LIBERDADE (TAMBÉM) É TER HABITAÇÃO.

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

A reportagem “Retratos de um Bairro Pobre” de Catarina Castro Abreu no Mais Guimarães, dava conta, em 2016, da situação de extrema degradação em que urbanização da Emboladoura, em Gondar se encontrava, e encontra.

Os prédios que constituem a urbanização estão deteriorados, e os espaços envolventes bem como as áreas verdes estão sujeitos ao abandono. Esta reportagem veio na altura revelar, por um lado, uma situação intolerável no que diz respeito às condições de habitabilidade do bairro da Emboladoura e, por outro, a luta dos moradores para resolverem esse problema.

No entanto, esta é uma situação com uma história já longa, demasiado longa. Em 2005 o então vereador da CDU, Sagado Almeida, numa reunião de câmara mostrava a sua preocupação com o facto do mandato autárquico (de então) ter chegado ao fim sem que a Câmara cumprisse a promessa de reconversão do Bairro da Emboladoura, alertando, ainda, que os moradores estão desiludidos e cansados de contínuos adiamentos. Nessa mesma reunião o Presidente da Câmara em exercício, refutando responsabilidades, afirmou prontamente que “…a culpa do Bairro da Emboladoura não ter sido reabilitado é do IGAPHE que não funciona bem”. Esta é a resposta, ou melhor a não resposta, que fez entretanto escola e que não passa, claramente, de uma fuga para a frente deixando o problema para trás.

Mais recentemente em 2014, numa sessão da Assembleia Municipal, o presidente da associação de moradores do bairro da Emboladoura defendeu a necessidade de suspender a lei das rendas, lembrando a situação social em que vivem as famílias afetadas por baixos rendimentos, alertando, ainda, para a falta de limpeza nos telhados dos edifícios o que provoca a sua degradação, reclamando obras de reabilitação.

Esta é pois uma situação que se arrasta ao longo dos anos e que deixa os moradores desesperados porque os problemas são graves e não se resolvem, e desalentados, pois, como disse Manuel Veloso, presidente da associação de moradores ao Mais Guimarães, na edição de 10 de janeiro, “Agora estamos neste impasse e não sabemos concretamente o que devemos fazer”.

O desabafo deste munícipe devia fazer pensar e fazer agir os eleitos municipais com responsabilidades políticas diretas na gestão do concelho, ou seja, a autarquia.

É obvio que se perguntarmos “então como é que é?” ao vereador responsável ou ao senhor presidente da Câmara, um e outro responderão que a “culpa” (a famosa culpa que morre solteira) é do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e que “mais” não podem fazer.

Sabemos todos que, de facto, a responsabilidade pela manutenção dos edifícios pertence ao IHRU, mas pela desistência da autarquia face a este problema também ficamos a saber que a relevância política da Câmara de Guimarães, como interlocutor e promotor de soluções, é nula.

Difícil de aceitar é também a hipocrisia do discurso político autárquico que se desdobra em anúncios de iniciativas que apelam à mobilização e participação dos munícipes (e neste caso os moradores organizaram-se, constituíram-se em associação e fizeram todas as demandas legais e diligências possíveis), mas que lava as mãos como Pilatos de um problema que afeta gravemente toda uma comunidade de pessoas nossas vizinhas.

Neste caso é urgente que a autarquia assuma o problema como questão prioritária, como um caso, difícil sem dúvida, que não pode cair nas águas paradas da burocracia ou atirado para debaixo do tapete municipal.

O azar dos moradores da Emboladoura é que o seu bairro fica longe (escondido) do centro onde passam a procissão e os turistas.

 

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