Luís Lisboa: “Esta é uma cidade excecional mas para a classe alta”

Candidato do Bloco de Esquerda à Câmara quer “devolver Guimarães às pessoas”.

© Cláudia Crespo/Mais Guimarães

Explique-nos os motivos que levam o Bloco de Esquerda a querer “devolver Guimarães às pessoas”?

É a ideia de que urge o momento de centrar a política local nas pessoas, para as pessoas. As políticas de habitação, de ambiente, de mobilidade e transportes, de respeito pelos animais, numa cidade e sociedade plural que respeite a identidade de género e sexual de cada um dos seus habitantes. Esta é uma cidade excecional, mas sobretudo para a classe alta e para o turista histórico ou cultural. Mas este é o momento em que Guimarães tem de passar a ser uma cidade excecional para o e a vimaranense comum.

Quais os principais problemas que identificaram e os vimaranenses têm de enfrentar?

O Bloco de Esquerda entende que o ambiente é um eixo estruturante de todo o seu programa, porque vai tocar em todos os outros pontos. Mas a habitação é um enorme problema. A ausência de medidas de tutela por parte do poder autárquico ao mercado imobiliário trouxeram a especulação imobiliária, a gentrificação, e acima de tudo, a impossibilidade de as pessoas que auferem parcos rendimentos comprarem casa ou arrendarem casa. Este é um problema urgente que compete à autarquia resolver.

“O partido socialista não quer enfrentar os lobbys do imobiliário, por isso temos que ser nós a mostrar ao PS que existe o Plano Nacional de Habitação”

Luís Lisboa

As soluções que têm sido apontadas pelo partido socialista, no poder, não o convencem?

Há quatro anos o partido socialista prometeu 62 fogos a preços controlados e realizou zero. Agora há a promessa de 400 fogos, mas nós não podemos ficar só pelas promessas. No nosso entendimento, o PS, de socialista tem apenas o nome. Temos que entender, desde logo, que socialismo não é tirar àqueles que trabalham para distribuir por aqueles que não trabalham. O nome disso é capitalismo. Acreditamos que o partido socialista não quer enfrentar os lobbys do imobiliário, por isso temos que ser nós a mostrar ao PS que existe o Plano Nacional de Habitação, que é uma réplica do Plano Europeu de Habitação Pública. No nosso programa exigimos que o poder local institua o parque público de habitação. Houve 100,8 milhões de euros do orçamento anual do Governo para o efeito mas a autarquia não se quis candidatar. E há agora 1.250 milhões no PRR para a habitação para gastar em seis anos.

Mas Guimarães vai aplicar algum desse valor…

Não é de todo claro. O projeto do PS para o efeito é negociar com os privados, com os empresários. E esses 400 fogos a preços controlados, é aí que o PRR vai entrar, são para pagar esses subsídios aos empresários. E vamos ver se são 400, porque prometeram 62 e não cumpriram.

Guimarães perdeu população nos últimos anos. Têm medidas no vosso programa para reverter esta situação?

Guimarães tem de ser capaz de fixar os universitários que são às centenas que saem da nossa universidade todos os anos e vão encher as fileiras dos outros concelhos vizinhos, porque nós não conseguimos que esta seja uma cidade do conhecimento. Porque não temos ordenados competitivos, não temos habitação, não temos transportes. Guimarães foi construída pelo telhado.

A mobilidade é também apontada como um problema de Guimarães.

No nosso programa promovemos a pedonalização. Pedimos, desde logo, a pedonalização total do centro histórico. Quanto às ciclovias, a maior parte são desportivas ou de entretenimento. Temos que criar espaço para a bicicleta que possa ser utilizada para as deslocação para o trabalho. É urgente também recuperar a ferrovia, e achamos que não estamos a fazer tudo. E é uma grande preocupação nossa não haver ferrovia para Braga, até para resolver alguns problemas e ajudar a vila das Taipas, que é crucial, e até as várias indústrias e parques industriais que possam ficar pelo caminho. Temos de combater a carrocracia. Vivemos uma ditadura do carro. Os transportes públicos têm de convidar as pessoas e responder a três questões: conforto, tempo e do preço. Só retirando carros da estrada vamos melhorar a mobilidade em Guimarães.

© Cláudia Crespo/Mais Guimarães

Quanto aos transportes públicos, um novo serviço entrará em funcionamento em janeiro…

A autarquia dispunha de 30 milhões de euros para este plano, a 10 anos, gastando três milhões anualmente. O contrato foi vencido por uma empresa que apresentou uma proposta de 15 milhões. Ficaram 15 milhões por cumprir, porque é que não fomos mais além em mais autocarros verdes, não poluentes, porque é que não reforçamos as linhas, ou porque não tornamos, gradualmente, num meio de transporte gratuito?

Ao nível económico, que medidas destaca no vosso programa?

Temos que limitar os ajustes diretos e temos que ter um portal em que sejam publicados todos os investimentos da câmara. Temos que aumentar a transparência. Guimarães caíu no ranking da transparência municipal. A Câmara tem de apoiar empresas que não promovam a precariedade laboral, que promovam os ordenados dignos, e respeitem o ambiente.

Guimarães deve apostar mais na sustentabilidade e na defesa do ambiente?

Creio que acima de tudo, depois deste ano, fica a nu para toda a população de que nós vivemos uma grave crise climática. As propostas que o PS apresenta não são suficientes. É preciso que entendamos que ambientalismo sem anticapitalismo é mera jardinagem. Queremos que Guimarães seja modelo a nível europeu. Por isso, apresentamos um plano muito completo para a naturalização carbónica e climática até 2030 no passado dia 17 de julho. Reduzir as emissões poluentes é urgente.

E quanto à cultura, o que defende o candidato do BE?

Na Cultura, o Bloco de Esquerda defende que devemos devolver alguma autonomia às associações, que são históricas e fundamentais para a cidade. Temos que levar às freguesias, às casas do povo, a cultura, que é tão boa e tão exemplar que tem de ser democratizada, para todos e para todas e não só para uma pequena elite.

Porque devem os vimaranenses votar em Luís Lisboa e no Bloco de Esquerda?

Nós estamos sempre a queixar-nos de que as coisas não mudam e que é tudo igual. Chegou o momento em que há alguém que pode fazer a diferença, e há alguém que é diferente, e que é um de vós.

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