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Festa das Colheitas pede reconhecimento de interesse concelhio ao Município

A apresentação contou com a presença da vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, do presidente da Junta de Freguesia de São Torcato, Antero Freitas, e de três elementos do Grupo Folclórico de São Torcato: a presidente, Manuela Vieira, e os membros José Fernando e Augusto Freitas.

Organizada pelo Grupo Folclórico de São Torcato desde 1998, a Festa das Colheitas assinala o momento alto das colheitas dos produtos que, em grande escala, se cultivavam no vale. “Este foi sempre um meio muito rural”, recordou Manuela Vieira, referindo-se ao milho, ao vinho e aos restantes produtos que “faziam parte da sobrevivência”. A festa decorre numa casa de lavoura montada no recinto, com cozinha e lareira, alpendre e lagar. O espaço é cedido pela Irmandade de São Torcato, que a presidente do grupo apontou como parceira importante.

Dia 9, dia do vinho: homens e mulheres do grupo vão às vinhas e colhem as uvas, que são transportadas em dornas, em carros de bois, até ao lagar. É também o dia em que o recinto recebe crianças de jardins de infância e escolas de São Torcato e de outras zonas do concelho, num momento pedagógico em que contactam com a vindima, o fabrico do pão e alfaias que dificilmente conhecem.

Dia 10, dia do pão: à tarde, o grupo vai ao campo ceifar o milho, que também é trazido em carros de bois. Ao final do dia há desfolhada e, em paralelo, malhada do milho e uma demonstração do ritual do linho, em particular a espadelada.

Dia 11, dia do Senhor: começa com missa campal cantada pelo coro do grupo, durante a qual é feita a oferta de produtos da terra, como forma de agradecimento pelas dádivas da natureza. A venda desses produtos reverte a favor da paróquia. À tarde é distribuído vinho doce, gratuitamente em copo, e vendido a quem queira levar garrafa ou garrafão.

Durante os três dias funciona uma cozinha tradicional, com um forno, que serve petiscos e pratos regionais, como o cozido à portuguesa, a massa ao lavrador, o arroz de cabidela e os rojões, ao domingo. José Fernando explicou que, por respeito pelas crianças que visitam a festa, o grupo deixou de realizar a matança do porco.

O pedido ao Município

Manuela Vieira lembrou que, após o apoio inicial obtido através de uma candidatura a um projeto europeu, tem sido o próprio grupo a sustentar a festa. À medida que o evento cresce, disse, crescem também os custos, e foi neste contexto que lançou o desafio à vereadora, para que o transmita ao presidente da Câmara. “É um património que é nosso, mas também é de Guimarães”, defendeu, acrescentando que não conhece, pelo menos na região Norte, uma festa com este cariz. Pediu que a Festa das Colheitas possa integrar as festas de interesse concelhio, porque, argumentou, “juntos, somos sempre mais fortes”. José Fernando detalhou parte das despesas. A tenda, considerada essencial para garantir segurança e conforto a quem visita, custa este ano 2.800 euros, contra 2.500 no ano passado. Há ainda o investimento anual nos trajes, já que alguns tecidos e padrões deixaram de existir. Recordou que, durante anos, a festa deu prejuízo, situação atenuada com a introdução da componente gastronómica, e que o grupo angaria fundos ao longo do ano com outras atividades.

Já vereadora Isabel Ferreira felicitou o grupo e afirmou que o desafio “está registado” e “vai ser analisado”. Comprometeu-se a transmiti-lo ao presidente da Câmara e a conversar em breve sobre o assunto, juntamente com a Junta de Freguesia. Admitiu, no entanto, que o modelo de instrumentos de apoio à cultura está a ser revisto e que não sabe se a designação de festa de interesse concelhio se manterá.  A vereadora destacou o trabalho do grupo com as escolas e disse querer, no próximo ano, uma maior participação da comunidade escolar na festa. Enquadrou essa intenção no Plano Municipal das Artes, da Cultura e do Património, que, segundo disse, passou de seis para 16 agrupamentos de escolas, a que se juntam três escolas privadas, num total de 19 entidades.

Antero Freitas salientou que a festa representa “o culminar de um ano de trabalho” do grupo, que trata da vinha e do campo para depois apresentar os frutos à população. Destacou o valor pedagógico, social e económico do evento, que movimenta o comércio e traz gente à vila, e sublinhou que, num ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia, a festa assenta em trabalho manual e na força dos animais. Referiu também os copos reutilizáveis que o grupo vai usar.

O autarca afirmou que a Junta é “parceira com muito gosto” e admitiu que o reconhecimento da festa seria um “descanso” para o grupo e para a Junta.

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