Exploração de lítio: Bruno Fernandes questiona procedimento adotado pelo Município

Na passada quarta-feira, de 2 de fevereiro, a Direção-Geral de Energia e Geologia deu luz verde ao procedimento para atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de lítio em Portugal. Seis áreas foram autorizadas para esta prospeção, entre elas, a de Seixoso-Vieiros que inclui terrenos nos concelhos de Guimarães, Fafe, Celorico de Basto, Felgueiras, Amarante e Mondim de Basto. Relativamente a Guimarães, esta autorização, inclui parte da freguesia de Serzedo.

O assunto foi esta quinta-feira, 10 de fevereiro, levado a reunião a Câmara, tendo Bruno Fernandes, vereador eleito pela Coligação Juntos por Guimarães (JpG), considerado o procedimento adotado pelo Município “inadmissível”, uma vez que se trata de “uma matéria de tão relevante interesse”.

Bruno Fernandes deu conta de algumas consequências possíveis da forma como o assunto foi tratado. “Uma matéria que, se não for devidamente explicada à população, permite especulações, permite alarme social”, referiu. Na sua opinião, “a Câmara Municipal durante estes meses todos, sabendo e sabia que o processo estava em fase final de conclusão, deveria ter informado a população, devia ter demonstrado publicamente aquilo que era a sua opinião e devia, acima de tudo, ter encontrado respaldo na oposição, porque nestas matérias julgo que estaremos todos de acordo”.

Para o vereador da Coligação JpG, “a surpresa que o senhor presidente da Câmara demonstrou quando foi confrontado com isto não é um bom indicador daquilo que é a forma de gerir estes processos”, uma vez que, e recordou, “o processo esteve em consulta pública em Setembro do ano passado”. Tal motivou Bruno Fernandes a questionar o procedimento que a Câmara adotou quer do ponto de vista interno, quer do ponto de vista externo. “Do ponto de vista interno, eu não sei qual foi. Perguntei na reunião de Câmara, a senhora vice-presidente disse que não sabia. Do ponto de vista externo, do que fica público, é que o senhor presidente da Câmara não sabia e que foi pedir esclarecimentos no dia 2 ou no dia 3 deste mês”.

Adelina Paula Pinto, vice-presidente do Município, informou que a Câmara “emitiu um parecer desfavorável por questões ambientais”, recordando que, em setembro, se falava de oito zonas e que Serzedo já aparecia. “Como Serzedo era uma área muito pequena e aquilo era ainda uma sensibilização, consideramos que eventualmente Serzedo desaparecia porque era uma área muito pequena. Daí a surpresa”, explicou.

“Cumprimos até ao momento”, vincou a também vereadora fazendo referência à discussão pública e ao parecer negativo. “A partir do momento em que sabemos que Serzedo continua a estar previsto numa zona de exploração de lítio, o senhor presidente tem estado junto do senhor Ministro do Ambiente a tentar resolver e a exigir esta participação mais ativa do Município para identificação e acompanhamento desta questão que incomoda bastante a população”.

“Temos de ter uma segurança muito grande no que está a ser feito, têm de ser vistas as questões ambientais. Não podemos defender questões ambientais e depois fazer atropelos”, disse Adelina Paula Pinto referindo que, no caso de Guimarães, apesar de ser uma zona muito pequena e pouco habitada, “há ainda um desconhecimento muito grande em relação a esta questão da exploração de lítio e dos efeitos que pode ter na população”.

©2022 MAIS GUIMARÃES - Super8

Publicidade

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?