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LIVRE repudia receção do embaixador de Israel pela Câmara Municipal de Guimarães

O encontro, realizado nos Paços do Concelho, foi apresentado numa nota oficial da Câmara como dedicado à criação de novas oportunidades de colaboração nas áreas da inovação, tecnologia, proteção civil, qualificação de recursos humanos e atração de investimento, com destaque para a instalação no AvePark da TAG Medical Products Corporation, através da TAGlobal Portugal, descrita como a primeira unidade industrial da empresa na Europa.

Para o LIVRE, este enquadramento surge num momento particularmente sensível, depois de uma comissão de inquérito das Nações Unidas ter concluído que Israel cometeu genocídio em Gaza, apontando responsabilidades a altos dirigentes israelitas, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e de Portugal se ter juntado a um conjunto de países europeus, entre os quais Canadá, França, Espanha e Reino Unido, para anunciar restrições comerciais aos colonatos israelitas ilegais na Cisjordânia. Segundo o partido, “receber um embaixador é protocolo” mas “anunciar cooperação económica, tecnológica e de investimento é escolha política, e a escolha foi da Câmara”.

O comunicado recorda ainda que, confrontado com as críticas, o presidente da Câmara respondeu que continuará a receber todos os embaixadores acreditados em Portugal, enquadrando o encontro num conjunto de cerca de treze audiências concedidas no âmbito da sessão de investidura da Academia da Diplomacia. Para o LIVRE, essa explicação “não responde”, já que nenhuma das restantes audiências foi comunicada ao país como um reforço de ligações económicas com um Estado sobre o qual Portugal acaba de anunciar restrições comerciais.

O partido recorda também a posição que tem defendido na Assembleia da República através do deputado Rui Tavares, favorável ao reconhecimento urgente do Estado da Palestina e à suspensão imediata do Acordo de Associação entre a União Europeia e Israel, e sublinha que, sendo Guimarães Cidade Património Mundial, o seu nome constitui “um bem público, não um ativo promocional indiferente ao contexto”.

Nesse sentido, o LIVRE exige à Câmara Municipal de Guimarães que reconheça publicamente que a comunicação do encontro projetou uma normalização política e económica incompatível com a posição assumida pelo Estado português, que suspenda qualquer iniciativa de cooperação económica institucional com Israel enquanto se mantiverem as violações do direito internacional identificadas pela ONU, que divulgue com transparência quais os contactos, apoios e contrapartidas associados à instalação da TAGlobal Portugal no AvePark, e que a atuação externa do município se alinhe com as sanções anunciadas por Portugal. O partido anuncia que levará estas exigências à Assembleia Municipal de Guimarães e que continuará a acompanhar publicamente esta matéria.

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