Joaquim Barreto acusa Magalhães de “tiques autocráticos”

Joaquim Barreto recandidata-se à distrital contra Ricardo Costa.

(Esta notícia foi editada com novas informações acrescentadas por Joaquim Barreto a 13/6/2020,às 16h20)

Joaquim Barreto acusa António Magalhães de “tiques autocráticos” e de conviver mal com a democracia. As palavras surgem em reacção as declarações feitas pelo ex-autarca que liderou a Câmara de Guimarães ao longo de seis mandatos, até 2013.

Em entrevista ao Mais Guimarães, publicada na edição de 3 junho, António Magalhães afirma que “o engenheiro Barreto já não tem as capacidades, as competências que caracterizam um candidato que imponha o distrito de Braga ao nível daquilo que é a sua importância”. Reagindo a estas palavras, Joaquim Barreto afirma que o ex-presidente vimaranense procura “substituir-se à escolha democrática e legítima dos militantes que, no dia das eleições, irão votar para eleger o presidente da Federação e os Delegados ao Congresso”.

Joaquim Barreto acusa Magalhães de “tiques autocráticos” e lembra que este saiu derrotado no último Congresso da Federação. “Ficou evidente que convive mal com a com o exercício da democracia, procurando impor, de uma forma antidemocrática, as suas opções antes daqueles que têm a legitimidade para o fazer”, afirma o atual líder da distrital.

António Magalhães e Domingos Bragança em lados opostos da luta pela Distrital do PS.

Recorde-se que Joaquim Barreto se recandidata à distrital do PS, contando com o apoio do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança. Do outro lado da contenda está o vereador do executivo vimaranense, Ricardo Costa, apoiado por António Magalhães.

De Ricardo Costa, António Magalhães diz que, “é um jovem preparado, com condições para levar à prática um projeto para o distrito”. Acrescenta que, “ele tem condições para ganhar, se isso não acontecer pode ser por truques de secretaria”.

Um presidente de Câmara arguido e autocarros para transportar militantes em dia de eleições

Joaquim Barreto confrontado com esta afirmação diz que “Magalhães deve estar, certamente, já a prever , a antecipar e a encontrar uma justificação para uma derrota das listas que patrocina e a recordar más práticas de um ato eleitoral que aconteceu recentemente com os seus fervorosos aliados, aqui num concelho do Distrito de Braga, onde tudo serviu para alcançar fins muito particulares e pessoais sem dignidade e respeito pelos militantes e pelo bom nome do PS”.

Joaquim Barreto, refere-se às eleições  realizadas na Concelhia de Barcelos, no passado mês de janeiro, de onde saiu vencedor o atual presidente do Município, Miguel Costa Gomes. Costa Gomes anunciou o apoio a Ricardo Costa na luta pela liderança da Federação Distrital do partido que é comandada há 14 anos pelo agora deputado à Assembleia da República Joaquim Barreto. Miguel Costa Gomes venceu com 870 votos contra 475 da oposição, um escrutínio envolto em polémica.

O presidente da Câmara de Barcelos  foi detido pela Polícia Judiciária, em junho de 2019, no âmbito da Operação Teia, indiciado dos crimes de corrupção passiva e de prevaricação. O autarca esteve em prisão domiciliária, uma medida de coação que entretanto foi levantada, mas continua proibido de contatar com funcionários municipais. O juiz de instrução criminal  terá considerado existirem indícios de que Costa Gomes beneficiou as empresas de comunicação da mulher do ex-presidente da Câmara de Santo Tirso, Joaquim Couto, em troca de favores políticos, nomeadamente, apoio para uma eventual candidatura à presidência da Federação de Braga do Partido Socialista.

O dia das eleições na Concelhia de Barcelos ficou marcado pelo episódio de dois autocarros fretados que transportaram militantes socialistas desde a União de Freguesias de Durães e Tregosa até às urnas de voto. Esta União de Freguesias é presidida por José Dias, apoiante de Miguel Costa. O momento foi alvo de críticas por parte da lista derrotada, liderada por Armindo Vilas Boas que já tinha perdido há dois anos para Manuel Mota.

Já em 2017, Joaquim Barreto e António Magalhães tinham estado em trincheiras opostas no episódio que levou à escolha de Raúl Cunha, um independente que concorreu pelas listas do PS, como candidato à Câmara Municipal de Fafe, em detrimento de Antero Barbosa. Antero Barbosa concorreu a presidência numa lista independente e Joaquim Ribeiro, antigo presidente de Câmara socialista, concorreu nessa mesma lista à Assembleia Municipal. O processo acabaria por terminar com Raúl Cunha a vencer as eleições, mas com o PS a perder a maioria absoluta. No rescaldo, Joaquim Ribeiro demitir-se-ia do PS para evitar a expulsão no âmbito de um processo disciplinar interno.

“A última imagem que deixa é a de um certo revanchismo contra o PS”, acusa Joaquim Barreto

A distrital de Braga aprovaria uma moção de repúdio, pela interferência do PS nacional na escolha dos candidatos no distrito. António Magalhães recusou-se a votar esta moção.

Relativamente ao adiamento das eleições Federativas e do Congresso,  Joaquim Barreto lembra que “quem tem poder para os marcar ou adiar, de acordo com os  Estatutos do Partido, é a Direção Nacional, que marcou os atos eleitorais para 13 e 14 de Março”. Devido ao momento que o país atravessa, de emergência sanitária, “a Direção Nacional decidiu suspender a 12 de Março o processo eleitoral das federações, decisão que acatamos e respeitamos”, justifica Joaquim Barreto. Para o líder da distrital socialista “acusações feitas sobre o adiamento das eleições distritais revelam má fé e desrespeito pelos Estatutos do Partido”.

Joaquim Barreto termina acusando António Magalhães de viver obcecado por denegrir o PS e os seus eleitos, a nível local e nacional. “É uma pena. Foi um bom autarca, mas a última imagem que deixa é a de um certo revanchismo contra o PS”, conclui Joaquim Barreto.

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