FREGUESIA 4.0.

por SÉRGIO SILVA

Presidente da Junta de Freguesia de Barco

O título deste artigo pode parecer estranho, mas ele resulta de uma analogia muito livre com o que está a acontecer no terreno da produção/indústria. Quando se fala de Indústria 4.0 não é de um cenário ficcional futurista que se trata, mas sim de uma realidade em marcha. Fala-se de uma quarta revolução industrial, no seguimento das três outras que se registaram desde o século XVIII, marcadas, respetivamente, pelo advento da máquina a vapor, da eletricidade e produção em massa e da tecnologia e automação. A quarta, dizem os especialistas, é a da era digital.

É um facto que a evolução da sociedade, com a mudança de mentalidades e paradigmas, acarreta um rearranjo das definições. Adotando uma linguagem cada vez mais comum ao comum dos cidadãos, por força da sua presença nos Media, estaremos perante algo do género “Definições 4.0.”.

Por exemplo: a definição de analfabetismo. Deixa de ser uma realidade aplicada àquelas pessoas que não sabem ler ou escrever”, ou que, sabendo, não o sabem interpretar, e incorpora cada vez mais as definições de “analfabetismo funcional” e “analfabetismo digital” para considerar aqueles que revelam incapacidade de interação com as novas tecnologias.

Por aqui se vê, portanto, que há toda uma recomposição lexical em virtude das exigências das sociedades contemporâneas, ditadas pelo motor da economia globalizada. E essa mudança estende-se a outros setores do nosso quotidiano. Ao Poder Local, por exemplo.

A definição de necessidades básicas de uma população também está sujeita a essas alterações. Resolvidos os problemas que, de alguma forma, assentam nesta definição – redes de água e saneamento, as aspirações das populações passaram a ser outras ou a incluir outros níveis. Nessa mudança está implícito um lado positivo: significa que o Poder Local tem dado resposta eficaz aos anseios mais básicos das populações, não só as já elencadas, mas também as ruas pavimentadas, passeios ou cemitério. E apontam agora para outros patamares.

As novas aspirações, que obrigam a uma revisão da definição de anseios básicos, são claramente indicadoras de uma mudança não despicienda, multinível, sobre a qual entendo ser importante fazer a devida reflexão, social e politicamente falando. Creio que ninguém compreenderá que uma opção política contemple a construção de um pavilhão multiusos numa freguesia que não tenha o problema de saneamento básico resolvido. Significa isto que esta obra ou outra similar não deve ser executada? Não: significa apenas que os cidadãos só compreenderão a opção pela primeira intervenção se ela for necessária para resolver as tais carências básicas.

Este tem vindo a ser o pensamento adotado pelo Executivo da freguesia de Barco, a que presido, não só de agora, mas de já há uns anos a esta parte, sempre em forte articulação com o Município de Guimarães. Resolvidas as aspirações mais básicas da comunidade – indispensáveis para a tal convivência comunitária, exigidas até por questões de salubridade, comodidade, segurança – passou-se a um novo patamar, a que poderíamos, por analogia, chamar “Aspirações 4.0”.

Os fregueses não prescindem das respostas básicas, e são cáusticos nas críticas quando elas não existem. Da mesma forma que no passado recente se batiam pela água e saneamento, pelo alargamento do cemitério, pelas ruas pavimentadas, agora os fregueses mobilizam-se por equipamentos culturais, de saúde, de lazer, por respostas “verdes” amigas do ambiente, por políticas amigas das famílias.

Em Barco, território do AvePark – um centro tecnológico que alberga projetos de referência na área científica (Laboratório 3B´s”) e dos negócios (Farfetch) –, que possui um auditório cultural que permite receber eventos do exemplar programa ExcentriCidade do Pelouro da Cultura do Município – podemos dizer que estamos já nesse patamar 4.0.

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