LUÍS ESTANISLAU: ENTRE WUHAN, LISBOA E GUIMARÃES

O vimaranense falou ao Mais Guimarães acerca do isolamento profilático voluntário em Lisboa, da cidade de Wuhan e do regresso a casa.

© Direitos Reservados

“Um alívio.” Depois quase um mês entre voos e isolamento profilático voluntário, os 18 portugueses e as duas brasileiras voltaram a casa. Para o vimaranense Luís Estanislau, o regresso a Guimarães era bastante esperado: “Era algo que já estávamos à espera há muito tempo. Agora, tudo acalmou. Podemos estar com a nossa família e voltar à rotina e aproveitar o tempo útil que temos”, diz o vimaranense ao Mais Guimarães. Luís, de 27 anos, é treinador adjunto do Hubei Chufeng Heli, um clube de futebol na cidade chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei, epicentro do coronavírus Covid-19.

© Direitos Reservados

Agora, o vimaranense aguarda “informações para voltar”. Para já, decidiu integrar “um curso de treinador Nível 2”, na Associação de Futebol de Braga. “Não sei se vou poder concluir ou não, mas os responsáveis sabem da minha situação. Não sei quando vou voltar para a china, mas vou tentar concluir o curso”, contou. Por cá, diz sentir alguma desinformação por parte de quem se vai cruzando. “As pessoas pensam que só por estarem próximas de alguém já é sinónimo de contágio e não é bem assim. Se cumprirmos as regras e normas de segurança, os riscos serão muito menores. Não é por não galar com alguém que fico infetado”, diz. E essa desinformação repercute-se no aumento de comportamentos xenófobos para com chineses: “Sei de casos de pessoas que não se sentam à beira de chineses no autocarro por medo do contágio. E há coisas que, enquanto ocidentais, não concordamos porque não conhecemos. Aquilo que eu retiro da cultura chinesa é que a devemos respeitar, porque há várias formas de a ver.”     

© Direitos Reservados

O nome da cidade é agora conhecido globalmente devido ao coronavírus, mas o treinador garante haver muito mais para se saber de Wuhan: “É uma cidade de se tirar o chapéu. É gigante, muito desenvolvida e muito bonita. Não falta nada, desde metro, aeroporto, centros comerciais, muitos lagos, centros comerciais, parques. Foi uma cidade que evoluiu com um objetivo e isso nota-se.” Quando teve de ficar isolado em Wuhan, e como contou, na altura, ao Mais Guimarães, a impaciência tomou conta dos dias — foram dias passados a “ver filmes, ler, jogar cartas”.

Os passatempos mantiveram-se ao longo do isolamento voluntário no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, mas outros foram-se adicionando à lista. “Todos os dias havia uma reunião para expormos problemas, por exemplo. E, como era uma quarentena voluntária, alguém poderia desistir a qualquer altura. Então, dizíamos o que não estava bem para que pudéssemos, de certa forma, desfrutar da estadia. A certa altura pedimos material desportivo, toda uma série de equipamentos, uma bola. Fomos preenchendo os nossos dias. E pedimos para ir ao exterior, que foi possível. Claro que houve quem preferisse ficar mais resguardado, mas cada um encarava o isolamento à sua maneira.” Para além disso, os 20 repatriados contavam com “apoio psicológico”, bem como da presença de “médicos do INEM e da Proteção Civil”.    

Após “dias intensos”, Luís Estanislau diz, depois de “criar laços” com algumas das pessoas com quem partilhou o isolamento voluntário, ter uma certeza: “Acredito que, quando regressarmos a Wuhan, vamos estar juntos mais vezes.”

©2020 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?