GUIMARÃES É O CONCELHO DO DISTRITO COM MAIS MILITANTES NO ALIANÇA

Aliança, desde outubro o novo partido português, é liderado por um dos rostos políticos mais conhecidos no país: Pedro Santana Lopes. Marta Ribeiro vive em Guimarães e é coordenadora da Comissão Instaladora do distrito de Braga. Em conversa com o Mais Guimarães, a advogada sublinhou que o Aliança “quer marcar a diferença” e que este partido quer ser a “reviravolta” do país.

 

 

Como é que justifica a chegada do Aliança?

No meu ponto de vista, vem do seguimento do que tem acontecido na Europa. Depois, efetivamente, há um desgaste muito grande a nível nacional com os partidos de sempre. Tal como tudo evolui na sociedade, acho que na política os partidos não evoluíram. Há no Aliança dois grupos de pessoas: Os que estavam completamente descrentes na política e outros que já não se reviam no panorama político existente. E foi assim que surgiu a ideia de criar este partido novo. Pedro Santana Lopes, que é o fundador do partido e o nosso rosto mais conhecido, também já não se revia no PSD atual.

Qual a missão do Aliança?

Isso está a ser trabalhado. As comissões instaladoras apenas têm como objetivo instalar o partido até fevereiro, até ao Congresso. Seja como for, não é novidade para ninguém que Portugal precisa de uma reviravolta, a vários níveis, e que essa reviravolta está a ser delineada. Há coisas que o doutor Pedro Santana Lopes tem vindo a tentar fazer ao longo dos anos e não conseguiu implementar. Por exemplo, a carga fiscal tem que diminuir, porque começa a ficar incomportável para toda a gente. O diminuir da carga fiscal dá-nos a possibilidade de sermos mais empreendedores, de nós, enquanto cidadãos, conseguirmos fazer outro tipo de utilização do nosso dinheiro. Agora, um programa ainda não existe, está a ser trabalhado, desenvolvido e será apresentado no congresso.

Estes episódios recentes, vividos na Assembleia da República, as questões que têm sido levantadas, são mais um motivo para surgirem e ganharem mais força?

O Aliança não surge por estes episódios, mas vieram reforçar a necessidade de fazermos diferente.

E acham que pode ser benéfico para o Aliança?

Sim, porque as pessoas estão a ficar cansadas. Eu própria estou, pois nunca tive qualquer ligação política e neste momento acredito que este projeto possa trazer alguma coisa de novo. Como advogada, se acho que nós cidadãos cometemos um erro, e se a legislação existe, é para não ficarmos impunes, e com os deputados não pode ser diferente. A descredibilização política é tão grande que se surgir agora um projeto novo e em que as pessoas acreditem que possa fazer diferente, acho que pode ter muito a ganhar com estes acontecimentos infelizes.

E as pessoas têm acreditado?

Ao início, quando falamos do Aliança as pessoas diziam que era mais um. Relativamente ao que nos distingue, por exemplo, o Aliança não vai ter Juventude Partidária, vamos tentar implementar uma coisa que se vai chamar Academia, dedicada a informar e a formar jovens sobre o é a política. A maior parte dos jovens não sabe o que é e não tem qualquer interesse político, na maioria das vezes nem sequer percebem o que se faz numa Assembleia da República. Uma sociedade esclarecida pode tomar boas decisões. Decidimos criar uma Academia Política, com crianças e jovens dos quatro aos 23 ou 25 anos, e que será apenas para formar na área política, e não para os alinhar com o partido. Teremos sempre o objetivo de formar, para que pensem pela própria cabeça. Quanto aos militantes, para fazer parte do Aliança tem que se ter 18 anos e qualquer pessoa o pode ser, independentemente de ter estado ou não na Academia. E estar na Academia não dará acesso a rigorosamente nada, ao contrário do que acontece nos partidos atuais.

E como está a correr a implementação do Aliança no distrito de Braga?

Muito bem, principalmente quando começamos a falar da Academia, que é um tema que cria bastante entusiasmo. O objetivo aqui é cativar pelas ideias e pelo que o partido pode fazer pelo país, não queremos ter pessoas por ter pessoas. Óbvio que nos interessa números, porque queremos crescer como partido e solidificar. Queremos pessoas que acreditem no que estamos a tentar implementar.

Quantas assinaturas recolheram para a criação do partido? E no distrito?

Foram entregues no Tribunal Constitucional cerca de nove mil. No distrito de Braga e, na minha mão, devo ter tido umas mil assinaturas. Guimarães é, curiosamente, o concelho do distrito com mais militantes inscritos, em três semanas. Tenho uma Comissão Instaladora espetacular.

Essa promoção de aproximação aos cidadãos à política é um dos papéis que querem desempenhar?

É um dos nossos grandes objetivos, principalmente chegarmos às pessoas que estão completamente descrentes.

Normalmente, quem tenta chegar a essas pessoas, tenta fazê-lo de uma forma mais popular, o que não acontecido. Não seria mais fácil?

Era, mas se calhar ser popular não dá respostas e nós preocupamo-nos, paramos e ouvimos as pessoas. É uma linha orientadora que veio da nacional e que nós tentamos aqui repetir. Quando vamos conversar com alguém, vamos tentar perceber os problemas das pessoas, saber quais as suas dificuldades. Há situações tenebrosas, que estamos a ter contacto com elas e que têm que levar uma reviravolta, quer a nível distrital, quer a nível nacional. Nunca se viu um país com tantas greves e como agora. Temos greve dos enfermeiros, da CP, do metro, de bombeiros, dos juízes. E o PS continua como se nada fosse?

O partido vai posicionar-se politicamente como?

À direita.

Estarão mais à direita que o atual PSD?

É uma boa pergunta, mas acho que sim. Somos um partido personalista, liberalista, e o objetivo não é de certeza ser um PSD 2.

Coloquemos esta hipótese em cima da mesa, de o PS ganhar as próximas eleições sem maioria absoluta, poderá realizar um acordo pós-eleitoral com as esquerdas ou com o Aliança?

Tanto quanto sei, não há já uma decisão definida sobre essa possibilidade. Mas conhecendo o doutor Pedro Santana Lopes, não vejo porque não seria um cenário possível, se achássemos que a nossa participação no Governo podia fazer a diferença.

Vão procurar ter mais elementos conhecidos na cúpula do partido ou o vosso objetivo é outro?

Nós acreditamos que o facto de termos muitas pessoas que são caras novas pode fazer a diferença. Não é o objetivo chamar nomes sonantes, aliás não é chamar ninguém. O doutor Pedro Santana Lopes defende a meritocracia, e não o nome, e isso tem chamado muita gente. A escolha do candidato às eleições Europeias (Paulo Sande) é um bom exemplo disso mesmo, de alguém que não tem curriculo politico mas que tem um percurso profissional realmente extraordinário.

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