Em declarações à CNN Portugal, Thomas contou que o comboio saiu de Madrid pelas 08h00 e que, cerca das 08h30, parou inesperadamente. Retomou a marcha pouco depois e, por volta das 08h54, deu-se o embate. Recorda que se agarrou com força ao banco da frente e que, à sua volta, viu pessoas projetadas e tudo a partir-se. Disse à CNN Portugal que não consegue explicar o “milagre” de estar vivo.
Segundo o mesmo relato, à frente da sua carruagem seguiam apenas mais duas. A carruagem 7, onde ia o motor e o maquinista, terá sido “engolida” pela traseira do comboio da Iryo, e a carruagem 6 terá caído numa ravina e ardido, descrição que fica atribuída ao testemunho de Thomas. Com as saídas bloqueadas e o martelo de emergência partido, um passageiro usou uma mesa para partir uma janela e permitir a saída. O comboio, lembrou, ia cheio.
O acidente envolveu um comboio da Renfe e outro da Iryo, entre Madrid e Sevilha, num troço entre Los Yébenes e Urda. A Adif, gestora da infraestrutura, classificou-o como colisão por alcance, e as primeiras indicações do Ministério dos Transportes apontam para o AVE ter embatido por trás no comboio da Iryo. Seguiam 397 pessoas no Renfe e 147 no Iryo. O balanço mais recente indica 68 mortos, mas o número ainda pode subir, e o governo regional de Castela-La Mancha chegou a referir mais de 80 feridos, 15 em estado muito grave. A circulação de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia ficou suspensa.
É o segundo acidente ferroviário grave em Espanha este ano, depois do de Adamuz, em janeiro, que fez 46 mortos. As causas do acidente de hoje continuam por apurar.
