O Centro de Artes e Ofícios dos Fornos da Cruz de Pedra (CAOFCP) assinala este sábado, 3 de outubro, o seu segundo aniversário com um programa gratuito dedicado à valorização e renovação dos saberes tradicionais de Guimarães. Entre as 10h30 e as 20h00, o espaço propõe atividades para diferentes idades, cruzando olaria, literatura, música, criação artística e memória. Sob o mote “De mão em mão e com a cabeça e os ouvidos ligados ao coração”, a programação pretende mostrar como os ofícios tradicionais podem continuar vivos através do encontro entre gerações, comunidades e novas linguagens.
O programa arranca às 10h30 com “Contarinhar – uma visita poética”, de Inês Lago, que propõe uma visita ao Centro a partir da palavra e da poesia. Às 11h00, a oficina “O som da terra”, orientada por Bruna Freitas, convida os participantes a criar instrumentos musicais em cerâmica, explorando a relação entre o barro, o gesto e o som. Durante a tarde, às 14h00, terá lugar a oficina comunitária da residência artística MICA e “BASEado em barros verídicos”, orientada por Selma Rosa Nunes e Joana BC. A comunidade será convidada a participar na construção e decoração da base de um forno de cerâmica, podendo levar tecidos, rendas, búzios, conchas, pedras ou peças de metal para deixar marcas na estrutura.
Às 16h00, o coletivo Zuca Truca – Rafael Freitas e Mariana Campos apresenta “Instrumentos populares do Alto Minho”, numa demonstração que reúne mais de duas dezenas de instrumentos, entre concertina, cavaquinho, sarronca, triquelitraque e zuca-truca. Segue-se, às 17h00, a oficina “Brinquedos Sonoros”, também dinamizada pelo coletivo Zuca Truca, onde canas, bugalhos, bolotas e loureiro serão transformados em flautas, apitos, ocarinas e chamarizes. A atividade é destinada a maiores de oito anos.
Às 18h00, “Música murmura”, de Ana Beiradomar e Pedro João, estabelece uma ponte entre a música tradicional e a criação contemporânea, recuperando canções ligadas ao imaginário popular. Às 19h00, “Pedra da vida”, de Louiza Malguitou, cruza barro, escultura e música, recuperando a memória da Pedra Formosa e transformando o antigo forno da olaria num espaço de evocação das casas-mãe da cultura castreja. O acesso é livre, condicionado à lotação.
O programa termina às 20h00, com um encontro em torno de um jantar com curadoria de um restaurante local.
Preservar a memória e criar novas possibilidades
Instalado numa antiga olaria e casa de habitação de uma família de oleiros, o Centro de Artes e Ofícios dos Fornos da Cruz de Pedra é gerido e programado pel’A Oficina. O espaço nasceu com o objetivo de preservar a memória das pequenas indústrias que marcaram o tecido produtivo do Norte de Portugal e de manter vivos os conhecimentos associados aos seus ofícios. O Centro integra um núcleo museológico dedicado à olaria, aos têxteis, aos curtumes e às cutelarias, além de uma loja e de um atelier onde é possível acompanhar a produção da Cantarinha dos Namorados de Guimarães e adquirir peças de artesanato local.
Dois anos depois da abertura ao público, o CAOFCP procura afirmar-se não apenas como espaço de preservação da memória, mas também como lugar de experimentação, transmissão de conhecimento e criação contemporânea.
A programação do segundo aniversário é de entrada gratuita, estando algumas atividades sujeitas a reserva. O projeto é cofinanciado pela União Europeia através do Programa Regional NORTE 2030.
