A visita a Guimarães
No dia 17 de setembro, a partir das 14h10, a Comissária Europeia do Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall, visitou Guimarães 26, Capital Verde Europeia. A comitiva percorreu o Parque da Cidade de Guimarães, conheceu o Parque Musical Imersivo, iniciativa desenvolvida no âmbito da Capital Verde Europeia, e visitou as bacias de retenção para prevenção de cheias urbanas, nomeadamente a bacia do Parque da Cidade e as bacias do Parque das Hortas. A visita prosseguiu, entre as 15h15 e as 16h30, com uma deslocação ao Laboratório da Paisagem.
A Comissária foi acompanhada pelo Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, e pelo reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes. Estiveram também presentes membros da direção da Guimarães 26, Capital Verde Europeia: Carlos Ribeiro, presidente do Laboratório da Paisagem, Isabel Loureiro, coordenadora da Estrutura de Missão Guimarães 2030, e Dalila Sepúlveda, diretora do Departamento de Ambiente e Sustentabilidade do Município.
Questionada sobre a sua deslocação a Guimarães, Jessika Roswall explicou que veio à cidade precisamente por esta ser Capital Verde Europeia, com o objetivo de aprender e recolher inspiração, manifestando grande satisfação por ter feito esta visita, que considerou muito oportuna. Sobre os projetos que mais a marcaram, admitiu tratar se de uma pergunta difícil de responder, uma vez que, mais do que um projeto isolado, o que a impressionou foi uma abordagem de conjunto, envolvendo toda a governação e toda a sociedade. Destacou, ainda assim, a importância da prevenção de cheias, das soluções baseadas na natureza, do trabalho feito para melhorar a qualidade da água e do potencial da economia circular, sublinhando que se trata do início de um percurso e que, para ela, o essencial é o envolvimento de todos, incluindo as populações. Questionada sobre a relevância de visitar Guimarães precisamente no ano em que é Capital Verde Europeia, respondeu afirmativamente, acrescentando que este é também um momento particularmente significativo, depois de um verão marcado por incêndios e secas e de uma primavera de cheias. Segundo a Comissária, estes fenómenos comprovam a urgência da transformação em curso, sendo Guimarães um exemplo dessa liderança.
Questionado sobre a importância desta visita para o concelho, Ricardo Araújo sublinhou tratar se de uma honra receber, no ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia, a responsável europeia pela pasta do ambiente, considerando esta uma área de grande responsabilidade política à escala europeia, nacional e local. Para o autarca, o contacto direto com a mais alta responsável europeia nesta matéria dignifica Guimarães, não apenas pela projeção internacional que representa, mas sobretudo pela oportunidade de apresentar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Um trabalho que, segundo referiu, começou há alguns anos, é feito com consistência e que o município pretende reforçar e manter no futuro, podendo servir de inspiração para outras cidades europeias de pequena e média dimensão empenhadas em construir um território mais sustentável e com melhor qualidade de vida. Frisou ainda que esta é uma responsabilidade que Guimarães assume, mas que pretende partilhar coletivamente com outras cidades.
Questionado sobre o balanço do ano de Capital Verde Europeia, que se aproxima do fim, Ricardo Araújo considerou ainda existir tempo para uma avaliação mais completa, referindo que o município monitoriza e avalia mensalmente os resultados de todas as iniciativas em curso. Anunciou que será oportunamente apresentado um relatório público, com dados relativos ao número de pessoas que passaram por Guimarães ao longo dos eventos organizados, ao número de iniciativas promovidas, às nacionalidades e origens dos participantes, ao impacto gerado na economia real do concelho, bem como aos projetos que estão a transformar o território e a comunidade, incluindo o envolvimento das escolas e as iniciativas resultantes da consulta pública realizada em Guimarães. Frisou tratar se de um trabalho técnico de grande relevância para a monitorização e avaliação da implementação destas medidas, reforçando, por fim, que este ano não deve ser encarado como um balanço isolado, mas antes como o início de um processo que o município pretende continuar nos próximos anos.
A conferência rumo à COP31
No dia 18 de setembro, a Comissária participou no Clean Growth Summit, Road to COP31, onde fez a intervenção principal, subordinada ao tema Europe’s Clean Growth Advantage: Turning Climate Ambition into Global Competitiveness. O evento decorreu no Teatro Jordão, a partir das 9h30, e contou também com as intervenções do Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, do Secretário de Estado do Ambiente, eurodeputada Lídia Pereira e do reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes.
Na abertura da conferência, Ricardo Araújo defendeu que a Capital Verde Europeia não se pode esgotar num único ano: “Nunca quisemos que a Capital Verde Europeia significasse apenas um ano, significasse apenas aquilo que vamos fazer e estamos a fazer durante o ano. Quisemos, queremos e trabalhamos para que seja e continua a ser algo mais profundo, mais perene. Queremos que a sustentabilidade seja assumida em permanência, como uma dimensão transversal de todas as políticas e decisões, na mobilidade ou no urbanismo, na habitação e na saúde, na educação, na cultura e no desporto, na economia e na indústria, na água, nos resíduos, na biodiversidade e no espaço público, porque para nós, como temos dito, a sustentabilidade não é um sector da decisão pública, é ela própria, parte de qualquer ação e política pública.”
O Presidente da Câmara reforçou ainda o propósito de Guimarães contribuir para as metas europeias de descarbonização: “A Europa assumiu esta liderança pela transição ambiental. Elevou padrões, antecipou mudanças e colocou a transição ecológica no centro das escolhas do nosso tempo. O grande desafio que agora temos pela frente é fazer com que essa ambição seja também economicamente robusta, socialmente compreendida e competitivamente inteligente. A Europa mostrou que sabe elevar a fasquia, mas tem de assegurar que essa fasquia se transforma também numa vantagem para quem aqui investe, inova e produz. Com energia competitiva, com inovação e investimento com maior simplicidade e previsibilidade e com condições equilibradas de concorrência no mercado internacional. Guimarães quer contribuir para essa Europa, uma Europa que descarboniza sem se desindustrializar, que protege sem deixar de produzir, que regula mas que cria condições para inovar e somar valor.”
Na sua intervenção, Jessika Roswall abordou a necessidade de definir uma visão clara para um futuro sustentável, recordando os fenómenos climáticos extremos recentemente vividos em Portugal e um pouco por toda a Europa, e identificando três prioridades para a COP31: economia circular, água e proteção e restauro do ambiente natural.
Também presente, o Secretário de Estado do Ambiente, José Manuel Esteves, apontou Guimarães como um exemplo europeu de boas práticas ambientais: “Guimarães é um exemplo para a Europa de uma cidade que fez e que faz da sustentabilidade um projeto coletivo, um projeto que envolve todos, articulando ambiente, inovação, educação, cultura, qualidade de vida e da qualidade de vida uma estratégia coerente e reconhecida à escala nacional e internacional. Por isso, queria dirigir uma saudação muito especial ao senhor Presidente da Câmara pela forma exemplar, como tem sabido fazer deste ano, um tempo de mobilização, de participação e de compromisso coletivo com a sustentabilidade.”
A conferência foi organizada por Lídia Pereira, eurodeputada e presidente da Delegação do Parlamento Europeu à COP31, que deixou claro o objetivo do encontro: “Esta conferência não foi organizada para falar sobre o que é que Bruxelas deveria fazer, foi organizada para discutir o que é que nós podemos fazer juntos. Durante demasiado tempo deixámos que a conversa sobre a Europa fosse dominada por uma narrativa de distância, Bruxelas de um lado, cidadãos do outro, as instituições de um lado, a vida real do outro, e eu não acredito nessa Europa, e quero dizê-lo claramente, a Europa não é um lugar distante, a Europa somos nós, e esta é a prova de que conseguimos estar juntos a entregar resultados e a definir soluções.”
O evento reuniu decisores políticos, municípios, empresas, academia, juventude e sociedade civil, com o objetivo de discutir os grandes desafios da ação climática e contribuir para alinhar as prioridades nacionais e europeias em discussão na COP31, que se realiza em Antalya, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro.
