Estudantes universitários em protesto: “Até quando vais deixar o muro aumentar?”

Alguns alunos da Universidade do Minho (UMinho) manifestaram-se, esta quinta-feira, 23 de março, contra “barreiras no Ensino Superior”.

“Até quando vais deixar o muro aumentar? Fim às barreiras no Ensino Superior!” deu o mote desta iniciativa que quis expor as “reivindicações dos jovens estudantes e das dificuldades que enfrentam, como o pagamento de propinas, a falta de financiamento no ensino público e a falta de respostas políticas à crise da habitação, por um ensino público, democrático, gratuito e de qualidade”.

© Mais Guimarães

Os estudantes dizem sentir na pele, assim como as suas famílias, as “consequências do aprofundamento das desigualdades e do aumento do custo de vida, dos bens essenciais, da habitação e dos transportes”. Pedem, assim, “um futuro justo e digno, em que se cumpram direitos e em que nenhum estudante fique para trás”.

“O Governo continua a optar pela mesma política de subfinanciamento do Ensino”, denunciam explicando que “há Instituições do Ensino Superior a cair e as promessas por cumprir”. As propinas, taxas e emolumentos e outros custos associados à Universidade continuam a ser “um dos principais muros que deixam de fora milhares de estudantes”, acrescentam ainda. Também as “insuficiências da Ação Social Escolar limitam os apoios sociais e deixam cada vez mais estudantes sem solução”.

“A ausência de bolsas ou a insuficiência dos seus valores, o encerramento ou degradação das cantinas públicas e as filas cada vez maiores, o aumento do valor da refeição social são muros que crescem perante os estudantes”, enumeram dizendo ainda que “a maioria dos milhares de estudantes deslocados não consegue transpor a barreira e ter um lugar numa residência pública e digna. As dificuldades no acesso à mobilidade, ao desporto, à cultura e à saúde mental – fruto da inexistência de uma rede de psicólogos que corresponda às necessidades reais – são muros que se erguem cada vez mais alto”, criticam os jovens.

Condenam ainda o atual Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), cuja revisão – prevista para 2012 – foi apenas agora anunciada, “é a barreira formal à participação dos estudantes nos processos de discussão e decisão e à vida democrática das Instituições, limitando a sua participação em órgãos como o Conselho Geral, substituindo-os por figuras externas e desvalorizando o papel do Movimento Associativo Estudantil, ao mesmo tempo que desresponsabiliza o Estado das suas funções”.

“Não podemos continuar este caminho. Não tem de ser assim”, escrevem em comunicado. “Se o Ensino é um direito – que, com muito esforço, o povo português conquistou – é possível e urgente que esteja ao acesso e serviço de todos”, acrescentam perguntando até quando isto será assim. Reivindicam, desta forma, “a gratuitidade do Ensino Superior, o financiamento público necessário e condições materiais e humanas nas Instituições, mais e melhor Alojamento e o reforço da Acção Social Escolar”.

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