INTERMITÊNCIAS AMBIENTAIS

Por Torcato Ribeiro

Dirigente político do PCP

Em Abril, imagens da caixa dum colector de saneamento cuja tampa levantada libertava águas coloridas directamente para o leito da Ribeira de Selho, na freguesia de S.Lourenço. A 27 de Setembro, imagens de peixes mortos no rio Ave na freguesia de Barco, pelo que consta provocado pelo derrame de resíduos duma caixa de saneamento na Ribeira da Agrela…

Sabemos que as diferentes entidades responsáveis pelos equipamentos de recolha, tratamento e fiscalização foram igualmente informados do ocorrido, e do relatório final, após declarações das diferentes entidades, onde a Câmara de Guimarães dirá que a culpa não é sua mas do Ministério do Ambiente, em que a Vimágua dirá que a culpa é da empresa Aguas do Norte ou até da chuva, a empresa Águas do Norte dirá que a culpa é da Vimágua, porque no concelho apenas tem responsabilidade na distribuição em alta, e com estes altos e baixos, de estruturas que quase parece intencionalmente criadas para dificultar apuramento de responsabilidades num passa culpas abjecto, apenas sabemos uma certeza: a culpa não será de nenhuma destas entidades aparentemente responsáveis e terá o destino do costume e continuará solteira.

Quando ouvimos dizer que, “o Rio Ave tem sido referenciado como um exemplo de recuperação ambiental” só podemos concluir que o discurso oficial não é criterioso na transmissão da realidade, porque na verdade o que se constata é que se existe de facto recuperação ela é precária e muito dependente da boa vontade e civismo de quem usa o seu leito em variadas actividades quer industriais quer domésticas, e infelizmente a fiscalização dos rios, agravada com a extinção dos guarda-rios, não funciona, e o rio ficou mais sujeito a infracções que, num ápice, põem em causa todo e qualquer processo de despoluição. Não ignorando a importância na necessidade de continuar e aprofundar as campanhas de sensibilização da população para as preocupações ambientais e da necessária alteração que todos devemos fazer nas práticas do nosso dia-a-dia, contribuindo para a melhoria do nosso meio ambiente, e as campanhas que já há muitos anos são feitas nos estabelecimentos de ensino, está claro que o problema se situa e resolve a montante, no controle apertado na fiscalização de actividades que são manifestamente poluidoras, e cuja sanção terá de ser compatível com o acto criminoso praticado.

Todos estamos de acordo em cativar e aumentar o nosso tecido económico e empresarial no concelho porque sabemos o que isso significa para a nossa sustentabilidade e desenvolvimento, mas esta necessidade não deve estar refém de uma qualquer actividade e temos que optar se queremos desenvolvimento a todo o custo, sem controlo, ou um crescimento que garanta a nossa sustentabilidade económica e preserve o nosso meio ambiente, sem o perigo constante de actos menos próprios que mesmo intermitentes têm consequências nefastas e que deixam marcas irreversíveis na natureza.

É tempo de exigirmos o que temos direito: um concelho ambientalmente agradável e equilibrado com rios limpos e despoluídos. E isto não apenas porque gostamos ou porque está na moda ou porque consta de uma qualquer agenda politica partidária, mas porque entendemos ser fundamental para a nossa sobrevivência!

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