Festas da Cidade e Gualterianas mostram-se com nova cara em Guimarães

Celebradas na Cidade Berço desde 1906, as Festas da Cidade insistem em surpreender e motivar os nossos ânimos de 31 julho a 3 agosto de 2020, mantendo esta secular tradição sempre em contacto com os nossos dias.

A edição de 2020 das centenárias Festas que anualmente marcam o Verão dos habitantes e visitantes da Cidade Berço nesta altura do ano, ganham vida a partir desta sexta-feira, 31 de julho. No particular contexto que vivemos, devido ao atual panorama de saúde pública, as Festas da Cidade e Gualterianas adaptam-se, exigindo um esforço comum para tornar as coisas possíveis no ato de fazer acontecer e permitir a participar, não dispensando a máxima segurança. 

O programa concentra-se ao longo de quatro dias, de 31 de julho a 3 de agosto, mas estende-se no tempo em algumas das suas propostas. As celebrações em honra de São Gualter, realizadas em Guimarães desde 1906, despem-se de vários dos seus números habituais para surgir com uma roupagem incontornavelmente distinta em muitos dos seus pontos de programação mais característicos, preservando o seu cariz de fruição ao ar livre e mantendo presente a diversidade de géneros artísticos nas propostas apresentadas, mapeando uma alargada presença nas artérias e praças da cidade. 

Sendo este um ano atípico, todo o pensamento e energias foram direcionadas para evitar a suspensão desta edição das Festas da Cidade, garantindo um programa que marca as presentes celebrações de uma forma que explora mais a dimensão simbólica, nunca esquecendo a envolvência dos artistas culturais e apelando à prevenção e compreensão de todos os públicos que participam nestas festividades.  

Imergindo no programa, descobrimos prontamente a Exposição da Casa da Marcha, que se prepara para exibir algumas das peças trabalhadas pelos obreiros ao longo dos últimos anos, podendo ser apreciada no Jardim da Alameda de São Dâmaso de 31 de julho, inaugurada às 19h00, a 3 de agosto. Com lugar assegurado no programa está também o Carro Guimarães Fado e Centenário da Amália, número alegórico das Festas dedicado a este género musical e aos 100 anos do nascimento da excecional fadista, percorrendo a cidade ao longo destes mesmos quatro dias e contando diariamente com uma atuação da Associação Guimarães Fado. 

Numa parceria com a Muralha – Associação de Guimarães para a Defesa do Património, estará patente no Largo do Toural uma exposição de fotografias com os cartazes da história das Festas Gualterianas. Com inauguração agendada para as 21h00 do dia 31 de julho, esta exposição poderá ser (re)visitada até ao final do mês de agosto. Nos dias 31 de julho e 1 de agosto, às 21h30, no Largo de São Francisco, o programa reserva a possibilidade de assistir a concertos organizados pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco. 

Juntamente com estas iniciativas, o pelouro da Cultura do Município de Guimarães e A Oficina lançaram um desafio com o intuito convocar a comunidade artística e recolher propostas culturais que se ajustassem ao formato inédito desta edição das Festas Gualterianas, promovendo uma reaproximação segura e confiante entre criadores, público e comunidade, tendo sido valorizados os projetos com carácter inovador e diferenciador, sem esquecer o cariz tradicional das Festas e a sua adequação às normas da Direção Geral da Saúde.  

Nesta convocatória “Projeta! Cria! Participa!” foram selecionados vários projetos de artistas vimaranenses para integrar o programa das Festas da Cidade, que assim se enriquece com mostras de filmes e fotografias, oficinas comunitárias de pintura de azulejos, produção de máscaras comunitárias temáticas e uma exposição de artistas plásticos vimaranenses, consumando assim um acréscimo de propostas inclusivas no que se refere aos artistas e aos diferentes gostos do público. 

Entre as propostas selecionadas encontra-se “Gualterianas, nas bocas do mundo!”, projeto apresentado por Carolina Eunice, que irá dar origem à produção de máscaras comunitárias com temas alusivos às Festas Gualterianas, entre estes a Batalha das Flores, os Grupos de Bombos, a Majestosa Procissão de São Gualter e a Marcha Gualteriana. 

A mostra “Memórias da Celebração: Imagens da Festa!”, projetada por Pedro Silva, irá habitar estabelecimentos comerciais, avenidas, largos e ruas ao longo dos quatro dias das Festas, com filmes da Associação Artística da Casa da Marcha, Arquivos da Radio Televisão Portuguesa e Nuno Castro. Participação especial de Liliana Xavier e Maria Terra, bem como com fotografias de Casimiro Silva, Eliseu Morais, Ivo Rainha, José Bastos, José Caldeira, Miguel Oliveira, Arquivos da Foto Beleza e Fototeca da Sociedade Martins Sarmento. 

Já o projeto “Gualterianas – Painel Comunitário de Azulejos”, de Nuno Machado/Fuga Pela Escada, promove Oficinas Comunitárias de pintura dos azulejos ao mesmo tempo que assume a elaboração de um painel a exibir ao público, com a colocação do respetivo painel de azulejos marcada para o final do mês de agosto. 

Por último, entre as propostas eleitas no âmbito desta convocatória, encontra-se igualmente o projeto Montra / Mostra, promovido pela Astronauta – Associação Cultural e que se traduz numa exposição coletiva de dez artistas plásticos vimaranenses – Luís Canário Rocha, Joana Martins, Tiago Lemos, Zé Teibão, André Marques, André Pinto, Igor Gonçalves, Rafael Oliveira, Aleksandra Kalisz, Maria Terra – em montras comerciais da Rua de Santo António. 

Estas propostas integram desta forma o programa das Festas da Cidade e Gualterianas, que este ano assume uma faceta mais simbólica, contemplando iluminação ornamental em monumentos icónicos das festas e da cidade – como a Igreja de São Francisco, Igreja de São Gualter, Castelo de Guimarães ou a muralha da Torre da Alfândega, além da artéria da Alameda de São Dâmaso e do Toural –, exposições no espaço público e ainda alguma animação cultural. “Este programa foi pensado no sentido de trazer maior expressão ao espaço público e valorizar a memória destas festas através de momentos de reflexão”, ressalva a vereadora da Cultura do município de Guimarães, Adelina Pinto.  

O contexto de pandemia impede a existência dos habituais grandes concertos, do espaço de diversões e da sempre memorável Marcha Gualteriana, com o natural objetivo de evitar aglomeração de pessoas. De modo a permitir maior dispersão dos públicos e um maior usufruto da cidade por parte das pessoas, o trânsito poderá ser ordenado diferenciadamente, facilitando, nomeadamente, a visita à Exposição da Casa da Marcha (Jardim do Alameda de São Dâmaso) ou a Exposição “A Muralha” (Largo do Toural).  

As apresentações e atividades das Festas Gualterianas são todas gratuitas.

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