística tem de ser bem pensada — e o facto de se dobrar a durabilidade do festival obriga a ginástica orçamental e de tempo, numa encruzilhada que ficará resolvida a tempo. “Até ao dia estamos sempre com trabalho. O facto de crescermos para dois dias significa o dobro do trabalho. O edifício dos CTT, por exemplo, tem de ser muito bem pensado para adaptá-lo às nossas necessidades”, explica Rui Dias. O diretor de produção não tem dúvidas: “Este ano nem se compara às edições passadas.” O risco é grande, mas a vontade de organizar o Mucho Flow nestes moldes já vem quase desde o início. Há muito — ou “mucho” — para ver e ouvir (e sentir) no Mucho Flow, mas o melhor é chegar ao festival, descobrir e ficar com memórias sónicas e visuais a marinar até 2020

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