Festivais Gil Vicente entram na segunda metade

Realizada a primeira metade do programa dos Festivais Gil Vicente 2021, o teatro contemporâneo continua a revelar-se em Guimarães já a partir desta quarta-feira, dia 9 de junho, prolongando-se até sexta, sempre às 19h30.

Foto: Alípio Padilha

Cumprindo o desígnio de dar foco à vitalidade das novas gerações de criadores e à valorização de novas dramaturgias que nos estimulam a reflexão, de forma criativa e construtiva, acerca de matérias do presente e do intemporal – como solidão, democracia, poder, ficção, catástrofe, entretenimento e distopia –, chega a vez das criações de Lígia Soares, da mala voadora e de Tiago Lima entrarem em ação nos palcos do Centro Cultual Vila Flor (CCVF) e do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG).

O salto para a segunda semana desta edição dos Festivais Gil Vicente (FGV) dá-se esta quarta-feira, 9 de junho, com “Memorial”. A autora desta peça, Lígia Soares, pretende olhar, retrospetivamente, para o tempo presente. A ela junta-se Sónia Baptista no palco do CIAJG para uma reflexão sobre o facto de sermos reféns do passado que se apossou de nós e nos torna resistentes a uma urgente alteração de referências e comportamentos. Aqui o objetivo não é repetir constantes alertas para o fim dos tempos, para a tragicidade do futuro que nos espera, mas sim imaginar esse ‘depois’ onde o nosso sentido único já se deu como perdido, onde já estamos livres da catástrofe, porque somos a própria catástrofe. Em cena, uma situação suportada por uma imagem pós-apocalíptica, procura levar o espectador a lembrar-se dos tempos de hoje como se estes já tivessem passado.

O dia seguinte (10 junho) leva-nos ao palco do CCVF e deixa-nos “OFF” com a estimulante viagem da mala voadora sobre o fim. O fim de um ciclo. O fim das nossas vidas, o fim do planeta, o fim de novas ideias, o fim da própria mala voadora. Tema que em 2017 esta companhia teve a ideia de trabalhar em 2020, num espetáculo sobre o fim de tudo. Uma ideia que nada tinha de original, já que todos sabemos que o fim é inevitável, mas na altura imaginava-se mais distante do que agora e com mais garantias de ter tempo para o inventar. Interpretada por Andreia Bento, Maria Jorge e David Pereira Bastos, esta peça é encenada por Jorge Andrade, com texto a partir de “Dying” de Chris Thorpe, num tempo indefinido que se parece com o nosso. Um espetáculo que se sabe como acaba e, como nada há para inventar, reserva-se todo o tempo para festejar.   

Esta edição dos FGV fecha as cortinas a 11 de junho no CCVF com a estreia absoluta de “Ainda estou aqui”, de Tiago Lima, criação vencedora da última edição da Bolsa Amélia Rey Colaço – iniciativa promovida pel’A Oficina (Guimarães), O Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo), o Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa) e o Teatro Viriato (Viseu) e com residência artística em Guimarães, nos espaços do Centro de Criação de Candoso e da Black Box da Fábrica Asa. “Ainda estou aqui” explora a ideia de devoção ao entretenimento que, associada ao individualismo dos nossos tempos, explica que a solidão pode atingir qualquer um. Tiago Lima escreve e encena este espetáculo que é simultaneamente um concerto, contando com interpretação e música ao vivo de Bruno Ambrósio, Débora Umbelino aka Surma, Eduardo Frazão e Rodolfo Major. 

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