Federação Portuguesa de Dadores de Sangue quer recuperar dispensa do trabalho para dadores

O mês de agosto é sinónimo de uma grande descida das dádivas de sangue. Dados revelados pela Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue, na passada semana, mostravam que reservas de sangue para os tipos A+ e O+ só chegavam para quatro dias, valores “muito abaixo do desejável”.

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A situação repete-se todos os anos, na época de verão. “Há uma grande transferência de dadores habituais para outras cidades, algumas delas onde não há a tradição de haver colheitas de sangue”, explicou Alberto Mota, presidente da Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue, acrescentando que, este ano, houve muito mais saída de pessoas para fora, devido aos dois anos de confinamento a que estiveram sujeitas.

Para o baixo nível de reservas contribuíram ainda as vagas de calor.

Atualmente, existem 27 hospitais no país a efetuar colheitas de sangue. A reserva nacional comporta o Instituto Português de Sangue e a Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue, sendo do primeiro a responsabilidade de garantir o abastecimento necessário de sangue para todos os doentes.

O apelo do dirigente surge no seguimento de que seja feita “uma dádiva mais regular”, em todas as faixas etárias, especialmente nos jovens. A seu ver, “existe um longo trabalho pela frente” para cativar jovens dadores, entre os 25 e os 34 anos. A partir dos 18 anos, as recolhas de sangue têm sido bem-sucedidas nas escolas e universidades, o que faz com que a faixa etária seguinte seja aquela em que existe um maior desfalque.

Apesar do Estado ter reconhecido a isenção das taxas moderadoras para os dadores de sangue, há mais a fazer por aqueles que querem ajudar a salvar vidas. A Federação está a tentar obter de volta o reconhecimento retirado em 2011, altura em que o dador tinha dispensa do trabalho quando efetuava a sua dádiva.

“É mais que justo que quem está no Governo pense nesta proposta que estamos a apresentar, e que já está na Assembleia da República”, a ser defendida pelo deputado vimaranense Luís Soares, esclareceu Alberto Mota, que também preside à Associação de Dadores de Sangue de Guimarães.

A recuperação da dispensa do trabalho prende-se com o facto de “cada dador não ter de fazer um esforço profissional para dar sangue, mas também para promover que as dádivas são seguras, incentivando-as”, completou.

Recorde-se que são necessárias 1000 unidades diariamente nos hospitais portugueses e, por esse motivo, toda a ajuda é fundamental. Para ser uma pessoa dadora de sangue, basta ter entre 18 e 65 anos (o limite de idade para a primeira dádiva é os 60 anos) e ter peso igual ou superior a 50 kg. Os homens podem dar sangue 4 vezes por ano e as mulheres 3 vezes por ano, com um intervalo mínimo de 2 meses entre as dádivas.

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